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Economia
Quinta - 27 de Agosto de 2026 às 08:24
Por: Eduardo Gomes/Diário de Cuiabá

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Rendimento médio dos trabalhadores mato-grossenses cresce 10,1% em um ano e fica R$ 399 acima do registrado no país;
Rendimento médio dos trabalhadores mato-grossenses cresce 10,1% em um ano e fica R$ 399 acima do registrado no país;

O trabalhador de Mato Grosso recebeu, em média, R$ 4.137 por mês no segundo trimestre de 2026, valor R$ 399 superior à média brasileira e 10,1% maior que o registrado no mesmo período do ano passado. Os números mostram que o Estado não apenas ampliou a participação da população no mercado de trabalho, como também registrou ganho real de rendimento.

Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No país, o rendimento médio mensal real habitual de todos os trabalhos ficou em R$ 3.738 entre abril e junho.

INFO renda trabalho

Com isso, a renda média em Mato Grosso ficou 10,7% acima da nacional.

A evolução estadual também chama atenção. No segundo trimestre de 2025, o trabalhador mato-grossense recebia, em média, R$ 3.759. No primeiro trimestre deste ano, o valor havia avançado para R$ 4.021 e chegou aos atuais R$ 4.137 entre abril e junho.

Em três meses, portanto, houve acréscimo real de R$ 116, ou 2,9%. Em um ano, o ganho foi de R$ 378, equivalente a 10,1%.

Os valores são reais, ou seja, já consideram os efeitos da inflação. O indicador representa o rendimento habitualmente recebido pelas pessoas ocupadas em todos os seus trabalhos.

A melhora ocorre em um momento de forte absorção de mão de obra pela economia estadual. Mato Grosso encerrou o segundo trimestre com 2,08 milhões de pessoas ocupadas e apenas cerca de 46 mil desempregadas.

A taxa de desocupação ficou em 2,2%, a segunda menor entre as unidades da Federação, atrás apenas de Santa Catarina, com 2,1%.

Mais significativo é o nível de ocupação: 67,3% da população mato-grossense em idade de trabalhar estava ocupada, maior proporção registrada no país. Santa Catarina aparecia em seguida, com 66,6%, e Paraná, com 63,8%.

R$ 399 ACIMA DA MÉDIA - O novo levantamento permite colocar a renda mato-grossense em perspectiva nacional.

Enquanto o trabalhador de Mato Grosso recebeu R$ 4.137 mensais, a média brasileira ficou em R$ 3.738. Isso representa uma diferença de R$ 399 por mês ou de R$ 4.788 quando projetada para 12 meses.

Apesar do resultado, Mato Grosso permanece distante dos maiores rendimentos do país.

Segundo levantamento da Folhapress com base nos dados da Pnad Contínua, o Distrito Federal lidera entre as unidades da Federação, com R$ 6.171 mensais, seguido por São Paulo, onde o rendimento médio chegou a R$ 4.447.

Na outra ponta, o Maranhão apresentou o menor valor, de R$ 2.284. Piauí (R$ 2.547), Bahia (R$ 2.563), Alagoas (R$ 2.578) e Pará (R$ 2.593) também ficaram abaixo de R$ 2,6 mil.

A distância entre os extremos chega a R$ 3.887 por mês: o rendimento médio do Distrito Federal equivale a 2,7 vezes o registrado no Maranhão.

Mato Grosso se posiciona acima da média brasileira e também supera Mato Grosso do Sul. No Estado vizinho, o rendimento médio do trabalho principal foi de R$ 3.731 no segundo trimestre.

EMPREGO E RENDA AVANÇAM JUNTOS - No caso mato-grossense, o dado de renda ganha relevância porque ocorre simultaneamente à expansão da ocupação.

Entre o primeiro e o segundo trimestre, o número de desempregados no Estado caiu 27,2%. Na comparação com o segundo trimestre de 2025, a redução foi de 20,7%.

Ao mesmo tempo, Mato Grosso apresentou a menor proporção de pessoas fora da força de trabalho entre as 27 unidades da Federação. Eram 962 mil pessoas nessa condição, equivalentes a 31,2% da população em idade de trabalhar.

O indicador ficou abaixo de Santa Catarina, com 31,94%, e do Distrito Federal, com 32,79%.

Isso significa que Mato Grosso reúne atualmente duas características: uma parcela elevada da população está inserida no mercado e o rendimento médio de quem trabalha cresceu acima da inflação.

A combinação é diferente de situações em que a renda média aumenta simplesmente porque trabalhadores com salários menores deixam o mercado. A Pnad mostra que, em Mato Grosso, o crescimento do rendimento ocorreu em paralelo à expansão da ocupação.

CAPITAL MOSTRA OUTRA DIMENSÃO DA RENDA

A desigualdade territorial também aparece quando a análise nacional é feita apenas entre as capitais.

Dados da Pnad compilados pela Folhapress mostram que Florianópolis registrou o maior rendimento médio entre as capitais no segundo trimestre, com R$ 6.962 mensais.

Porto Alegre aparece na sequência, com R$ 6.660, e Curitiba, com R$ 6.347. As três primeiras posições, portanto, ficaram com capitais da região Sul.

No extremo oposto, Maceió registrou R$ 3.276, seguida por Manaus, com R$ 3.281, e São Luís, com R$ 3.291.

A diferença entre Florianópolis e Maceió alcançou R$ 3.686 por mês.

Os números reforçam que o avanço geral do mercado de trabalho brasileiro não eliminou as diferenças regionais de remuneração. Estrutura produtiva, formalização, escolaridade, presença do setor público e participação de atividades de maior produtividade ajudam a explicar as distâncias.

MT CRESCEU MAIS QUE O PAÍS - O desempenho recente de Mato Grosso também supera a evolução nacional.

No Estado, o rendimento médio aumentou 10,1% em termos reais em 12 meses, passando de R$ 3.759 para R$ 4.137.

No Brasil, embora a renda permaneça próxima dos maiores níveis da série histórica iniciada em 2012, o rendimento de R$ 3.738 registrado no segundo trimestre ficou 1,5% abaixo do recorde de R$ 3.795 observado nos três primeiros meses deste ano.

O resultado mato-grossense mostra, assim, um mercado de trabalho que entrou no segundo semestre de 2026 com três indicadores favoráveis ao mesmo tempo: 67,3% da população em idade de trabalhar ocupada, desemprego de apenas 2,2% e renda média acima de R$ 4,1 mil.

O desafio é saber quanto dessa melhora chega efetivamente ao poder de compra das famílias. A elevação dos rendimentos ocorre num cenário em que despesas básicas, especialmente alimentação, continuam pressionando o orçamento doméstico.

Em Cuiabá, essa relação ganha peso adicional diante da elevação recente do custo da cesta básica. Assim, o avanço da renda nominal e real registrado pelo mercado de trabalho não significa necessariamente aumento equivalente da renda disponível das famílias depois das despesas essenciais.





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