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Comportamento
Segunda - 11 de Maio de 2020 às 06:09
Por: Keka Werneck/RD News

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Renan Pelegrini
Ao lado do esposo, a advogada Lécia Taques posa com os três filhos Lucas, Pietra e Pedro; mãe relata ao Rdnews sua história de amor e reencontro
Ao lado do esposo, a advogada Lécia Taques posa com os três filhos Lucas, Pietra e Pedro; mãe relata ao Rdnews sua história de amor e reencontro

Espírita, a advogada Lécia Taques, 38 anos, de Cuiabá, não acredita em coincidências. Para ela, existe algo a mais, que não podemos ver e inspira nossas vidas. Mãe de 3 filhos, sendo dois biológicos e um adotivo, afirma, emocionada, que a chegada de seu terceiro filho, via adoção, é um “reencontro de almas”. Neste domingo especial (10) - Dia das Mães - ela relata uma história intrigante.

O reencontro

São (espiritualmente) gêmeos!

Dia 28 de abril, após 6 anos de fila de espera, ela e o marido foram buscar no abrigo o terceiro filho do casal. Este veio, como se diz, pelo coração. Quando Lécia conheceu a criança, teve a surpresa emocionante. O guri se chama Pedro e tem 6 meses, mesma idade e o mesmo nome que sua filha mais nova, Pietra. Nasceram praticamente no mesmo dia – um é do dia 28 de outubro, outro dia 29. “Estava inclusive usando uma roupinha igual a uma que a Pietra tem. São (espiritualmente) gêmeos!” - acredita Lécia, empolgada. Só que cada um chegou ao seio familiar de uma forma.

Pietra e Lucas, 3, são filhos biológicos do casal. Pedro está sendo adotado.

Além de Pedro, havia outro menino à disposição desta família. “Sofremos aos saber que teríamos de fazer uma escolha de um em detrimento de outro. Passamos uma noite sofrida, mas não houve isso, eles trouxeram Pedro primeiro, sem a gente falar nada. Logo que nos viu, já abriu um sorrisão, encostou no colo do meu esposo e ficou quietinho lá por um tempão”.

Estou aqui enlouquecida, de alegria, de cansaço

Coração de mãe

O coração de mãe dela está explodindo de gratidão. Quando relata esta história, dá para sentir a felicidade. “Estou aqui enlouquecida, de alegria, de cansaço. Tinha roupinhas do Lucas, que guardei, mas também já ganhamos vários presentes, já temos roupinhas novas para Pedro. Meu marido também está super feliz, tirou uma semana de licença maternidade, à noite, como amamento minha filha, ele que ficou com a responsabilidade de amamentar Pedro, dar a mamadeira a ele, e está adorando a experiência, porque eu sempre amamentava meus dois filhos (biológicos), e ele agora está tendo a oportunidade de viver esse outro lado, acordando de madrugada, e está achando especial a conexão que está criando com Pedro neste momento", detalha.

Tudo começou quando, após um tempo de casamento, ela e o marido, que é administrador de empresas, resolveram ter um filho. “Expliquei da minha vontade de adotar”. Então, para que o marido entendesse um pouco melhor sobre o que essa decisão significa, o casal fez o curso da Ampara, que é o primeiro passo no processo de adoção. O curso dá a dimensão desta escolha, suas implicações jurídicas e familiares. Os dois terminaram cientes de que realmente era o que queriam. Entraram na fila de espera.

Logo Lécia engravidou de Lucas e se envolveu totalmente nessa experiência de ser mãe, e mãe de primeira viagem! Apaixonada, extremamente focada no bebê, aprendendo a lidar com tudo isso. Neste contexto, o casal recebeu a ligação, para conhecer três irmãos. “Estava descobrindo o mundo da maternidade e achei que mais três filhos, de uma vez, era muito para mim naquele momento. Conversei com o meu esposo, e decidimos permanecer na fila, e só mudamos o perfil da criança esperada, de zero a 7 anos, sem restrição de cor, sexo e mais nada, mas sem irmãos”.

É um sentimento de completude, tão lindo, adotar, que temos que viver isso de novo, com uma criança maior, não mais um bebê. Quando a gente vai ao abrigo e vê crianças maiores, com aqueles olhinhos, dá vontade de levar todo mundo para casa

Tempo passou e veio Pietra. Para Lécia, o segundo filho é uma outra vivência, um amor mais maduro, mais consciente. E é com este sentimento que ela recebe agora Pedro.

Em outubro do ano passado, com a Pietra recém nascida, ligaram do Fórum avisando que havia vencido o processo de adoção, mas o casal resolveu renová-lo por mais 5 anos. E assim Pedro chegou e a família está completa...opa! Não, não está.

“Olha, a gente não tem certeza que a família completou, porque, na hora da audiência com a juíza, ela perguntou se queríamos continuar na fila e a gente disse que sim, porque é um sentimento de completude, tão lindo, adotar, que temos que viver isso de novo, com uma criança maior, não mais um bebê. Quando a gente vai ao abrigo e vê crianças maiores, com aqueles olhinhos, dá vontade de levar todo mundo para casa”.

A família é de classe média, mora em uma casa espaçosa no bairro Jardim Itália, e se sente capaz de criar um quarto filho ou filha. Pode ser, então, que venha por aí mais um reencontro de almas.





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