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Saúde
Domingo - 07 de Abril de 2019 às 10:35
Por: Jairo Sant'Ana | Secom MT

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Embora neste final de semana comemore-se os dias mundiais da Atividade Física (sábado, 6) e da Saúde (domingo, 7), boa parte da população continua ociosa e, consequentemente, sob o risco de contrair doenças, em especial as causadas pelo sedentarismo, como diabetes, hipertensão, obesidade, osteoporose e depressão.

Cuiabá, que na segunda feira, 8, completa seu tricentenário de fundação, não foge à regra. Segundo a pesquisa Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), divulgada em 2018, seis em cada 10 cuiabanos não praticam atividade física de intensidade moderada no tempo mínimo de 150 minutos semanais. No Brasil, a média é mais baixa, pouco mais de cinco em cada 10 habitantes.

Resultado: Cuiabá é a capital brasileira com maior percentual de adultos do sexo masculino com excesso de peso – mais de seis (65,8%) em cada 10 habitantes. A média geral só não é maior porque as mulheres não deixam. O percentual de obesidade feminino fica em 49,5%. Além disso, Cuiabá ocupa a quarta posição no ranking nacional quando se trata de obesidade, com média de 22,7% em ambos os sexos.

“As doenças causadas pelo sedentarismo matam mais que a soma de todas as doenças. Hipertensão e diabetes respondem por 56% das mortes não violentas”, afirma o profissional de Educação Física da Secretaria estadual de Segurança Pública (Sesp), Valdecarlos Santos, alertando que podem ser evitadas pela simples prática de exercícios ou atividades físicas.

“O sedentarismo funciona como um círculo vicioso. A pessoa em idade produtiva que não pratica nenhuma atividade física chega em sua casa cansado, se alimenta mal, não dorme bem e acorda mal. No entanto, quando se exercita, o círculo torna-se virtuoso. Isto é, tem-se um dia mais tranquilo, se alimenta melhor, dorme melhor e acorda bem, com disposição para mais um dia de trabalho”, conclui Valdecarlos Santos.

Ausência no trabalho

Para o também educador físico Max Moraes, da Secretaria estadual de Planejamento e Gestão (Seplag), as doenças causadas pelo sedentarismo (especialmente diabetes, hipertensão e osteomusculares) são a segunda maior causa do absenteísmo (ausência no trabalho) de servidores públicos estaduais – a primeira são as doenças mentais.

Responsável pelo projeto Vida Saudável, em execução na secretaria há cinco anos, ele explica que o seu principal fundamento é estimular o autocuidado. Mensalmente, peso, percentual de gordura e índice de massa corporal dos servidores são monitorados.

“Diversos estudos mostram que basta a implantação de uma ação de vigilância do peso, que as pessoas já começam a mudar seus hábitos, porque passam a ficar mais atentas com o próprio corpo e se cuidam mais”.

Simultaneamente ao Vida Saudável, os servidores da Seplag têm como opção o Vou Correr, uma atividade de caminhada e corrida no Parque das Águas, localizado próximo a Centro Político Administrativo. “Cada participante tem sua planilha de treino e realiza a atividade de acordo com o seu nível de condicionamento físico. Nada de ir além da sua capacidade no momento em que estiver se exercitando”.

Outra atividade desenvolvida na secretaria é o Treinamento Funcional, voltado para melhorar os movimentos diários da pessoa, fortalecendo sua musculatura e protegendo-a das lesões do trabalho. “São atividades do dia a dia, como agachar, saltar, correr, empurrar e puxar. Feito com metodologia e de forma seriada”, conclui.

Caminhas, ginástica laboral e treinamento funcional

Caminhadas, treinamento funcional e ginástica laboral também fazem parte do cotidiano dos servidores da Secretaria de Estado de Fazenda. Segundo Daniel Araújo, coordenador de Saúde no Trabalho e Qualidade de Vida da Sefaz, as caminhadas são feitas no Parque das Águas. Embora estimuladas, são de iniciativa dos próprios servidores, que se organizaram espontaneamente e reúnem principalmente os lotados na superintendência de Gestão de Pessoas.

O treinamento funcional ainda é novidade. Foi lançado no final de março e é feito nas próprias dependências da secretaria, aproveitando escadas e pátios, sempre entre 17h15 e 18horas, permitindo que o servidor se exercite e, ao mesmo tempo, fuja do horário de pico do trânsito cuiabano. Aos interessados em participar, as inscrições estão abertas.

Já a ginástica laboral, feita diariamente à tarde, por 20 minutos, durante o horário de expediente, é bem mais antiga. É realizada desde 2005, quando foi criada a unidade de Saúde no Trabalho e Qualidade de Vida.

Coordenada por um profissional de educação física, tem como proposta combater doenças como LER (Lesão por Esforço Repetitivo) e DORT (Distúrbio Osteomuscular Relacionado ao Trabalho).

Também está aberta a todos os servidores da Sefaz e, aos interessados, basta comparecer ao local e horário marcados previamente. Segunda, quarta e sexta, na Escola Fazendária, enquanto terça e quinta, na Superintendência de Gestão de Pessoas.

Outras duas atividades voltadas à qualidade de vida do servidor da Sefaz são a Campanha de Monitoramento da Saúde e o Gerenciamento Ergométrico. A primeira é anual e atinge todos os servidores e colaboradores. Tem como meta investigar as condições de saúde para prevenir, especialmente diabetes e hipertensão.

Já o gerenciamento ergométrico avalia a postura do servidor e sua relação com os seus objetos de trabalho. Ensina regulagem da cadeia, a posição correta do monitor (tela) e teclado do computador, para alinhar braço, perna, pescoço e coluna vertebral.

“Além disso, há um trabalho de orientação e conscientização sobre a necessidade de uma postura correta para evitar dores musculares, de cabeça e atrofia dos músculos, entre outras consequências maléficas”, explicou Daniel Araújo.

Projeto Acolhida e terapias integrativas

Na Secretaria de Estado de Educação (Seduc), além da ginástica laboral e do treinamento funcional, há ainda uma academia (aberta aos servidores e às escolas), localizada no estacionamento da sede, em Cuiabá, com espaço para a prática de step (exercício aeróbico com uso de degrau) e pilates.

Segundo Zilda Alves da Silva, coordenadora do Núcleo de Saúde e Segurança, e a profissional de Educação Física, Vanessa Gonçalves Lopes, são oferecidas ainda quick massage, terapias integrativas (reiki, auriculoterapia e florais) e atividades musicais, como canto o coral.

“Temos também uma professora de Educação Artística, que trabalha a saúde vocal, fundamental para o professor atuante na sala de aula, além de vivências com violão, flauta doce e teclado, normalmente realizadas durante o horário de almoço, já que a maioria dos servidores permanecem na Seduc neste período”, explicou Zilda Alves.

Segundo ela, a secretaria desenvolve ainda o pioneiro e multidisciplinar Projeto Acolhida, que futuramente será levado às escolas. A proposta é melhorar o ambiente organizacional, valorizando o servidor.

É feito um diagnóstico dos setores e, para os mais vulneráveis, é feito um cronograma de atendimento. E uma equipe prepara um momento de relaxamento, com música, atividades físicas, quick massage e outras atividades lúdicas. A ação é realizada às segundas-feiras (exceto quando feriado), para que o servidor já comece a semana mais agradável.

“É importante que ele saiba que estamos preocupados com sua saúde, pois sabemos que o custo de um professor é bem superior do que evitar que ele adoeça, pois quando ele deixa a sala de aula por licença-saúde e entra em readaptação, precisa ser substituído, gerando um contrato temporário. Por isso, todas essas ações preventivas”.

Feira sustentável e alimentação saudável

Na Secretaria de Estado de Saúde (SES), a preocupação é com uma alimentação saudável. Todas as quintas-feiras, entre 16 e 18 horas, o pátio interno é tomado por expositores da Feira Sustentável, onde é possível adquirir produtos orgânicos.

Segundo seu organizador, o nutricionista e servidor da SES, Rodrigo Carvalho, a ideia surgiu em outubro de 2017, durante as comemorações do Dia Mundial da Alimentação, quando se pensou em criar um espaço para que seus colegas de secretaria tivessem acesso a alimentos de qualidade. Nesse período, era feito um trabalho, em parceria com estagiários de Nutrição Social da UFMT, de orientação sobre práticas alimentares adequadas e benéficas.

“A proposta vingou e, em maio do ano passado, a Feira se tornou permanente e segue os preceitos definidos pelo Guia Alimentar para a População Brasileira, do Ministério da Saúde, cujo principal objetivo é promover a saúde, por meio de um conjunto de informações e recomendações sobre alimentação”, explica.

Segundo ele, para expor na feira, é preciso ser agricultor familiar e produzir em Mato Grosso. Atualmente, são 13 expositores, dos quais 10 são exclusivos para alimentos. Há, ainda, uma ala chamada de Saúde Sustentável, com exposição (e venda) de materiais reciclados, como ecobags e cosméticos veganos. “Tem ainda o pessoal da João de Barros, com seus terrários de vidros reciclados. Eles estão numa parceria conosco para futuras oficinas sobre hortas domésticas”, diz Rodrigo Carvalho.

“Mas”, continua, “o principal objetivo é que esta fosse uma feira de saúde. Por isso, estamos com algumas atividades das chamadas PICS (Práticas Integrativas Complementares de Saúde), com auriculoterapia e reiki. Creio que, desta forma, a gente sai da teoria e traz para a SES um espaço saudável para os seus servidores. Além disso, faz com que eles saiam um pouquinho de suas salas, respire um pouco de ar ouro e compartilhe com os expositores seus produtos saudáveis”.

Lazer como prevenção a doenças

Apesar de suas altas temperaturas, Cuiabá conta com vários espaços arborizados para a prática de atividades físicas, especialmente caminhadas, espalhados pelos bairros.

Na região do Distrito do Coxipó, por exemplo, além do campus da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), há o Horto Florestal Tote Garcia e o Parque Zé Bolo Flô, com, respectivamente, 15 e 66 hectares, compostos predominantemente por árvores nativas.

No Jardim Itália, próximo aos residenciais Alphaville Cuiabá II e II, está localizado o parque Tia Nair, em cuja área de 20 hectares é possível tanto a prática de exercícios físicos como lazer, com seus pedalinhos, parque infantil e tirolesa. Fica aberto à noite.

Na Avenida Miguel Sutil, o Mãe Bonifácia, com 77 hectares de vegetação típica do cerrado e cortado por dois córregos, é o mais completo, oferecendo cinco trilhas e cinco postos com equipamentos de ginástica.

Na avenida do CPA, próximo à Morada do Ouro, a opção é o Parque Massairo Okamura. Com 54 hectares, além de trilhas para caminhadas, é uma área de proteção ambiental, abrigando em seus limites nascentes da cabeceira do Córrego do Barbados.

E próximo ao Centro Político Administrativo, localizado na Lagoa Paiaguás, está o Parque das Águas. Com 27 hectares, é uma simbiose de espaço para atividades físicas e ponto turístico, com 1.500 metros de pista para caminhadas, 1.600 metros de ciclovia e o espetáculo Show das Águas, que combina música, iluminação em led e jatos de águia lançados a 60 metros de altura. Fica aberto 24 horas.

Por fim, o espaço externo da Arena Pantanal, aberto à população, com espaço para caminhadas, patins, skates e bicicletas.

“São grande academias a céu aberto”, diz o secretário de Esporte, Cultura e Lazer, Allan Kardec, bacharel em Educação Física e professor licenciado. Ele diz que sua principal meta na atual gestão é fazer com que a Coordenadoria de Lazer e Qualidade de Vida, implantada recentemente e formada por educadores físicos e outros profissionais, auxilie os frequentadores destes locais na prática de atividades físicas.

“Nossa proposta é fazer disso uma política pública. Tratar o lazer como ele deve ser tratado, não apenas como momento de recreação, mas também de prevenção à saúde. Sabemos que as doenças degenerativas são consequências do sedentarismo e, atualmente, todos os médicos colocam a atividade física como uma das soluções clínicas para o seu tratamento. Por isso, estamos trabalhando nesta direção”, conclui.





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