Com mais de 50 feminicídios, só 3 cidades de MT possuem plano de combate a violência Os dados fazem parte do relatório de auditoria do TCE, que analisou a estrutura, gestão e financiamento das ações de combate à violência de gênero nos municípios.
Apenas três municípios de Mato Grosso contam com o Plano de Metas para o Enfrentamento da Violência contra as Mulheres e a maioria também não prevê recursos específicos no orçamento para políticas de proteção.
Os dados fazem parte do relatório de auditoria do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), divulgado nessa quinta-feira (11), e apontam que apenas Cáceres, Campos de Júlio e São Pedro da Cipa afirmaram no questionário que haviam elaborado o Plano de Metas Municipal de enfrentamento da violência doméstica previsto pela Lei Federal nº 14.899/2024.
Apenas 3 cidades de MT tem plano de enfrentamento a violência contra a mulher. – Foto: DivulgaçãoO levantamento considerou a estrutura, gestão e financiamento das ações de combate à violência de gênero em 142 municípios.
Em 2025, 52 mulher foram vítimas de feminicídios em Mato Grosso. O número já supera todo o registrado no ano de 2024, quando 47 mulheres foram mortas por serem mulheres.
Segundo o relatório, mais de 96% dos municípios não têm planejamento formalizado, o que afeta diretamente o acesso a recursos federais e estaduais destinados à proteção das mulheres. Sem o plano, o município também perde capacidade de monitoramento, articulação interna e avaliação de políticas públicas.
A causa apontada pelos municípios sem plano é o desconhecimento da lei que trata da implementação de plano de metas para o enfrentamento integrado da violência doméstica e familiar contra a mulher, além da falta do Organismo de Políticas para Mulheres (OPM) e de Conselho Municipal de Mulheres
efetivo nas cidades para a elaboração do documento.
Além da ausência de planejamento, o relatório revela um vazio orçamentário, a maioria das cidades não reserva recursos específicos para ações vinculadas à Lei Maria da Penha, como acolhimento, prevenção, capacitação e garantia de rede de enfrentamento a violência contra mulher.
Auditoria do TCE-MT revelou gravas falhas no combate a violência contra mulher. – Foto: TCE-MO Tribunal aponta que muitos Planos Plurianuais (PPAs) e Lei Orçamentária Anual (LOAs) municipais são genéricos, não discriminam gastos vinculados às políticas para mulheres e, em alguns casos, apresentam metas vagas, indicadores inadequados e falta de coerência entre objetivos e recursos. O diagnóstico identificou ausência total de recursos específicos em 119 municípios.
Em Cáceres, por exemplo, o Conselho Municipal dos Direitos da Mulher recebeu média anual de apenas R$ 650 entre 2022 e 2025, valor considerado simbolicamente insuficiente diante do alto índice de feminicídios no município.
Ainda conforme o relatório, na maioria dos municípios:
Faltam estruturas municipais básicas
- 83% dos municípios não possuem Organismo de Políticas para Mulheres (OPM)
- Menos da metade tem Conselho Municipal da Mulher
- 70% não possuem rede de enfrentamento formalizada
Ausência de governança dificulta ações contínuas e integradas.
Plano estadual desatualizado
Decreto 1.252/2017 não segue as exigências da legislação federal, que prevê revisões a cada dois anos.
A desatualização dificulta o acesso a recursos federais.
Orçamento e priorização
- Ações genéricas e desconectadas
- Metas pouco claras
- Indicadores inadequados
- Recursos incompatíveis com as ações
Segundo o TCE-MT, falta priorização política e há desconhecimento da Lei 14.899/2024.
Consequências práticas
- Perda de acesso a financiamentos
- Políticas fragmentadas
- Redução da capacidade de acolhimento
- Dificuldade para expandir Delegacias da Mulher e SAEs
Apesar das fragilidades, o TCE afirma que o momento é favorável para a implementação dos planos municipais, já que as novas gestões estruturam o PPA 2026–2029, onde as políticas de enfrentamento à violência podem ser incluídas desde a origem.
Rastro de violência
Dados do Observatório Caliandra, do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), mostram que em 2025, um total de 52 mulheres foram vítimas de feminicídios. O número já supera todo o registrado no ano de 2024, quando 47 mulheres foram mortas por serem mulheres.

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