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Meio Ambiente
Terça - 20 de Julho de 2021 às 21:22

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Trabalho dos brigadistas são essenciais para a combate dos incêndios — Foto: GOV-MS/Reprodução
Trabalho dos brigadistas são essenciais para a combate dos incêndios — Foto: GOV-MS/Reprodução

Mato Grosso teve mais de 740 mil hectares de áreas atingidas por incêndios florestais entre janeiro e 13 de julho deste ano, conforme análise feita pelo Instituto Centro de Vida (ICV) com base em dados do sistema da NASA. A área equivale a quase cinco vezes o município de São Paulo, que tem cerca de 150 mil hectares.

De acordo com o levantamento, do total da área atingida, 76 mil hectares foram atingidos no período proibitivo do uso de fogo, iniciado no dia 1º de julho, e somam o equivalente a 10% de toda a área queimada.

A Amazônia lidera entre os biomas atingidos pelos incêndios, com 479,9 mil hectares queimados, o equivalente a 65% do total. Em seguida está o Cerrado, com 243,9 mil (33%) e o Pantanal, com 16,7 mil hectares (2%).

Segundo o ICV, São Félix do Araguaia, a 1.159 km de Cuiabá, lidera a lista dos municípios, com 40 mil hectares atingidos pelo fogo. A segunda cidade mais devastada pelo fogo é Tangará da Serra, com 34 mil, Paranatinga, com 32 mil, Gaúcha do Norte e União do Sul, com 25 e 21 mil, respectivamente.

Entidades ligadas ao meio ambiente alertam para risco de incêndios no Pantanal — Foto: SOS Pantanal/Divulgação

Entidades ligadas ao meio ambiente alertam para risco de incêndios no Pantanal — Foto: SOS Pantanal/Divulgação


O fogo em imóveis rurais e parques

O levantamento mostra que a maior incidência do fogo foi em áreas com imóveis rurais inscritos no Cadastro Ambiental Rural (CAR), responsável por 66% de toda a área afetada no estado. Em seguida, estão as terras indígenas (TI), com 14%, e os assentamentos rurais, com 10%.

A terra indígena com a maior área afetada foi a Paresi, localizada em Tangará da Serra, região de Cerrado. A área contabilizou 30 mil hectares queimados, o correspondente a 29% do total impactado pelo fogo em terras indígenas no estado.

De acordo com o Instituto, apesar das unidades de conservação (UCs) abrigarem 1% do total atingido pelo fogo em Mato Grosso neste ano, apenas uma área protegida foi responsável por 36% da área atingida em UCs.

O Parque Estadual Cristalino II, também localizado na região amazônica, teve mais de 2 mil hectares de seus mais de 180 mil hectares afetados.

No entanto, o fogo que incidiu em imóveis rurais inscritos no CAR se sobrepõem a esse parque. O uso do fogo, conforme análise de especialistas do ICV, é associado ao manejo de pastagens e para limpeza de áreas recentemente desmatadas para uso agropecuário.

Incêndio no Pantanal de MT — Foto: Sesc Pantanal

Incêndio no Pantanal de MT — Foto: Sesc Pantanal

Incêndios no período proibitivo


O cenário crítico de incêndios em Mato Grosso para o período da seca em 2021 foi alertado pelos especialistas antes da época de seca. Os anos de 2019 e 2020 já foram de chuvas abaixo da média histórica e 2021 tende a ser também bastante crítico.

As chuvas reduzidas, em associação aos fortes ventos, altas temperaturas e baixa umidade relativa do ar “são características que configuram um cenário de alto risco para este ano”.

O Instituto explicou que do dia 1º ao dia 13 de julho, a plataforma da NASA mostra que foram 76 mil hectares incendiados no estado, o equivalente a mais de 100 mil campos de futebol.

A análise faz a espacialização da área atingida pelos incêndios, o que torna possível uma estimativa da área além do número de focos de calor. Diante dos dados de focos de calor alarmantes, o governo estadual adiantou e estendeu o período proibitivo de uso de fogo na área rural para o dia 30 de outubro.

Do fogo que atingiu o estado nos 13 primeiros dias de período proibitivo, quase metade (45%) ocorreu em imóveis rurais inscritos no CAR.

A maior área atingida nesse período foi em um imóvel rural cadastrado, com 1,1 mil hectares consumidos em apenas dois dias. A Amazônia responde por metade da área atingida pelo fogo no período de proibição e é seguida do Cerrado com 49% e do Pantanal, com 1%

Gaúcha do Norte, Tangará e Campinápolis lideram os municípios com áreas incendiadas desde o dia 1°. Juntos, somam 21% do total atingida pelo fogo no período.

A maior parte do incendiado são áreas de savana ou pastagem e 10% são de áreas recentemente desmatadas ou de cobertura florestal.

Para analisar o cenário e planejar ações efetivas contra o fogo, o ICV realiza o mapeamento das brigadas contra incêndios florestais que atuam ou atuarão no estado durante o período proibitivo.


Até o momento, foram identificadas 110 brigadas. O levantamento segue aberto para cadastramento de novas brigadas.

Fotos mostram antes e depois da Rodovia Transpantaneira ser atingida pelos incêndios no Pantanal de MT — Foto: Drone Cuiabá/Divulgação

Fotos mostram antes e depois da Rodovia Transpantaneira ser atingida pelos incêndios no Pantanal de MT — Foto: Drone Cuiabá/Divulgação

Incêndios em 2020

Conforme levantamento feito pelas instituições, em 2020, o Pantanal perdeu para o fogo área semelhante a do estado do Rio de Janeiro – 38.600 km². O fogo consumiu desde campos naturais até florestas, em escala sem precedentes em todo o histórico de monitoramento do bioma.

Foram mais de 22 mil focos de calor, cuja maioria, segundo depoimentos colhidos no Senado, foram provocados intencionalmente sem que houvesse qualquer punição. Uma perda significativa de biodiversidade e de modos de subsistência de comunidades.

Incêndios criminosos sem responsabilização também ocorreram em 2019, quando foram consumidos 18 mil km² só na porção brasileira do Pantanal. Ninguém foi punido, apesar das cobranças às autoridades e das manifestações internacionais.





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