BC reconhece que mercado está dividido em relação à volta da inflação
Depois das críticas feitas ao mercado financeiro em setembro por conta das previsões mais pessimistas em relação à inflação, o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) reconheceu que as previsões dos analistas estão divididas.
A avaliação faz parte da ata da reunião do Copom da semana passada, divulgada nesta quinta-feira, quando o comitê decidiu manter novamente a taxa básica de juros em 10,75% ao ano.
Na última ata, o BC havia criticado as estimativas mais pessimistas de alguns economistas do setor privado para a inflação e dito que elas não tinham "amparo nos fundamentos" econômicos.
Agora, a instituição diz que a crise recente dificulta ainda mais a realização de previsões e reconhece que o mercado está dividido.
"Evidências a esse respeito se manifestam, por exemplo, no caráter bimodal da visão dos analistas consultados pelo Banco Central, visto que uma parte percebe um cenário inflacionário benigno, no qual a taxa Selic permaneceria estável no horizonte relevante; ao mesmo tempo em que outra parcela mostra ceticismo e advoga elevação da taxa básica", diz o Copom.
ALIMENTOS
A alta recente nos preços dos alimentos é apontada pelo BC como o principal risco para a inflação neste e no próximo ano. A instituição afirma, no entanto, que o índice oficial de preços (IPCA) caminha para a meta, em 2011.
"Desde a última reunião, está em andamento a materialização de riscos de curto prazo com os quais o Copom já trabalhava naquela oportunidade. Mesmo assim, o balanço de riscos atual ainda aponta para a concretização de um cenário benigno, no qual a inflação seguiria consistente com a trajetória de metas", diz o Copom.
O BC resume sua visão da economia da seguinte maneira: a demanda doméstica continua robusta, em grande parte, devido ao crescimento da renda e do crédito. Embora a economia ainda sinta o efeito de parte dos estímulos anunciados durante a crise de 2008/2009, isso se contrapõe à alta recente dos juros e à piora na perspectiva para a economia global.
A instituição diz que a acomodação da atividade econômica nos dois últimos trimestres foi mais intensa que a esperada no início do ano, mas que as perspectivas para a economia brasileira continuam favoráveis. Nos mercados internacionais, a instituição destaca que, embora a volatilidade e a aversão ao risco continuem elevadas, "aumentaram as perspectivas de aumento da liquidez global".
Além de contar com uma redução nos gastos do governo em 2011 e 2012, sem artifícios contábeis, para que a inflação fique na meta, o BC cita na ata o aumento nos gastos com funcionalismo.
Segundo a instituição, o cenário hoje é de "certa estabilidade, em nível elevado", do uso da capacidade instalada e de "certa moderação" no dinamismo do mercado de trabalho, exceto na administração pública.
"É plausível afirmar que os fatores de sustentação desses riscos domésticos mostram desaceleração", diz o Copom. "Os efeitos das pressões de demanda e do elevado nível de utilização dos fatores sobre o balanço de riscos para inflação tendem a arrefecer."

Comentários