Repórter News - reporternews.com.br
Internacional
Quinta - 16 de Dezembro de 2010 às 19:20

    Imprimir


O criador do WikiLeaks, o australiano Julian Assange, foi posto em liberdade condicional em Londres (Reino Unido) pouco antes das 18h (16h em Brasília) desta quinta-feira, após pagar a fiança de 200 mil libras (cerca de R$ 530 mil).

Ele passou nove dias sob custódia na prisão de Wandsworth, acusado sob suspeita de crimes sexuais na Suécia. Ele nega todas as acusações e alega que o caso é apenas uma estratégia para desmerecer as revelações feitas por seu site.

Assange disse que seus advogados ouviram rumores de que ele foi indiciado nos EUA. "Não tenho muitos temores sobre ser extraditado para a Suécia. Há preocupações muito maiores sobre ser extraditados aos EUA", disse Assange a jornalistas em Londres, logo após ser solto.

O jornal americano "New York Times" informou que promotores federais buscam provas de que Assange conspirou com um ex-analista de inteligência do Exército americano, suspeito de ter distribuído os documentos confidenciais. Eles tentam levantar acusações contra Assange nos EUA.

"Há um rumor hoje de meus advogados nos EUA, não confirmados ainda, de que houve um indiciamento contra mim nos EUA", disse ele.

O Wikileaks é um site conhecido por divulgar documentos sigilosos. Embora no ar há alguns anos, ele ganhou destaque internacional neste ano, ao levar a público 77 mil documentos da inteligência americana sobre o Iraque e, nas últimas semanas, mais de 250 mil telegramas secretos do Departamento de Estado dos EUA com os bastidores da diplomacia americana.

A divulgação desses documentos diplomáticos enfureceram os EUA e criaram uma saia-justa para a diplomacia internacional.

LIBERDADE

"É ótimo sentir o cheiro de ar fresco de Londres de novo", disse Assange, em suas primeiras palavras públicas após a libertação.

A libertação de Assange foi decretada mais cedo nesta quinta-feira, quando a Alta Corte do Reino Unido rejeitou a apelação apresentada pela Promotoria da Coroa do Reino Unido e confirmou a liberdade condicional decretada dois dias antes.

Em breve comunicado à imprensa, do lado de fora da corte, Assange agradeceu a todos "que tiveram fé em mim e que foram meus apoiadores enquanto eu" estava preso.

O fundador do WikiLeaks também agradeceu seus advogados "por uma luta corajosa e, no fim, bem sucedida" e as pessoas que pagaram por sua fiança de 200 mil libras, em dinheiro, mais duas garantias de 20 mil libras (cerca de R$ 53 mil) relativas a sua segurança.

Agradeceu ainda aos membros da imprensa que "não aceitam a versão oficial e consideraram olhar mais fundo em seu trabalho".

Assange, que foi preso como parte de um processo de estupro e assédio sexual na Justiça sueca, fez ainda um agradecimento à Justiça britânica. "Se a justiça não é sempre o resultado, ela ainda não está morta", disse o australiano, que alega inocência e diz que as acusações são parte de um plano para desacreditar as revelações do site.

"Espero continuar a proteger minha inocência neste tema e rever, já que não vimos antes, as evidências dos casos contra mim", disse Assange, repetindo o argumento de seu advogado.

No pronunciamento à imprensa, Assange afirmou que refletiu sobre "a situação de pessoas em prisões ao redor do mundo em condições mais difíceis que as enfrentadas por mim". "Estas pessoas também precisam de sua atenção e seu apoio", disse.

Ele reiterou que vai continuar com seu trabalho de divulgação de documentos secretos.

CONDICIONAL

Uma de uma série de condições da liberdade condicional impostas pela justiça britânica é que Assange more em Ellingham Hall, uma propriedade de quase 300 hectares em Suffolk, leste da Inglaterra, que pertence ao simpatizante abastado Vaughan Smith.

Ele também precisa usar um dispositivo eletrônico, submeter-se a um toque de recolher e se apresentar regularmente à polícia.

A emissora britânica BBC disse que as condições da liberdade provisória incluem a obrigação de Assange se apresentar a uma delegacia de polícia todos os dias às 18h, além de um toque de recolher. Assange estaria livre para sair somente entre as 14h e as 22h.

De acordo com o jornal britânico "The Guardian", as condições impostas pelo juiz também incluem o confisco de seu passaporte e o uso constante de um identificador eletrônico. O diário adiantou ainda --sem confirmação oficial-- que a próxima audiência de Julian Assange será no dia 11 de janeiro de 2011.

IMPASSE

Na terça-feira (14), uma corte de primeira instância, o tribunal de Westminster, em Londres, decidiu que Assange poderia ser libertado mediante o pagamento de fiança.

Menos de duas horas depois, o juiz Howard Riddle afirmou que o australiano ficaria ao menos mais dois dias sob custódia, prazo permitido à Promotoria da Suécia para lançar um apelo da decisão.

Ao contrário do que se acreditava, a decisão de apresentar um recurso foi tomada pela própria Promotoria da Coroa britânica e não pela Justiça da Suécia, que acusa Assange por assédio sexual e estupro e pede a extradição do australiano.

Segundo o "Guardian", acreditava-se até agora que a Procuradoria britânica havia se oposto a essa decisão unicamente em representação da sueca, mas um porta-voz da promotoria do país escandinavo informou ao diário que a decisão de recorrer contra a libertação de Assange fora tomada pelas autoridades britânicas.

Com agências de notícias






Comentários

Deixe seu Comentário

URL Fonte: https://reporternews.com.br/noticia/107586/visualizar/