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Ciência/Pesquisa
Quinta - 29 de Agosto de 2019 às 12:08
Por: Hemilia Maia/Da Assessoria

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Petterson Baptista da Luz

Contribuições para discussões sobre aprimoramento da legislação ambiental brasileira e garantias à manutenção da biodiversidade do Pantanal são viabilizadas por meio de pesquisas das universidades públicas brasileiras como a desenvolvida pela Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), em conjunto com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e outras Instituições de Ensino Superior (IES).

Treze pesquisadores desenvolveram os protocolos de congelamento e de descongelamento de sementes de 10 espécies de árvores florestais que compõe o bioma Pantanal. Os protocolos da pesquisa serão responsáveis pelo sucesso da preservação de espécies, algumas ameaçadas de extinção, por meio da criopreservação.

Segundo o professor da Unemat, Petterson Baptista da Luz, doutor em Agronomia e coordenador do estudo, para a conclusão do projeto “Armazenamento de sementes de espécies florestais do Bioma Pantanal” foram necessários seis anos de pesquisas para o desenvolvimento dos protocolos de armazenamento visando à manutenção da viabilidade das sementes.

Durante os estudos, foram utilizadas cerca de 3.000 sementes de cada uma das espécies: Angico Branco (Anadenanthera colubrina), Aroeira (Myracrodruon urundeuva), Cambará (Vochysia divergens), Gonçalo (Astronium fraxinifolium), Guanandi (Calophyllum brasiliense), Piúva (Handroanthus impetiginosus), Piúva (Handroanthus heptaphylus), Jenipapo (Genipa americana), Louro (Cordia glabrata) e Canafistula (Peltophorum dubium).

Luz conta que identificou e marcou as árvores matrizes, doadoras de sementes, na Fazenda Nhumirim, de propriedade da Embrapa Pantanal em Corumbá, no Mato Grosso do Sul. Durante a pesquisa, a Embrapa enviou as sementes para Cáceres, em diferentes épocas do ano, de acordo com a produção de cada espécie. No Laboratório de Sementes do curso de Agronomia da Unemat, em Cáceres, foram desenvolvidos os estudos a partir de 2013.

“Nós testamos o armazenamento em diversas embalagens de polietileno, pet aluminizado e papel craft e avaliávamos mensalmente a capacidade de germinação das sementes. Outro modo de armazenamento utilizado foi a criopreservação. As sementes eram congeladas em nitrogênio líquido, a -196°C. Dessa forma, durante a pesquisa, preservamos o material genético das plantas num banco de germoplasma na Unemat”, explicou o professor.

Ao final, Luz disse ter encontrado a melhor embalagem para o armazenamento de cada uma das espécies estudadas, que variam entre recipientes de polietileno e pet aluminizado. Os protocolos de criopreservação também foram desenvolvidos para cada espécie. “Cada uma se comporta de forma diferente e algumas sementes precisam ser tratadas com substâncias que protegem o tecido da semente da formação de cristais de gelo dentro de suas células, ou seja, crioprotetores específicos em diferentes concentrações”, esclareceu Luz.

O projeto também proporcionou melhorias ao Laboratório de Sementes que atende alunos de graduação e pós-graduação da Unemat, fortificou o grupo de pesquisa e vem atendendo a demanda de outras pesquisas para a recuperação de áreas degradas no Pantanal. Alunos dos cursos de graduação e mestrado da Unemat também atuaram no projeto, o que resultou em mais de uma dúzia de resumos apresentados em congressos, seis trabalhos de conclusão de curso em Agronomia, uma dissertação de Mestrado em Genética e Melhoramento de Plantas e três artigos enviados para publicação em periódicos.

Além do coordenador, participaram do estudo os professores da Unemat: Leonarda Grillo Neves, Severino de Paiva Sobrinho, Marco Antonio Aparecido Barelli, Eder Pedroza Isquierdo e Daniela Soares Alves Caldeira, os pesquisadores da Embrapa Marçal Henrique Amici Jorge, Elisa Serra Negra Vieira (Embrapa Florestas), Suzana Maria Salis e Cátia Urbanetz (Embrapa Pantanal), e Léia Carla Rodrigues dos Santos, da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), Pastor Amador Mojena, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT/Sinop) e Iria Hiromi Ishii, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS/Pantanal).

O Projeto contou com financiamento da Confederação Nacional de Agricultura (CNA) e da Vale Mineração.

Projeto Biomas - Projeto de pesquisa é realizado em parceira entre a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) nos seis biomas brasileiros: Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pampa e Pantanal. A missão do Projeto Biomas é apresentar aos produtores rurais modelos de uso das espécies locais com fins econômicos e ambientais. Para isso, são pesquisadas formas de uso sustentável seja em Áreas de Preservação Permanente (APP), Área de Reserva Legal (ARL), ou mesmo em Áreas de Sistemas Produtivos (ASP).

A parceria do projeto partiu da iniciativa da Embrapa que estava desenvolvendo em âmbito nacional o Projeto Biomas. A convite da Embrapa de Corumbá-MS, que tinha o propósito de estabelecer o Projeto Biomas Pantanal para recuperar áreas degradadas pela pecuária, pesquisadores da Unemat e de outras IES propuseram projetos de pesquisa que atendessem as expectativas do Projeto Biomas Pantanal.





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