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Economia
Segunda - 01 de Junho de 2020 às 05:57
Por: Thaís Hirata/Especial Diário de Cuiabá

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A ideia é construir uma extensão da via, que hoje acaba em Rondonópolis, no Sul, até Lucas do Rio Verde, no Norte de Mato Grosso
A ideia é construir uma extensão da via, que hoje acaba em Rondonópolis, no Sul, até Lucas do Rio Verde, no Norte de Mato Grosso

A Rumo assinou, na última quarta-feira (27), a prorrogação antecipada do contrato da Malha Paulista, após quase cinco anos de um processo marcado por questionamentos e negociações duras.

Com isso, a empresa de logística do grupo Cosan garantiu mais 30 anos de operação da ferrovia, em troca de R$ 6,1 bilhões de novos investimentos e R$ 2,9 bilhões em outorgas a serem pagas ao Governo Federal.

A comemoração, porém, já deu lugar a novos planos, segundo Beto Abreu, presidente da companhia desde abril de 2019.

A empresa definiu como sua próxima prioridade a extensão de sua malha ferroviária no Estado de Mato Grosso, conforme afirmou o executivo.

“O foco agora será estender nossa própria ferrovia em direção à carga. Temos que nos preparar para atender um Estado como o Mato Grosso, que, até 2030, deve chegar a 120 milhões de toneladas de produção”, disse.

A ideia é construir uma extensão da via, que hoje acaba em Rondonópolis (212 km ao Sul de Cuiabá), até Lucas do Rio Verde (354 km ao Norte da Capital.

O trajeto, ainda não definido, mas pode chegar a 600 quilômetros.

Também não está claro como isso seria articulado do ponto de vista regulatório, mas Abreu afirma que a equipe está pronta para recomeçar as rodadas de negociação com governo e agências reguladoras.

Divulgação

Beto Abreu - Rumo

A comemoração, porém, já deu lugar a novos planos, segundo Beto Abreu, presidente da companhia desde abril de 2019

Nos próximos meses, a Rumo terá ainda a missão de pôr em operação o trecho central da ferrovia Norte-Sul, concessão conquistada pela companhia em março do ano passado.

A previsão é que as atividades comecem até junho de 2021, afirmou o presidente da companhia de logística ferroviária e portuária.

MALHA PAULISTA - Do total de investimentos previstos na renovação da Malha Paulista — trecho no Estado de São Paulo, até o porto de Santos, que se conecta com Rondonópolis — , cerca de um quarto terá que ser feito logo nos primeiros anos.

A ideia é aplicar por volta de R$ 1,7 bilhão até 2023, de um total de R$ 6,1 bilhões previstos até o fim da concessão, em 2058.

As primeiras ações serão a compra de material rodante (vagões e locomotivas) e obras para reduzir os chamados conflitos urbanos — basicamente, a ideia é construir contornos ferroviários para tirar a carga do meio das cidades, como São José do Rio Preto e Catanduva.

Além disso, estão previstas obras de ampliação de pátios, reativação de ramais atualmente parados e a duplicação de trechos, como o trajeto de 111 quilômetros entre as cidades de Campinas e Itirapina.

A expectativa é mais do que dobrar a capacidade de transporte da ferrovia, das atuais 35 milhões de toneladas por ano para 75 milhões, além de fazer melhorias importantes, afirmou Abreu.

“A Malha Paulista foi concebida há um século, para transportar café. Então você deve imaginar a oportunidade que temos de aumentar não só capacidade da malha como também todo o aspecto de segurança e eficiência”, disse.

Para o presidente, a situação de caixa e alavancagem da Rumo é confortável para fazer jus aos investimentos programados. A projeção mais recente divulgada pela empresa previa um total de R$ 14 bilhões entre 2019 e 2023 para a companhia.

Como exemplo, ele cita a obra no terminal de Rondonópolis (MT), que será entregue na primeira quinzena de junho, mesmo em meio à pandemia. O investimento foi de R$ 250 milhões, para dobrar sua capacidade.

“Logo no início da crise, no fim de fevereiro, nos antecipamos para garantir o caixa da empresa. Não vejo a crise atual como de liquidez, como vimos em 2008. Obviamente, o custo do capital pode variar, mas, por outro lado, o Brasil vive um momento de taxas de juros historicamente baixas”, afirma o executivo.

NORTE-SUL - A nova operação do tramo central da ferrovia Norte-Sul deverá começar entre junho e julho de 2021.

Ao contrário do inicialmente planejado, o primeiro trecho a entrar em atividade será justamente o mais próximo a São Paulo, na ligação com a Malha Paulista (em Estrela d’Oeste), que teve que ser construído do zero pela empresa.

A ideia inicial era começar a operação pelo trecho de Anápolis (GO) e Porto Nacional (TO), que já havia sido construída pela estatal Valec. Segundo Abreu, a companhia decidiu inverter por conta da ligação com a ferrovia em São Paulo. “Fazia mais sentido”, disse.

NOVOS PROJETOS - A prioridade da companhia, a partir de agora, passará a ser, mais do que outros leilões federais, a extensão da Malha Norte, que hoje termina em Rondonópolis, mas que pode chegar até Lucas do Rio Verde, em Mato Grosso.

A ideia seria fazer um grande corredor ferroviário, formado pela Malha Norte e pela Malha Paulista, para escoar a produção do Mato Grosso até o Porto de Santos. Por isso, a empresa aguardava a renovação do contrato em São Paulo para dar largada ao plano.

O projeto é embrionário, mas a Rumo já chegou até mesmo a entrar com um pedido de licença ambiental para a extensão e adquiriu um terreno no município de Lucas do Rio Verde, para a construção de um terminal.

A discussão com áreas do governo e órgãos reguladores, porém, ainda não teve início, diz ele.

Outro projeto da Rumo que demandará novas conversas com reguladores é a renovação antecipada da Malha Sul. “O processo já iniciou e será objeto de estudos agora. Ainda estamos em fase preliminar”, afirmou o executivo.

CRISE E RETOMADA - A crise atual teve impacto limitado na operação da Rumo, já que aproximadamente 80% do negócio é voltado à exportação do agronegócio, um setor menos afetado pela pandemia, disse Abreu.

Ainda assim, a empresa é impactada pela redução no volume transportado, principalmente de combustível.

Em relação às medidas necessárias para a retomada da economia brasileira após a pandemia, o executivo vê os projetos de infraestrutura como uma possível alavanca de investimentos, mas aponta a necessidade de dar mais agilidade aos processos.

“O Brasil tem muitos projetos com retorno e, na minha visão, atrativos para capital privado, não só local como internacional. Em um momento como esse, precisamos criar uma estrutura para executar isso com mais agilidade. Os projetos de infraestrutura passam por muitas instâncias: ministério, agência reguladora, tribunal de contas, Ministério Público, órgãos ambientais. Há uma oportunidade para fazer uma revisão disso e dar mais velocidade”, afirmou.





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