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Agronegócios
Quinta - 31 de Outubro de 2019 às 08:51
Por: Pedro Capeti/Diário de Cuiabá

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O uso de agrotóxicos nas plantações brasileiras tem sido feito frequentemente por profissionais sem qualquer capacitação . Três em cada cinco produtores que utilizam o defensivo agrícola não possuíam orientação técnica para aplicar o produto. Os dados são do Censo Agropecuário de 2017, divulgado semana passada pelo IBGE .

Segundo o IBGE, 1.681.740 produtores declararam ter utilizado defensivos agrícolas no período de um ano da coleta. Isso corresponde a um terço do total de estabelecimentos identificados pela pesquisa (5.073.324). Em 2006, data da pesquisa anterior, 1,39 milhão de produtores declararam ter usado pesticidas. Os dados são praticamente os mesmos dos coletados em 1996.

A pesquisa do IBGE mostra que a falta de conhecimentos aumenta à medida que diminui o tamanho da propriedade. Isso significa, em outras palavras, que o desconhecimento do uso de defensivos está concentrado nas pequenas propriedades, e não nos grandes produtores.

Em 2017, nos estabelecimentos com menos de cinco hectares de área de lavouras — o correspondente à metade de todas as áreas rurais — 77% declararam não ter recebido orientação técnica. Acima de cinco hectares, essa taxa era de 38%.

“O que preocupa é o mau uso pelo pequeno produtor. Como é que ele vai aplicar um produto se, muitas vezes, ele não sabe ler a bula do agrotóxico, muito mais complexa do que a de um remédio”, explica Antonio Florido, gerente do Censo Agropecuário do IBGE.

Em 2017, do total de estabelecimentos com uso de agrotóxicos, em 16% deles o produtor não sabiam ler nem escrever. Do universo dos analfabetos, 89% declararam não ter recebido orientação técnica para uso do produto.

Entre os que sabiam ler e escrever, 70% tinham, no máximo, o fundamental e, destes, apenas 31% declararam ter recebido orientação técnica.

A despeito do desconhecimento entre os menores produtores, são os maiores os responsáveis por gastar mais recursos com o produto. De acordo com a pesquisa, dos 16.253 estabelecimentos de 500 ou mais hectares de área de lavouras (as maiores propriedades), 14.726 estabelecimentos - ou 91% - declararam ter recebido orientação técnica. Nestes, estão 65% do valor da despesa com agrotóxicos.

“Apenas analisar o total de produtores que declararam utilizar agrotóxico, não nos permite fazer qualquer avaliação quantitativa (quantidade de agrotóxico que foi aplicado) bem como qualitativa (se o agrotóxico foi especificado por profissional qualificado, se a formulação e o agrotóxico são específicos para o que se quer combater na cultura)”, alertam os pesquisadores no estudo.

Segundo dados do Ministério da Saúde, as notificações por intoxicação por agrotóxico dobraram desde 2009, passando de 7.001 para 14.664, em 2018.





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