Desembargador diz que vê escândalo "com tristeza" e pede inquérito ao STJ
Apesar das denúncias de venda de sentenças por membros do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), o desembargador Rui Ramos afirma que o fato não vai prejudicar a realização das eleições em Mato Grosso. Ele assumiu a direção da Justiça Eleitoral após o pedido de férias do presidente Evandro Stábile, investigado pelo Superior Tribunal de Justiça junto com o juiz membro do TRE Eduardo Jacob. Em entrevista ao jornal A Gazeta deste domingo (6), o presidente interino relata as medidas que estão sendo tomadas para apurar as denúncias e comenta a possibilidade de afastamento coletivo dos membros do Pleno. O magistrado avalia ainda o pedido da OAB-MT para afastar Stábile e Jacob.
Rui diz que está tranquilo quanto à imagem da Casa pois, apesar das denúncias, os membros do Tribunal têm consciência de seu trabalho e da razão da magistratura. “Nós acabamos por superar isso. Superação não significa esquecer, fingir que nada está ocorrendo, mas realizar o que tem que ser realizado por força de sua obrigação funcional”, declara. O presidente interino relata que presencia os fatos que recaem sobre o TRE com tristeza e diz que tomará as providências necessárias. “ Vemos tudo isso com muita tristeza, até porque eu amo o que faço, o local de trabalho e adoro Cuiabá e Mato Grosso. Não estou pré-julgando ninguém, mas é complicada a situação que passamos. Não podemos dizer que estamos ao largo disso, mas não tem como dizer que não vamos tomar as medidas necessárias".
Quanto À possibilidade de afastamento de Stábile e até mesmo coletivo, o magistrado é categórigo ao frisar que isso não vai interferir no andamento dos trabalhos. “Vou esperar acontecer porque não acredito que irá interferir”, afirma. Perguntado se acredita que a Justiça Eleitoral esteja sem credibilidade, Rui alega que não tem conhecimento das provas produzidas no inquérito que corre em segredo no STJ. “ As pessoas podem dizer que são indícios graves que têm sido colocados, mas também não posso fazer qualquer julgamento antes de conhecer o processo. É claro que temos que concordar que não são coisas tão simples e que não incomodam, mas dizer se o que tem sido publicado é verdadeiro eu não posso dizer”, pontuou.
Rui relata que solicitou à ministra Nancy Andrighi que ela compartilhe os fatos e provas que foram conhecidos nessa investigação. “Tudo o que consta no inquérito eu pedi que seja compartilhado com a corregedoria sob o mesmo prisma de sigilo para que verifiquemos se existe medida a ser tomada aqui. Mas isso não tem nada contra a pessoa A, B ou C. O que vamos fazer é verificar fatos e analisar a conduta de cada magistrado se assim a ministra entender”, ressalta. Sobre seu trabalho à frente do TRE nos próximos 30 dias, Rui afirma que por se tratar de ano de eleições, sua prioridade será cumprir o calendário eleitoral.

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