Mulheres ocupam apenas 15% das vagas com carteira assinada abertas em MT, diz Caged Dados do Novo Caged mostram que 84,9% das 18,7 mil vagas abertas em janeiro no estado foram ocupadas por homens; agropecuária concentra maior desigualdade.
Dados do Novo Caged, divulgados nessa terça-feira (3), mostram que 84,9% dos 18.731 postos de trabalho gerados em janeiro deste ano foram preenchidos por homens, enquanto apenas 15,1% ficaram com as mulheres em Mato Grosso. A diferença também aparece na proporção entre as admissões: para cada vaga ocupada por uma mulher no estado, os homens preencheram cerca de 5,6 postos de trabalho no mesmo período.
Na prática, isso significa que 15.905 homens foram contratados no período, contra 2.826 mulheres. A desigualdade se torna ainda mais evidente quando os dados são analisados por setor da economia.
No setor de serviço há um maior equilíbrio entre homens e mulheres. – Foto: Agência BrasilA agropecuária, responsável pela maior geração de empregos no estado, também concentra a maior disparidade de gênero. O setor abriu 10.074 vagas em janeiro, das quais 9.902 foram ocupadas por homens e apenas 172 por mulheres, o equivalente a 98,3% das contratações masculinas.
Antes de comentar os números, a professora e pesquisadora da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Bruna Irineu, explica que o perfil das atividades do campo ajuda a entender parte dessa diferença, especialmente quando se considera o acesso desigual à formação profissional.
“Quando a gente olha para esses mais de 10 mil empregos gerados pela agropecuária, isso tem muito a ver com o perfil do setor, que envolve manejo de maquinário e um processo de trabalho que muitas vezes é pouco oportunizado às mulheres em termos de formação e capacitação. Então, o fato de o estado contratar mais nesses espaços de trabalho acaba levando também à contratação de muito mais homens do que mulheres”, afirma.
Segundo a pesquisadora, essa dinâmica está relacionada ao que especialistas chamam de divisão sexual do trabalho, fenômeno que historicamente distribui determinadas funções produtivas entre homens e mulheres.
“Isso tem sim conexão com o que a gente chama de divisão sexual do trabalho. Existe uma estrutura histórica que acaba direcionando os homens para determinadas atividades produtivas e as mulheres para outras funções, muitas vezes menos valorizadas ou menos visíveis dentro do mercado de trabalho”, explica a professora.
Além da agropecuária, a construção civil também aparece entre os setores com maior diferença de gênero no mercado formal em Mato Grosso. Em janeiro, o segmento registrou 1.637 novas vagas, sendo 1.580 ocupadas por homens e apenas 57 por mulheres, o que representa 96,5% das contratações masculinas.
Agropecuária
Saldo de Vagas por Gênero (Janeiro de 2026)
🖱️ Clique no setor e veja os números🚜Agropecuária🏭Indústria🏗️Construção🛍️Comércio💼Serviços
👨9.90298.3%Homens
👩1721.7%Mulheres
Fonte: Ministério do Trabalho e Emprego
A indústria, por sua vez, apresentou um cenário um pouco mais equilibrado, ainda que com predominância masculina. O setor registrou 1.102 vagas, com 784 ocupadas por homens e 318 por mulheres.
O setor de serviços foi o que apresentou a distribuição mais próxima entre os gêneros. Das 5.074 vagas criadas no período, 2.751 foram ocupadas por homens e 2.323 por mulheres, sendo o segmento com maior equilíbrio na participação feminina entre os principais setores da economia estadual.
Para Bruna, mesmo quando se considera apenas o mercado formal, ainda existem barreiras culturais e estruturais que influenciam as contratações.
“Pode parecer algo ultrapassado, mas ainda existe preconceito em relação à contratação de mulheres, muitas vezes ligado à possibilidade de gravidez ou à ideia de que elas teriam menor disponibilidade para determinadas atividades”, observa a pesquisadora.
Segundo a pesquisadora, houve um aumento no número de mulheres liderando pequenas propriedades rurais. – Foto: Arquivo / MDACenário nacional
O recorte de gênero observado em Mato Grosso acompanha uma tendência também registrada no cenário nacional. Em janeiro, o Brasil gerou 112.334 empregos formais, segundo o Novo Caged. Desse total, 94,53 mil vagas foram ocupadas por homens, enquanto 17,79 mil ficaram com mulheres.
No comparativo entre o cenário nacional e regional, o recorte de gênero observado em Mato Grosso é ligeiramente mais desigual que o cenário nacional. Enquanto no estado 84,9% das vagas foram ocupadas por homens, no Brasil a participação masculina ficou em cerca de 84,2% das contratações formais em janeiro.
No mesmo período, o Centro-Oeste apareceu como a segunda região com maior geração de empregos do país, atrás apenas da região Sul. Mato Grosso também ficou entre os estados com maior saldo positivo de vagas no primeiro mês do ano, ao lado de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná.

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