Inadimplência sobe pelo 7º mês e atinge maior nível desde 2000
A inadimplência das empresas e dos consumidores brasileiros subiu pelo sétimo mês consecutivo e chegou a 5,7% das operações de crédito em junho, de acordo com dados divulgados hoje pelo Banco Central. Esse é o maior índice da atual série do BC, iniciada em junho de 2000.
São considerados inadimplentes os atrasos superiores a 90 dias. Isso significa que o indicador ainda reflete o problema de falta de crédito e aumento dos juros no final do primeiro trimestre deste ano.
No caso das pessoas físicas, a inadimplência se manteve estável em junho, no patamar recorde de 8,6%. Já entre as empresas, a taxa passou para 3,4%, o dobro do registrado antes do agravamento da crise econômica no Brasil.
A expectativa do BC é que a taxa recue no segundo semestre devido à queda dos juros e ao aumento do volume de recursos disponíveis para empréstimos.
Os dados divulgados hoje também mostram que a taxa da juros recuou pelo sétimo mês consecutivo. A taxa para pessoa física caiu de 47,3% em maio para 45.6% em junho. Esse é o melhor resultado desde dezembro de 2007 (43,9%).
A taxa para empresas também recuou --de 28,5% para 27,5% ao ano-- e chegou ao melhor resultado desde julho de 2008.
A taxa geral --média que incluiu pessoas físicas e jurídicas-- caiu para 36,7%, melhor resultado desde dezembro de 2007.
Ganhos dos bancos
O principal fator que ajudou a derrubar os juros em junho foi a queda do spread bancário.
O spread geral caiu de 28,1 pontos percentuais em maio para 27,2 pontos percentuais em junho. É o menor patamar desde setembro do ano passado (26,4 pp).
Volume
Outro fator que vem ajudando a reduzir os juros, é o aumento do volume de recursos disponíveis para crédito. Em junho foram R$ 1,278 trilhão, um aumento de 1,3% em relação a maio (R$ 1,261 trilhão) e de 19,7% nos últimos 12 meses.
Com isso, o total de crédito no sistema financeiro subiu para 43,7% do PIB (Produto Interno Bruto), novo recorde registrado pelo BC.
Pessoa física
Houve queda nos juros nas principais modalidades para pessoa física. No cheque especial, a taxa recuou 0,8 pp para 167% ao ano. No crédito pessoal, caiu de 46,6% para 45,6% ao ano e, no financiamento de veículos, o recuo foi de 2,3 pp, para 26,9% ao ano.
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