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Meio Ambiente
Sexta - 22 de Março de 2019 às 08:09
Por: Joanice de Deus/Diário de Cuiabá

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Planície alagada, o pantanal luta para conciliar desenvolvimento econômico com a preservação do meio ambiente. Assoreamento de nascentes, rios e córregos, pesca predatória, esgoto sem tratamento e desmatamento estão entre as principais ameaças para a manutenção do bioma. Outro problema sério é o lixo produzido pelas cidades localizadas às margens do Rio Cuiabá que vão parar na reserva de água doce, uma das maiores do mundo.

Essa época é considerada crítica uma vez que, com as chuvas, os rios e córregos enchem e carregam tudo que ficou acumulado às margens para dentro d'água. Em menos de 24 horas, os dejetos vão parar nas bacias que alimentam o pantanal. “Só pelo Rio Cuiabá, o que desce para o pantanal todos os anos, segundo a UFMT (Universidade Federal de Mato Grosso), são mais de 500 toneladas de lixo. É muita coisa. E o que estamos tirando é só o que está por cima, ou seja, boiando. O que está por baixo é muito maior”, informou o diretor do projeto de Educação Ambiental “Teoria Verde”, Jean Peliciari.

Ele explica que como as baías são sedimentares, boa parte do entulho fica depositado no fundo. “Nós temos verdadeiros lixões nas baías de Chacororé e Siá Mariana (em Barão de Melgaço), que nunca vão ser retirados. Como é que vamos retirar todo esse lixo que fica no fundo. Para se ter uma ideia, no ano passado, somente no corixo da Chacororé retiramos sete toneladas e encontramos de tudo: geladeira, micro-ondas, televisão e sofá”, citou.

Para tentar mudar esse cenário e amenizar os danos causados, o “Teoria Verde” e parceiros, como o Ministério Público do Estado (MP-MT) e prefeituras, realizam atividades de limpezas voluntárias em nascentes e ao longo dos mais diferentes cursos d’água, a exemplo do Rio Cuiabá. Em 72 ações, já retirou mais de 320 toneladas de resíduos sólidos da natureza.

Outro foco é a educação ambiental, especialmente, de crianças e adolescentes. A ideia é fazer com que as próximas gerações tenham pessoas mais conscientes sobre o papel de cada uma no planeta. Tanto que nesta semana, está com uma programação nas escolas municipais da capital atendendo estudantes de 4 a 9 anos. O projeto já alcançou mais de 2 mil meninos e meninas na faixa etária e, para isso, recebeu material do programa “Pacto em defesa das cabeceiras do pantanal”, da organização não-governamental WWF-Brasil.

A ação também vem de encontro ao Dia Mundial da Água, comemorado hoje (22). “A gente mora uma região que tem abundância de água, mas se não cuidar não vai ter o que comemorar em um médio espaço de tempo. O pantanal não aguenta mais 30 anos de lixo. Se não tiver projeto para evitar que o lixo chegue nos rios, se não tiver ecobarreira e projetos para cuidar realmente das nascentes porque o “Águas para o Futuro’ está detectando, mas como é que vamos preservar? Tem que cercar, fiscalizar e empoderar a população da região para cuidar”, alertou.

Já neste sábado, haverá limpeza em uma nascente no Jardim Itamaraty, na capital. “Nós fizemos uma visita técnica no local e constatamos que está precisando de uma limpeza. Quando você chega na nascente parece que está na Chapada (dos Guimarães) e a água cristalina brotando da terra, mas ao redor encontramos muito lixo, de fogão à televisão. Por isso, também vamos fazer a sensibilização dos moradores do bairro”, disse. Cerca de 150 voluntários devem participar da iniciativa.

O projeto “Águas para o Futuro”, idealizado pelo MP-MT já detectou mais de 300 nascentes, boa parte degradada e em diferentes bairros da capital. “A gente precisa falar mais sobre a preservação dessas nascentes, não somente na semana da água. Temos que alertar as pessoas, mostrar que sem nascente não teremos água, não teremos o Rio Cuiabá e não teremos o pantanal”, finalizou.





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