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Comportamento
Domingo - 27 de Dezembro de 2020 às 08:49
Por: José Lucas Salvani/Olhar Direto

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O ano de 2020 foi marcado por grandes perdas para a cultura regional em 2020. No total, sete grandes nomes deixaram a população. São eles: Rodivaldo Ribeiro, Marília Beatriz de Figueiredo Leite, Adir Sodré, Regina Pena, Rafael Rueda, Sebastião Mendes e Gilberto Izdebski.


Rodivaldo Ribeiro, julho de 2020



Jornalista e escritor, Rodivaldo morreu no final de julho, vítima de um infarto fulminante. Rodivaldo deixou seu legado em obras como “Essa Armadilha”, “O Corpo” (Chiado Books, 2018) e “Na Estrada” (Entrelinhas, 2017). O jornalista também foi o criador e idealizador do site Ruído Manifesto, de conteúdo literário e audiovisual.



Nascido em Cuiabá, Rodivaldo se destacou como vocalista de bandas de rock desde os anos 90. Ao longo da carreira profissional no jornalismo, trabalhou em todos os periódicos impressos de Cuiabá, passando ainda por diversos sites, inclusive pelo Olhar Direto.



Marília Beatriz de Figueiredo Leite, julho de 2020



Entre os principais nomes para a cultura de Mato Grosso que faleceram em 2020, Marília Beatriz Leite, imortal da Academia Mato-grossense de Letras (AML) foi a única que morreu vítima de covid-19. Marília Beatriz é graduada em direito e mestre em Comunicação e Semiótica. Atuou como advogada e professora também nas áreas das artes, comunicação, cultura e semiótica.



Na Universidade Federal de Mato Grosso, foi uma das fundadoras, além de chefe do Departamento de Artes, presidente do Conselho Consultivo do Cineclube Coxiponés, coordenadora do Projeto Pixinguinha/Funarte, coordenadora do Museu de Artes e de Cultura Popular (MACP), coordenadora de Cultura, diretora do Teatro Universitário e autora do projeto da 1ª Bienal de Poesia Visual em parceria com Wlademir Dias-Pino, em 1995.



A imortal também tem apresentações de livros, organização de obras artísticas e literárias, colaboração em periódicos, artigos, prêmios e distinções por sua contribuição à cultura e às artes. Desde 2013, ocupa a cadeira 02 da AML, que já foi de seu pai, Gervásio Leite. Entre 2015 e 2017, presidiu esta instituição, sendo a primeira professora da UFMT a exercer a função.



Adir Sodré, agosto de 2020



A primeira perda registrada em 2020 foi de Adir Sodré, em agosto. O artista plástico passou mal em frente a uma agência de publicidade em Cuiabá antes de falecer. Adir chegou a melhorar e foi para sua casa, quando em determinado momento desequilibrou, caiu e bateu a cabeça na calçada. O Serviço de Atendimento Móvel (Samu) foi acionado, mas não indicou nenhuma causa.



Adir nasceu em Rondonópolis (a 219 km de Cuiabá) em 1962. Já em 1977 passou a frequentar o Atelier Livre da Fundação Cultural de Mato Grosso, onde foi orientado por Humberto Espíndola (1943) e Dalva (1935). Nos dois anos seguintes, integrou com Gervane de Paula (1962) e outros artistas, um grupo que procurava renovar a arte mato-grossense.



O artista é reconhecido nacionalmente por suas obras. Em 2017, um de seus quadros esteve ao lado de Pablo Picasso, Adriana Varejão e tantos outros na exposição 'Histórias da Sexualidade', no Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand.



Regina Pena, agosto de 2020



Também em agosto, Regina Pena faleceu aos 68 anos em uma casa de repouso no bairro Boa Esperança, em Cuiabá. Ela lutava contra esclerose múltipla, doença neurológica, crônica, progressiva e autoimune.



Nascida em Cuiabá, Regina Pena era bacharel em psicologia e desde 1974 fazia de sua arte uma expressão de vida. Versátil, após ser diagnosticada com a doença, transformou o seu fazer artístico e passou a utilizar tablets para produzir suas obras.



Pena frequentou o Ateliê Livre da Fundação Cultural, atual Secretaria de Estado de Cultura (SEC), durante a década de 1970 e 1980. Além de Regina, outros artistas influentes no cenário mato-grossense frequentaram o Ateliê, como Adir Sodré, que morreu no dia 10 deste mês, e Dalva de Barros.



Rafael Rueda, outubro de 2020



Rafael Rueda, já em primeiro de outubro, faleceu aos 69 anos no Hospital Santa Rosa, em Cuiabá, onde foi submetido a uma cirurgia de retirada de um tumor localizado no rim. O artista estava internado há quase um mês por conta da cirurgia. No hospital, ele também acabou diagnosticado com o novo coronavírus. Porém, segundo familiares, já havia se recuperado da doença.



Rafael Pintava quadros abstratos desde 1988 e foi o primeiro a fugir da pintura cabocla e integrar o núcleo de artistas dessa corrente artística. Já expôs na UFMT, Chapada dos Guimarães, Pontifícia Universidade Católica São Paulo, Salão Jovem Arte Mato-grossense, Museu de Arte Contemporânea, Campo Grande (MS), Sociedade Brasileira de Belas Artes - Rio de Janeiro (RJ), dentre outros locais, mas estava há certo tempo afastado das telas.



Sebastião Mendes, outubro de 2020



Sebastião morreu na última quinta-feira (8), aos 54 anos, vítima de uma morte súbita em seu sítio, na região do Taquaral. Expoente das artes plásticas, de Mato Grosso, ele é membro da Academia Brasileira de Artes e já expôs em diversas cidades do mundo. Segundo informações preliminares, ele estaria tentando apagar um fogo em sua propriedade, teve o mal súbito e não resistiu.



O artista plástico nasceu em Cáceres (a 217 km de Cuiabá). Desde os oito já riscava com carvão as tábuas de madeira das paredes de casa, e com gravetos a terra batida do quintal. Foi um frei de origem holandesa, chamado Frei Mateus, que o incentivou a investir na arte.



No início, o cacerense pintou paisagens, flores, pessoas. E chegou a tentar trabalhar como funcionário para empresas. “Mas percebi que não ia dar muito certo. Sempre [tinha] aquela cobrança de espírito pra que nunca parasse de pintar”, contou, em 2018, ao Olhar Conceito. Foi com cerca de dezoito anos que ele decidiu que seguiria uma arte mais figurativa.



A presidente da Academia Brasileira de Belas Artes, Vera Gonzales, lamentou a morte do artista plástico. “Sebastião era magnífico. Criou seu estilo próprio, cujo reconhecimento ganhou o mundo. Desejamos aos familiares e amigos nossas condolências nesse momento de dor. Tenho certeza de que, a partir de hoje, o céu está ficando cada vez mais bonito e colorido, com sua presença”.



Gilberto Izdebski, outubro de 2020



A última morte registrada foi de Gilberto Izdebski, desta vez em casa, neste sábado (10), em Cuiabá. Segundo informações da Polícia Judiciária Civil (PJC), a casa do artista era no bairro Duque de Caxias. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) chegou a ir ao local, mas a vítima já havia morrido. Familiares relataram que ele havia ido tomar banho já dizendo que não estava se sentindo bem.



Gilberto era do Paraná. Começou a pintar na década de 80, mas depois foi cursar economia. Veio para Mato Grosso morar com a família em Itaúba, onde passou a dar aulas de educação artística. Voltou a pintar nos anos 2000, e em 2004 chegou a fazer uma exposição individual no bairro Goiabeiras.





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