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Agronegócios
Quinta - 09 de Abril de 2009 às 16:13

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O mercado de milho pode voltar a reagir a partir do segundo semestre deste ano. Embora a crise mundial persista, a tendência é de um aumento das exportações brasileiras, favorecidas pela quebra de safra registrada na Argentina. Desta forma - o Brasil que já é o terceiro maior exportador mundial do grão - pode atingir a segunda colocação neste ano, perdendo apenas para os Estados Unidos. Projeções indicam que a partir de agosto a cotação pode atingir até os R$ 24 a saca. Atualmente a cotação está na casa dos R$ 15 a saca no Paraná.

O mercado de milho, a safra atual e perspectivas para 2009 e 2010 foram os assuntos discutidos ontem durante o fórum promovido pelo Canal Rural. A safra de milho deve ficar em 28,7 milhões de toneladas. Já a safrinha deverá atingir 17,2 milhões de toneladas, fechando a estimativa total em 51 milhões de toneladas, cerca de 4 milhões de toneladas a menos do que o colhido na safra anterior. Em tom alarmista, Odacir Klein, presidente da Associação de Produtores de Milho do Brasil (Abramilho), disse que o Brasil pode não ter milho suficiente no próximo ano para atender os mercados interno e externo caso não haja uma recuperação de preços.

""Os compradores de milho estão descapitalizados devido à crise de crédito. Há uma ausência de políticas públicas, mas há necessidade de capitalização dos compradores"", comentou Klein. A previsão é que a demanda mundial por proteínas animais - principais consumidores do milho produzido no mundo - não seja muito afetada, devido ao crescimento populacional. Além disso, os Estados Unidos não paralisaram seus programas de etanol, o que mantém a demanda pelo grão.

A tendência, inclusive, é que os americanos aumentem a produção de álcool a partir do milho para 9 bilhões de galões neste ano, podendo chegar a 13 bilhões de galões de 2012. Apesar deste fator, a área plantada nesta safra caiu de 86 milhões de acres para 85 milhões de acres. ""Os Estados Unidos ainda tem 8 milhões de acres de sobra para plantio. Isso em função dos baixos preços de culturas como algodão e sorgo, que ainda podem ir para a soja"", explicou Paulo Molinari, analista da Safras & Mercados, empresa privada de análises do agronegócio.

Por enquanto, a área de plantio da oleaginosa deverá ser de 76 milhões de acres (ante 81 milhões de acres na safra anterior), mas esse número ainda poderá aumentar até a definição das estimativas de plantio, que deverá ocorrer somente em meados de junho. A produção estimada de milho nos Estados Unidos (principal país exportador) nesta safra é de 311 milhões de toneladas, o que deverá reduzir o estoque de 44 milhões de toneladas para 37 milhões de toneladas.

Já a Argentina (segundo maior exportador de milho) vai colher apenas 13 milhões de toneladas nesta safra, ante uma produção de 21 milhões de toneladas, registradas em 2008. Neste caso, a Argentina vai deixar de exportar cerca de 6,5 milhões de toneladas. "Por enquanto, a Argentina está exportando, mas não vai ter mais milho a partir de agosto. E o Brasil tem condições de suprir essa demanda", comentou Molinari. Os brasileiros registram bons estoques de passagem, boa produção e leve redução do consumo interno, devido à queda de alojamentos das criações animais.





Fonte: Folha de Londrina

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