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Repórter News - reporternews.com.br
Internacional
Quinta - 28 de Setembro de 2006 às 10:49

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O governo argentino disse na quinta-feira que as ameaças recebidas por juízes e promotores que estão trabalhando em casos de repressão ilegal durante a ditadura militar não impedirão a punição aos culpados.

O ministro do Interior, Aníbal Fernández, confirmou as informações sobre as cartas com ameaças que os juízes receberam, especialmente Carlos Rozanski, presidente do tribunal que condenou este mês o ex-repressor Miguel Etchecolatz à prisão perpétua.

Uma testemunha desse mesmo caso, Jorge Julio López, está desaparecida há dez dias. Em seu depoimento, López identificou Etchecolatz como seu torturador, tendo sido uma testemunha-chave para a condenação.

O governo não descarta nenhuma possibilidade, mas teme que se trate de um sequestro para amedrontar as testemunhas de outras dezenas de julgamentos de crimes cometidos durante a ditadura, em processos que foram abertos nos últimos meses depois da anulação das leis de anistia.

"As próprias ameaças a Rozanski são um elemento que nos mostra que não estamos em território livre para trabalhar tranquilamente. Mas ninguém disse que ia ser fácil", disse Fernández à Rádio 10.

"O presidente (Néstor Kirchner) disse que não há pacto de impunidade para ninguém. Não vamos ser detidos, ninguém vai nos deter", acrescentou.

Durante a ditadura (1976-1983), cerca de 30 mil pessoas desapareceram na Argentina, segundo organizações de defesa dos direitos humanos, entre integrantes de grupos de oposição armada ao regime e jovens sem nenhuma atividade política.

Jorge Eduardo Auat, promotor federal da cidade de Resistencia, na província do Chaco, que está atuando em casos de repressão durante a ditadura, disse que recebeu a carta, segundo a qual, se ele prosseguir com a investigação, será julgado por um tribunal "imparcial".

"A carta é uma espécie de advertência de que essas causas avançam porque respondem a interesses políticos. Dizem que esses grupos estariam nos pressionando e sugerem que nós, que estamos investigando, não nos deixemos pressionar," disse ele à rádio.

Na noite de quarta-feira, milhares de pessoas se reuniram na Plaza de Mayo, em Buenos Aires, para pedir a devolução com vida da testemunha desaparecida.





Fonte: Reuters

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