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Nacional
Quinta - 20 de Dezembro de 2007 às 00:47
Por: Ligia Guimarães

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Para escapar da cobrança da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) nas compras de fim de ano, consumidores mais atentos optam por "empurrar para a frente" o pagamento dos bens de maior valor, como imóveis ou carros. A pressão para conseguir estender o prazo para além da validade do imposto, que termina em 31 de dezembro, funciona em alguns casos: na construtora Klabin Segall, por exemplo, é possível comprar um imóvel pelo preço de dezembro e pagar só em janeiro no cheque pré-datado.

“Depois da queda da CPMF, os clientes começaram a perguntar sobre essa possibilidade de adiar o pagamento e atendemos essa demanda”, diz o diretor de vendas e marketing da companhia, Paulo Pôrto. Em janeiro, os imóveis são reajustados pelo Índice Nacional da Construção Civil (INCC) de dezembro.

Segundo Pôrto, a iniciativa contribui para fidelizar clientes. “Se o consumidor não encontrar o que quer aqui, vai procurar outra construtora para resolver o problema dele”, diz.

No setor de automóveis importados, o desejo de fugir da incidência do imposto se reflete nas vendas. Para a gerente comercial da concessionária Eurobike, especializada no segmento de alto padrão, parte da clientela está esperando para fechar a compra do automóvel no começo do ano. “O empresário está postergando suas contas. Sumiu cliente em dezembro, temos uns 30% a menos”, diz a executiva, que previa um aquecimento das vendas no mês em razão do Natal.

O engenheiro Luiz Roberto Graziano Alcântara, que pretendia comprar um automóvel em dezembro, resolveu esperar para fechar o negócio só em 2008. “Para um carro de R$ 100 mil, por exemplo, são R$ 380 que entram a mais. Sem contar que, com o dinheiro mais barato para os bancos, as taxas de financiamento podem ter alguma redução”, diz ele, que admite que a possibilidade de juros menores não é certa. “Vale a pena porque não estou com urgência, vale a pena esperar. É um risco legal. De repente você economiza um pouco do dinheiro do IPVA”, afirma.

Na avaliação do professor de finanças da Fundação Getúlio Vargas, Ricardo Araújo, a recomendação de jogar as contas para mais tarde vale apenas para altos valores. “É uma boa opção sim. Se eu fosse comprar alguma coisa grande, deixaria para pagar em janeiro”, afirma.

Para os gastos pequenos, ele prevê que o uso do cheque pré-datado não deva ser alterado expressivamente nestes últimos dias do ano. “A massa de pessoas que ganham menos de R$ 5 mil paga CPMF e nem sente. Nesses casos, o pré-datado continua uma mania de quem não tem dinheiro para pagar à vista”, diz.





Fonte: G1

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