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Domingo - 11 de Março de 2012 às 13:08
Por: Artur Voltolini

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No Rio de Janeiro não se anda de bicicleta, se passeia. Mesmo pra quem usa a bicicleta como meio de transporte, o ritmo é outro. A prefeitura da cidade a chama de "capital das bicicletas" e anuncia orgulhosa 235 Km de ciclovias.

Mesmo que muitas dessas "ciclovias" sejam faixas compartilhadas com skatistas ziguezaguendo, crianças brincando e casais paquerando. Isso quando a "ciclovia" não é apenas uma faixa vermelha pintada numa calçada estreita e com postes no meio.

Joel Silva/Folhapress
Ciclista transita em meio ao trânsito da avenida Paulista, na região central de São Paulo
Ciclista pedala em meio ao trânsito na avenida Paulista, em São Paulo; cidade tem apenas 45 km de ciclofaixas

Mas para que a pressa? A beleza da cidade e de seus moradores, a brisa fresca-- e limpa --que sopra do mar. Tudo é um convite à passear. E assim como as "ciclovias" são uma abstração, as regras de trânsito também. Cada um dirige como quer, e os motoristas de ônibus e os de carro performam lindos duetos trocando rapidamente de faixas ou dando freadas bruscas alternadas.

E nessa liberdade caótica do trânsito vivem os ciclistas cariocas. Capacetes são raros (quem quer esconder as belas madeixas?), muitos acreditam que andar na contramão é mais seguro. E ninguém reclama das bicicletas na calçada, o lugar preferido delas. Mesmo com o risco constante de atropelamentos.

Já São Paulo parece não ter sido feita para bicicletas: apenas 45 Km de ciclofaixas, ladeiras íngremes, avenidas e marginais assustadoras, ar poluído e uma pressa sem fim. E foi aí onde floresceu a forte cultura ciclística paulistana. Quase todos de capacete e lanternas piscantes. Muitos metidos em camisetas de tecido especial para o esporte e, apesar do enorme número de anúncios, compradas a preços exorbitantes em lojas especializadas.

Mas esse ciclista paulistano no meio dos carros, mesmo seguindo estritamente as poucas linhas destinadas à circulação de bicicletas no código brasileiro de trânsito, pode representar algo imoral, irresponsável. E que merece ser punido. Aí se xinga, gesticula, e às vezes se mata.

Já no Rio de Janeiro ninguém reclama de nada. Ou todos reclamam de tudo, mas ninguém dá atenção. E no meio dessa bagunça, me parece haver muito mais usuários de bicicletas nas ruas cariocas do que nas paulistanas. Mas quem ousar sair da "ciclovia" que se cuide.

De qualquer forma, segundo dados oficiais (nunca 100% confiáveis), de três a quatro ciclistas morrem por mês, tanto apressados e organizados em São Paulo quanto os que passeiam calmamente no Rio.






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