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Policia MT
Terça - 16 de Dezembro de 2025 às 10:48
Por: Kamila Arruda/Primeira Página

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Mais de R$ 50 milhões em contratos sob suspeita, superfaturamento de até 372% e ao menos R$ 4,2 milhões de prejuízo direto aos cofres públicos estão no centro da Operação Cenário Montado GYN, deflagrada pela Polícia Civil de Mato Grosso contra um grupo suspeito de fraudar licitações em municípios da região do Araguaia. A ofensiva resultou no cumprimento de sete mandados de prisão preventiva, além de buscas, apreensões e quebras de sigilo bancário e telefônico.

As investigações apontam que apenas três pregões realizados em Pontal do Araguaia, sendo dois presenciais (01/2022 e 05/2023) e um eletrônico (39/2023), somaram R$ 25,8 milhões, com possibilidade legal de expansão para até R$ 51,7 milhões por meio de adesões conhecidas como “caronas”.

Design sem nome 2025 12 16T103426.060Esquema de eventos superfaturados pode ter drenado milhões de prefeituras em MT. – Foto: PJCMT.

Segundo a Polícia Civil, esses certames teriam sido direcionados, com simulação de concorrência e ausência de competitividade real.

Análises técnicas identificaram superfaturamento de até 372% em itens como palcos, estruturas para eventos, sistemas de iluminação, geradores e telões de LED. Após as primeiras fases da operação, uma pesquisa comparativa revelou queda imediata e significativa dos preços, reforçando a suspeita de que os valores anteriores estavam artificialmente inflados por meio de orçamentos simulados e manipulação de pesquisas de preços.

Com o avanço das diligências, o mesmo padrão teria sido replicado em outros municípios, especialmente Barra do Garças, a partir da adesão às atas originadas em Pontal do Araguaia. Um dos contratos sob investigação é o Pregão Eletrônico nº 19/2025, homologado em R$ 4,2 milhões, que passou a integrar o núcleo central da operação diante de indícios de subcontratação integral irregular, execução contratual simulada e continuidade das atividades por empresas ligadas a grupos já sancionados judicialmente.

A operação é conduzida pela 1ª Delegacia de Polícia de Barra do Garças, sob presidência do delegado Adriano Marcos Alencar, com atuação dos delegados Pablo Borges Rigo e Raphael Diniz Garcia nas representações judiciais, e coordenação regional do delegado Wilyney Santana Borges. Segundo a Polícia Civil, o inquérito teve origem em denúncia anônima encaminhada ao GAECO e, após dois anos de levantamentos preliminares, foi aprofundado em 2025, culminando nas fases I, II e, agora, na Cenário Montado GYN, considerada a etapa mais robusta do ponto de vista técnico e probatório.

Leia também – 7 investigados, 2 empresas e um esquema milionário: quem são os alvos da Cenário Montado GYN

Diante do conjunto de indícios, o Judiciário autorizou prisões preventivas, buscas, quebras de sigilo e a suspensão das atividades de duas empresas apontadas como instrumentos do esquema. O prejuízo direto inicialmente identificado nesta fase é de R$ 4,2 milhões, valor passível de bloqueio e sequestro. Em etapas anteriores, a Justiça já determinou o sequestro de bens superiores a R$ 21 milhões.


As apurações seguem em andamento, com análise aprofundada de contratos, documentos, movimentações financeiras e dados telemáticos. A Polícia Civil afirma que novas fases e ampliações não estão descartadas.

Nas etapas anteriores, a operação já havia cumprido 58 ordens judiciais, apreendido veículos, imóveis e bloqueado valores, indicando que o grupo atuava há pelo menos três anos e movimentou milhões de reais por meio de fraudes em licitações públicas.





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