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Quinta - 10 de Maio de 2018 às 18:17
Por: Diego Frederici/Folhamax

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O ex-CEO da EIG Mercados, Valter José Kobori, “exigiu” que os proprietários da organização, José Ferreira Gonçalves Neto e José Henrique Ferreira Gonçalves, adquirissem um automóvel Mercedes-Benz modelo E-250 CGI VR4 2.0 TB Aut, no ano de 2014, avaliado em R$ 300 mil. Kobori relata que fez a exigência após sofrer ameaças do ex-sócio da Santos Treinamentos, Roque Anildo Reinheimer, organização que também faria parte das fraudes.

A informação está presente num inquérito do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) que apura os desvios e lavagem de dinheiro no Departamento Estadual de Trânsito por meio do contrato entre o órgão público e a EIG Mercados. De acordo com informações das investigações, o automóvel de luxo chegou a ser adquirido, conforme nota fiscal da compra juntada ao processo. José Ferreira Gonçalves Neto relatou o caso em seu acordo de colaboração premiada com o Ministério Público Estadual (MP-MT), que coordena o Gaeco.

O motivo das ameaças seria o fim do pagamento de propinas à Santos Treinamento, no ano de 2014, no fim da gestão Silval Barbosa. “Consta no interrogatório de José Ferreira Golçalves Neto que ‘após cessar os pagamentos das propinas com a Santos [Treinamento], Kobori alegava que estava sendo ameaçado por Roque, tendo Kobori pedido para a empresa comprar uma Mercedes E 250 blindada’, alegação confirmada por José Henrique Ferreira Gonçalves, que afirmou que Valter Kobori lhe relatava sofrer ameaças do grupo que representava a empresa Santos Treinamento [...]afirmações que encontram respaldo na nota fiscal da compra do veículo mencionado”, diz trecho do inquérito.

Além das ameaças relatadas pelo ex-CEO da EIG Mercados, as investigações também apontam que, já no ano de 2017, após fim dos pagamentos de propinas a Santos Treinamento – que seriam da ordem de R$ 500 mil por mês -, Roque Anildo Reinheimer teria passado a “extorquir” os proprietários da empresa advertindo-os da sua influência junto aos deputados estaduais.

“Além disso, no ano de 2017, após a cessão do pagamento da propina através da Santos Treinamentos (de cujo quadro societário Roque Anildo Reinheimer fez parte), Roque Reinheimer passou a extorquir os sócios da EIG Mercados Ltda., exigindo o pagamento de R$ 50.000,00 mensais, sob a ameaça de se utilizar de sua influência política junto à Assembleia Legislativa de Mato Grosso para a abertura de uma comissão parlamentar de inquérito - CPI a respeito do contrato entre a EIG Mercados”, diz outro trecho das investigações.

Após o início da gestão Taques, em 2015, Valter José Kobori resolveu romper o contrato com a Santos Treinamento – deixando seus sócios inconformados. O ex-CEO disse que prestou uma queixa crime contra Roque, relatando ameaças feitas a um conhecido de ambos. Em uma delas, Roque Anildo dizia que o executivo “pediu guerra e agora vai ter”, advertindo ainda os representantes da EIG Mercados de que tinha o apoio de “10 deputados”.

“As provas dos autos demonstram, portanto, de forma clara, a interferência de Roque Anildo Reinheimer na produção da prova, atuando de forma a ajudar a ocultar a participação de outros integrantes da organização criminosa, buscando interferir no animus de outros integrantes da organização criminosa, seja pela montagem de documentos, pela ameaça, pela extorsão, de modo que sua prisão preventiva é necessária para a garantia da investigação criminal e da instrução processual penal”, diz a decisão do desembargado José Zuquim pela prisão de Roque.

OPERAÇÃO BÔNUS

De acordo com as investigações, o deputado estadual afastado Mauro Savi (DEM) era o líder de um esquema que envolveu empresários e políticos notórios no Estado. O inquérito policial narra desvios promovidos por uma empresa (EIG Mercados) que prestava serviços ao Detran no registro de financiamento de veículos em alienação fiduciária, além de uma outra organização (Santos Treinamento) que lavava o dinheiro desviado.

O inquérito aponta que a EIG Mercados – que no início dos desvios, em 2009, chamava-se FDL Serviços -, repassava em torno de R$ 500 mil por mês de verbas obtidas pelo serviço que presta ao Detran de Mato Grosso por meio da Santos Treinamento. A empresa era uma espécie de “sócia oculta” nos trabalhos realizados ao departamento estadual.

O dinheiro chegava a políticos notórios do Estado - como o ex-governador Silval Barbosa, o deputado estadual Mauro Savi, além do ex-deputado federal Pedro Henry -, por meio de depósitos bancários e pagamentos em cheques promovidos pelos sócios da Santos Treinamento, como Claudemir Pereira, também conhecido como “Grilo”.

Além de Mauro Savi e Paulo Taques, também foram presos na última quarta-feira os sócios da Santos Treinamento, Claudemir Pereira dos Santos e Roque Anildo Reinheimer, o ex-CEO da EIG Mercados, Valter José Kobori, e o irmão de Taques, e advogado, Pedro Jorge Zamar Taques.

O Gaeco deve colher os depoimentos nesta quinta-feira de Mauro Savi, do ex-Chefe da Casa Civil, Paulo Taques, e os empresários Claudemir Pereira dos Santos e José Kobori. O presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (AL-MT), Eduardo Botelho (DEM), não foi alvo da operação “Bônus”, mas seria ouvido pelo órgão na próxima sexta-feira (11) em razão de também já ter sido sócio da Santos Treinamento entre setembro de 2010 e abril de 2013. Ele, no entanto, não deve ir a oitiva em razão de estar cumprindo agenda fora do Estado.

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