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Economia
Terça - 12 de Novembro de 2019 às 08:07
Por: Diário de Cuiabá

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Em tempos de juros do cartão de crédito na casa de 307,8% ao ano, uma pesquisa mostra que os brasileiros ainda continuam tendo uma relação que não é das melhores com essa linha de crédito .

Com base no comportamento de 274,5 mil usuários, o levantamento revelou que uma em cada quatro pessoas que pagou juros do cartão de crédito nos últimos 90 dias, e conseguiu se livrar das taxas astronômicas por um curto período, acabou caindo novamente no rotativo do cartão 30 dias depois dessa pausa.

“Hoje, com os aplicativos de transporte e comida entregue em casa sendo pagos com cartão de crédito, muita gente acaba perdendo o controle do orçamento. São despesas pequenas que colaboram com o descontrole financeiro”, diz Julio Duram, diretor de produto e tecnologia do Guiabolso, aplicativo que ajuda a organizar as contas, que realizou a pesquisa.

O grupo de usuários foi analisado entre janeiro e setembro deste ano. Todos tiveram gastos com cartão de crédito nos 30 dias anteriores à pesquisa, mas não tinham utilizado o rotativo nesse período.

Entretanto, os participantes já haviam pago juros do cartão em períodos anteriores, entre 31 e 90 dias antes da análise. A pesquisa revelou que esses usuários voltaram a pagar juros novamente 30 dias depois de saírem do rotativo - o equivalente a 24,5% dos pesquisados.

A tendência já era esperada, mas preocupou o fato de o percentual de 24,5% ser elevado. O levantamento mostrou ainda que quem tem três ou mais cartões de crédito e os utiliza simultaneamente tende a entrar no rotativo duas vezes mais do que as pessoas que só tem um ou dois cartões de crédito. Isso acontece por conta da dificuldade de consolidar as informações sobre gastos e até mesmo lembrar a data de vencimento de cada fatura.

“Se uma pessoa deve R$ 1 mil no cartão, com juro de 12% ao mês, ela calcula que vai pagar R$ 120 de juro por mês se rolar a dívida. Mas esquece de calcular que vai pagar mais juros no mês seguinte, terá que pagar parte da dívida adiada e ainda vai ter novas despesas com o cartão. Isso vira uma bola de neve”, diz Duram.

Em setembro, dado mais recente disponibilizado pelo Banco Central, a taxa média do rotativo do cartão de crédito subiu 0,6 pontos percentuais em relação a agosto, chegando a 307,8% ao ano. A taxa média é formada com base nos dados de consumidores adimplentes e inadimplentes.

Esse aumento acontece mesmo com o movimento de baixa da taxa Selic, que na semana passada caiu a 5% ao ano , o menor patamar histórico. A Selic serve de referência para o mercado.

O rotativo é o crédito tomado pelo consumidor quando paga menos que o valor integral da fatura do cartão. No caso do cliente adimplente, que paga pelo menos o valor mínimo da fatura do cartão em dia, a taxa chegou a 290,2% ao ano em setembro, aumento de 1,3 ponto percentual em relação a agosto.

Já a taxa cobrada dos clientes que não pagaram ou atrasaram o pagamento mínimo da fatura caiu 0,2 ponto percentual, chegando a 319,5% ao ano.

Em 2018, o Conselho Monetário Nacional (CMN) determinou que clientes inadimplentes no rotativo do cartão de crédito passem a pagar a mesma taxa de juros dos consumidores regulares. Mesmo assim, a taxa final cobrada de adimplentes e inadimplentes acaba sendo diferente porque os bancos acrescentam juros e multa de quem atrasa o pagamento.

“O ideal é que essas linhas com crédito pre-aprovado só sejam utilizadas em casos de emergência. Elas não devem ser consideradas parte do orçamento. Tanto o cartão de crédito quanto o cheque especial têm as taxas de juros mais caras do mercado”, diz Miguel Ribeiro de Oliveira, diretor de pesquisas econômicas da Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac).





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