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Policia MT
Quinta - 26 de Abril de 2018 às 08:48
Por: Folhamax

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O ex-assessor da 2ª Vara Criminal de Cuiabá - Vara de Execuções Penais -, Pitágoras Pinto de Arruda, é acusado de desviar recursos destinados ao pagamento de uma perita que prestava serviços a Vara. Pitágoras foi um dos alvos da “Operação Regressus” e teve a prisão preventiva expedida pela Vara do Crime Organizado.

De acordo com a Polícia Civil, o primeiro inquérito policial investigou 10 desvios de dinheiro – que somaram R$ 26 mil - destinado a pagamento de uma perita nomeada, para realização de exames criminológicos de presos com direito a progressão de regime. Os valores chegaram a conta bancária de sua mãe.

Conforme o delegado titular do GCCO, Diogo Santana, há cerca de dois meses o Tribunal de Justiça, por meio do juiz de Execuções Penais, Geraldo Fidélis, procurou a Gerência para comunicar os desvios que estariam ocorrendo na Vara, relacionados a fraudes na progressão de regime.

“Fomos procurados pelo doutor Fidélis, que passou informações sensíveis a respeito de situações que estavam acontecendo na Vara de Execução Penal. A informação a respeito de crimes de peculato supostamente praticados por um então assessor da 2ª Vara Criminal, que estava desviando dinheiro público, que deveria ser destinado a pagamento de honorários médicos. Em razão disso que esse ex-assessor foi preso na data de hoje”, disse o delegado Diogo Santana.

Com as investigações sobre o ex-assessor, os policiais chegaram a outras fraudes, que culminaram com a prisão do estelionatário Marcelo Nascimento da Rocha, o “Marcelo Vips”, e do traficante Márcio Batista da Silva, o “Dinho Porquinho”. Eles são acusados de usarem atestados duvidosos e declarações de trabalho em empresas consideradas de fachada para tentarem obter a remissão de pena.

Além disso, estão sendo investigadas fraudes com relação a diplomas de escolaridade, o que justificou mandados contra instituições de ensino. As buscas foram realizadas nas escolas Escola Estadual Nova Chance, Senai (Cuiabá e Várzea Grande), Uniorka (Supletivo e cursos técnicos).

“São duas situações. Nas duas, no mesmo dia que soube, comuniquei minha corregedora, na questão administrativa, e também a segurança pública, através do GCCO, por ser uma questão de crime, fazer a investigação necessária”, afirmou o juiz. “A transparência, a busca pela abertura dessas informações e a pesquisa, garante a sociedade uma eficiência, uma demonstração que as instituições funcionam”, declarou o juiz Geraldo Fidélis.

CONFIANÇA

Sobre o ex-assessor, Fidélis contou que trabalha há 7 anos com ele, desde que era estagiário na comarca de Cáceres. Ele disse que tinha confiança em Pitágoras e se mostrou decepcionado com envolvimento dele no esquema.

“Em março deste ano, a minha assessora Patrícia ligou me pedindo para ir urgentemente até a Vara, dizendo que tinha uma questão urgente pra resolver. E ela me recebeu com um papel na mão. Era uma liberação do bloqueio das contas para o pagamento da psiquiatra. Então ela falou: ‘Mas olha quem recebeu aqui’. E havia um nome desconhecido. Quando fui verificar, era a mãe do Pitágoras. Isso aí fechou o mundo para mim nessa hora. Um absurdo”, contou.

Após checar a realização de 7 pagamentos na conta da mãe do ex-assessor, Fidélis disse que procurou a Corregedoria de Justiça e a GCCO para realizar as investigações. Apesar de se dizer triste, não se vê culpado com o fato do ex-assessor ter sua senha de acesso ao sistema. "Não tem como eu trabalhar numa vara com 17 mil processos sem ter uma pessoa de confiança para a parte administrativa e burocrática. Eu tinha nele essa confiança".





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