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Agronegócios
Sábado - 06 de Fevereiro de 2021 às 10:04
Por: Marianna Peres/Diário de Cuiabá

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O ambiente desfavorável trata-se, muito provavelmente, de estresses térmicos, com elevadas temperaturas, associadas com déficit hídrico
O ambiente desfavorável trata-se, muito provavelmente, de estresses térmicos, com elevadas temperaturas, associadas com déficit hídrico

A Embrapa Agrossilvipastoril e a Embrapa Soja acabam de elaborar um comunicado sobre o apodrecimento de vagens de soja, na safra 2020/21.

O problema está sendo relatado em diversas regiões brasileiras, especialmente em Mato Grosso, com mais frequência em Sorriso, Ipiranga do Norte e Tapurah, desde a safra 2019/2020.

O sintoma é caracterizado pelo apodrecimento de grãos e vagens, a partir da formação de grãos (estádio R5.4: entre 51% a 75% da formação de grãos), o que causa redução de produtividade - de até 20% - e perda da qualidade de grãos.

Além disso, o apodrecimento gera níveis de desconto por grãos avariados que chegaram a 30%.

Diante das observações e análises realizadas até o momento, a hipótese da causa do apodrecimento de vagens está ligada a um conjunto de fatores relacionados ao ambiente desfavorável e à sensibilidade de determinadas cultivares.

O ambiente desfavorável trata-se, muito provavelmente, de estresses térmicos, com elevadas temperaturas, associadas com déficit hídrico.

Quanto às cultivares de soja, as observações a campo sugerem existir variabilidade genética para sensibilidade a esse problema.

Em análises realizadas em grãos e vagens com e sem sintomas, foram encontrados gêneros de fungos já descritos na cultura como Phomopsis, Colletotrichum, Cercospora e Fusarium.

Esses fungos são descritos como latentes na cultura da soja, podendo ser obtidos de diversos tecidos em diferentes estádios fenológicos.

A diversidade de fungos obtidos, inclusive em vagens sem apodrecimento, indica que a colonização pelos mesmos é secundária, não podendo ser atribuída a eles a causa do problema.

Muitas áreas com apodrecimento de vagens são expostas a aplicações regulares de fungicidas e apresentam boa sanidade foliar.

Até o momento, não há evidências de que o problema seja decorrente de ataque de uma nova doença.

Em estudos preliminares, constatou-se que os grãos dentro das vagens deterioradas apresentavam elevados índices de enrugamento, resultantes da exposição das plantas a condições de elevadas temperaturas durante a fase de enchimento de grãos.

Esse enrugamento normalmente é mais intenso sob déficit hídrico, mas pode também ocorrer em condições normais de disponibilidade hídrica.

O enrugamento afeta drasticamente a qualidade dos grãos e das sementes e propicia a infecção secundária por Phomopsis spp., o que pode propiciar o apodrecimento das vagens, principalmente em situações de ocorrência de chuvas em pré-colheita.

Sabe-se que a expressão do enrugamento de grãos tem grande influência genética. Supõe-se que as cultivares que estão apresentando esse problema possam ser mais suscetíveis à sua expressão.

“A Embrapa, em parceria com outras instituições e empresas, vem desenvolvendo trabalhos de pesquisa para ampliar as hipóteses e suas interações. Desta forma, irá continuar o isolamento de fitopatógenos, a avaliação da nutrição das plantas na ocorrência da anomalia, bem como a observação das relações entre o teor de lignina nas vagens e grãos e do enrugamento dos grãos com o apodrecimento”, afirmou a empresa, em um comunicado.





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