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Nacional
Quarta - 21 de Abril de 2010 às 12:01

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Uma brochura fininha de 1957, o "1º Recenseamento de Brasília", registra o perfil dos primeiros habitantes do lugar. Em 20 de julho daquele ano havia 6.283 moradores: 3.152 vinham de Goiás, 1.154 de Minas (ou 18%), 493 de São Paulo (7%), e 296 da Bahia (4,7%).

Feito pelo IBGE, o levantamento revelou que primeira leva de operários era majoritariamente desqualificada (1.766 trabalhadores não especializados, contra 476 marceneiros e carpinteiros, 272 funcionários administrativos, 228 comerciantes e só 131 pedreiros).

Mais tarde chegariam outros milhares de candangos (foram cerca de 60 mil ao longo da construção), sobretudo nordestinos, goianos e mineiros. No primeiro censo nacional que incluiu Brasília (1970), os nascidos na capital eram 22,2% da população, índice que pularia para 31,9% em 1980, 41,5% em 1991 e 46,8% em 2000.

No último grande levantamento, a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílio) de 2008, os nativos já eram 48,9%. Hoje, aos 50 anos, pelo menos metade da população de Brasília é brasiliense.

A capital é a unidade da Federação mais cheia de forasteiros. Os nascidos em Minas, Estado de JK, sempre formaram a maior comunidade, seguidos pelos goianos, ambos pilares da cultura interiorana que é uma das marcas do lugar, junto com a nordestina. A influência cultural do Rio, cujos habitantes integravam a primeira leva de funcionários transferidos da antiga capital, não se traduz no número de moradores fluminenses: em 1970, juntando nascidos no Rio e na Guanabara, eles eram 6,6% do total, número que só caiu desde então.

Compunha este percentual Daisy Collet de Araújo Lima, 80, que se instalou em Brasília com a família logo após a inauguração, em 1960. Ela e o marido, Roberto, 84, passaram no concurso que enviou à 60 professores à capital: "Éramos apaixonados, queríamos fazer algo novo. Coisas da cabeça de jovens", diz. Hoje o casal não troca Brasília pelo Rio nem por dinheiro: "Olho pela varanda e digo: não encontrei isso pronto. Eu participei", afirma Roberto.

A demógrafa Ana Maria Nogales Vasconcelos, da UnB, observa que o perfil dos migrantes mudou desde 2000. Os que chegam são agora na maioria nordestinos, para trabalhar em serviços, como domésticos e na construção civil. Os dados mais recentes indicam que o fluxo migratório passou a ser negativo (sai mais gente do que chega), mas se mantém a projeção de crescimento populacional: "Quem vai poder esclarecer o que está ocorrendo será o Censo de 2010"".





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