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Economia
Terça - 10 de Março de 2009 às 13:07
Por: Juliana Ennes

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O consumo das famílias, um dos fatores determinantes para o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) nos trimestres recentes, recuou 2% no quarto trimestre, mas ainda responde por cerca de 60% da economia do país. Por outro lado, o consumo do governo foi o único setor da demanda que registrou aumento no último trimestre de 2008, de acordo com dados divulgados nesta sexta-feira pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O PIB é formado pela indústria, agropecuária e serviços, mas também pode ser analisado a partir do consumo, ou seja, pelo ponto de vista de quem se apropriou do que foi produzido (demanda). Neste caso, é dividido pelo consumo das famílias, pelo consumo do governo, pelos investimentos feitos pelo governo e empresas privadas e pelas exportações.

Nesse sentido, o consumo das famílias, considerado um dos componentes mais importantes para os crescimentos anteriores do PIB, apresentou queda de 2% nos últimos três meses do ano passado (em valores reais, ficou em R$ 447,821 bilhões), após alta de 2,1% no terceiro trimestre. No ano, porém, acumulou alta de 5,4% ante 2007 (ou R$ 1,753 trilhão).

O indicador voltou a cair depois de altas consecutivas desde o terceiro trimestre de 2003. O peso do consumo familiar é o maior entre os componentes da demanda no PIB, chegando a 60% do total de R$ 747,152 bilhões do quarto trimestre.

"O consumo das famílias vem apresentando crescimento já há alguns trimestres, alguns anos. E nos últimos trimestres, era um dos fatores determinantes do crescimento [da economia]. Durante bom tempo [o consumo] tinha relação com o resto do mundo sustentando o PIB", disse o coordenador de Contas nacionais do IBGE, Roberto Olinto, que ressaltou a importância da demanda mundial associada ao consumo interno para a economia brasileira.

Segundo Olinto, o que afeta o consumo das famílias é em parte da renda do trabalhador, além de uma posição mais cautelosa em relação ao consumo --com a instabilidade econômica, o temor de recessão e perda de emprego, as pessoas consomem e se endividam menos.

Governo

Já o avanço dos gastos públicos foi de 0,5% nos últimos três meses do ano passado, em relação ao terceiro trimestre, atingindo R$ 178,372 bilhões, o que representou 23,87% do PIB no período. "Praticamente todos os setores tiveram desaceleração no quarto trimestre. O único que não desacelerou do a administração pública", ressaltou a gerente de Contas Trimestrais do IBGE, Rebeca Palis.

Ela explicou que os gastos do governo são mais estáveis, principalmente porque a maior parte da medição é feita a partir do pagamento de pessoal, que no setor público não oscila muito em momentos de instabilidade econômica como acontece no setor privado.

No ano passado, o consumo do governo chegou a ter queda no segundo trimestre, de 0,2%, mas já havia subido 4,1% nos primeiros três meses --no terceiro trimestre, a alta ficou em 1,6%. Em todo 2008, o consumo da administração pública acumulou alta de 5,6% (R$ 584,4 bilhões).

Investimento

O investimento realizado no Brasil, medido pela chamada Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), teve no quarto trimestre a maior queda da série histórica, perdendo 9,8% (ficou em R$ 138,406 bilhões), após um forte crescimento de 8,4% no trimestre anterior.

Apesar da forte queda trimestral, o indicador acumulado no ano para o investimento bateu recorde de toda a série histórica, iniciada em 1996, atingindo taxa de 13,8% (fechou em R$ 548,757 bilhões). Em relação ao PIB, a taxa de 2008 representou 19%, também o melhor resultado já anotado. Os principais impulsos foram registrados na construção civil e no setor de máquinas e equipamentos.

As exportações, que já haviam caído na maior parte de 2008, tiveram queda de 2,9% no último trimestre. No acumulado de 2008, o resultado foi negativo em 0,6%. As importações de bens e serviços, que estavam em alta ao longo do ano, caíram 8,2% no trimestre. Ainda assim, o acumulado permaneceu forte, com alta de 18,5%.

PIB geral

A crise global fez a economia brasileira registrar no quarto trimestre do ano passado uma queda de 3,6% em relação ao terceiro trimestre, o maior recuo da série histórica. No acumulado de 2008, o crescimento do PIB chegou a 5,1%, sustentado pelo bom desempenho dos trimestres anteriores. Ao todo, a economia movimentou R$ 747,152 bilhões no quarto trimestre e R$ 2,889 trilhões no ano.





Fonte: Folha Online

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