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Internacional
Quarta - 05 de Julho de 2006 às 12:48

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O Gabinete de Segurança de Israel, convocado em caráter de urgência pelo premiê Ehud Olmert, decidiu nesta quarta-feira expandir as ações do Exército na faixa de Gaza, começando pelo grupo terrorista e partido político Hamas, e anunciou a criação de uma "zona de segurança" no norte da região.

Ontem Israel retomou o controle da parte palestina da passagem de Erez (norte da faixa de Gaza). Foi a terceira área ocupada pelo Exército israelense em Gaza, depois de o sul da faixa de Gaza ser invadido na última terça-feira e, o norte da região, há poucos dias.

Por enquanto, Israel não entrou nas zonas urbanas de Gaza, mas as decisões da reunião desta quarta-feira podem dar aval para esse tipo de ação.

A decisão de Israel ocorreu após um foguete palestino Qassam [de fabricação caseira] ter atingido ontem o estacionamento da escola israelense ORT Ronson, em Ashkelon, sem causar vítimas [os alunos estão em férias]. Ashkelon, com cerca de 120 mil habitantes, fica a 12 km da faixa de Gaza, de onde são lançados os foguetes Qassam.

Segundo Israel, a principal razão da expansão das ações do Exército seria aumentar o campo de busca para tentar resgatar o soldado Gilad Shalit, 19, seqüestrado no último dia 25 por membros de grupos terroristas palestinos, que exigem a libertação de mulheres e adolescentes palestinos detidos em prisões de Israel em troca do soldado. Israel se nega terminantemente a negociar.

O comunicado do gabinete diz ainda que Israel pretende combater o lançamento de foguetes palestinos contra seu território.

Os planos de ação do Exército não foram divulgados, mas o chefe do gabinete Isaac Herzog disse que "haverá expansão e que as conseqüências serão bastante sérias". "Já existe uma extensa operação na região. E isso vai continuar", disse. A expansão das ações israelenses em Gaza deve pôr em perigo as zonas residenciais palestinas.

Apesar do recrudescimento dos ataques, o governo israelense informou que serão tomadas providências para que civis não-ligados a atividades terroristas sejam poupados, e que todas as necessidades humanitárias serão providenciadas imediatamente.

De agora em diante, a força militar israelense deve atacar mais alvos do Hamas [eleito democraticamente para o governo palestino em janeiro último] em Gaza e na Cisjordânia, como sua infra-estrutura, para enfraquecer os movimentos terroristas.

No encontro desta quarta-feira, o Gabinete de Segurança de Israel também decidiu que a ministra das Relações Exteriores Tzipi Livni continuará liderando discussões diplomáticas que visam pressionar a Síria a intervir de alguma maneira a fim de acelerar a libertação do soldado israelense. O chefe máximo do Hamas, Khaled Mashaal, vive na Síria e é acusado por Israel de ser o autor do pano que levou ao seqüestro.

Bunker

O soldado israelense mantido como refém na faixa de Gaza há dez dias se encontra em um bunker [esconderijos subterrâneos], segundo a edição desta quarta-feira do jornal israelense "Yediot Aharonot", que cita fontes árabes. O soldado Shalit estaria acompanhado de sete palestinos com idades entre 20 e 30 anos.

Ainda segundo o jornal, o esconderijo estava preparado previamente para o seqüestro e está repleto de comida, bebidas e remédios. O seqüestro do soldado foi preparado durante três meses.

Há informações ainda que os seqüestradores teriam desligado telefones e estariam isolados de contato assim como o próprio refém.

"Segundo fontes árabes, ninguém informou sobre movimentos suspeitos na área do esconderijo. Ninguém viu veículos ou partidas de locais subterrâneos na escuridão. Ninguém verificou a visita de um médico palestino a Gilad Shalit", informa o jornal, acrescentando que, segundo fontes de inteligência egípcias, Mashaal, que vive na Síria, não informou ao primeiro-ministro e dirigente do Hamas, Ismail Haniyeh, sobre a operação.

Portanto, de acordo com as fontes do jornal israelense, o premiê palestino não tem nem idéia do lugar onde se encontra o soldado.

Explosão

Em Gaza, uma explosão matou nesta quarta-feira dois palestinos e deixou outros quatro feridos no bairro Zeitune, segundo fontes da segurança palestina. Mortos e feridos foram levados ao hospital Shifa da Cidade de Gaza.

Aparentemente acidental, a explosão teria ocorrido quando dois homens manipulavam dinamites. A detonação ocorreu na casa da família Tajduj, muito conhecida na região. Os membros dessa família são filiados a Jihad Islâmico [grupo terrorista palestino]. A casa atingida ficou praticamente destruída.

A explosão chegou a ser atribuída a um ataque aéreo de Israel, mas a informação foi corrigida posteriormente.





Fonte: folha online

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