Setor pecuário de MT reage à Moratória da Carne e pede valorização do Código Florestal Às vésperas da COP 30, setor produtivo de Mato Grosso tenta reforçar imagem sustentável e questiona impacto de pactos ambientais sobre a pecuária
Entre pressões internacionais e críticas ambientais, a pecuária mato-grossense busca reafirmar sua sustentabilidade. Em debate realizado nesta sexta-feira (3), em Cuiabá, lideranças do setor destacaram a necessidade de diferenciar o desmatamento legal do ilegal e questionaram restrições como a Moratória da Carne, que afetam a reputação do agro.
Workshop sobre diálogos produtivos na pecuária realizado em Cuiabá | Foto: Nágera Dourado“A preocupação é que o mundo reconheça o Código Florestal. Precisamos separar o joio do trigo, dar condições para que o desmatamento legal aconteça e erradicar o desmatamento ilegal, que prejudica a imagem do agro”, afirmou o presidente do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Caio Penido.
A Moratória da Carne foi firmada em 2008 entre o Greenpeace e frigoríficos com o objetivo de impedir o desmatamento ligado à pecuária na Amazônia Legal. O pacto restringe a compra de carne de fazendas que tenham áreas desmatadas no bioma, mesmo quando a supressão é considerada legal pelo Código Florestal Brasileiro.
“O papel da Federação é garantir o cumprimento do Código Florestal e assegurar que os produtores rurais sejam respeitados”, destacou o superintendente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato).
Mato Grosso ocupa, há pelo menos oito anos, a liderança nacional em rebanho bovino, com 34 milhões de cabeças de gado. Dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgados em setembro, mostraram queda no preço da carne bovina por três meses consecutivos.
Segundo o vice-governador Otaviano Pivetta, além da redução no valor para o consumidor, o governo estadual também tem atuado para diminuir os custos de produção. “Estamos empreendendo desde 2019 novas estradas, reduzindo tributos, facilitando a vida das empresas e frigoríficos e fazendo o possível para manter a competitividade da nossa produção”, afirmou.
Para garantir que Mato Grosso continue promissor, Estado e iniciativa privada têm firmado parcerias de apoio aos pecuaristas. Uma delas é a colaboração entre a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) e o Imac para regularizar produtores que possuem áreas degradadas irregularmente e ajudá-los a recuperar a vegetação nativa.
“A Sema participa no âmbito de apoiar a regularização dos imóveis, orientar os termos de compromisso ambiental em atuação conjunta com o Ministério Público Federal. O setor privado está engajado e o público orienta as questões técnicas, apoia e motiva”, explicou a secretária de Meio Ambiente, Mauren Lazaretti.
COP 30
Às vésperas da COP 30, que será realizada em novembro de 2025 em Belém (PA), o setor produtivo de Mato Grosso espera representar a sustentabilidade do Estado no evento internacional. “Estamos em ano de COP 30 e temos priorizado estratégias que promovam o desenvolvimento sustentável. Esperamos que todos os setores produtivos se desenvolvam dentro da matriz de crescimento econômico sustentável”, ressaltou Lazaretti.

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