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Economia
Quinta - 25 de Outubro de 2007 às 21:30

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Quase 10% dos agrotóxicos usados na produção agrícola brasileira é pirata. A estimativa é do gerente do Sindicato Nacional das Indústrias de Produtos para Defesa Sanitária (Sindag), Fernando Marini, que esteve nesta quinta-feira, dia 25, no Canal Rural de Porto Alegre (RS). Marini encabeça desde 2001 a Campanha Contra os Agrotóxicos Ilegais, realizada em todo o Brasil.

A iniciativa, que defende a árdua fiscalização dos pesticidas no país, alerta para a falta de preocupação com um problema que não se resume a distúrbios econômicos no mercado de agrotóxicos, que movimentou, em 2006, no Brasil, US$ 4 bilhões. Segundo Marini, o maior objetivo do movimento é conscientizar sobre a questão da saúde pública e do meio ambiente, uma vez que o uso irregular de agrotóxicos atinge diretamente ambos os setores.

A maior parte dos produtos ilegais que entram no Brasil vem do Paraguai e do Uruguai. Os países vizinhos recebem a mercadoria produzida na China e a revendem por um valor quase 50% menor em relação ao preço pago no mercado brasileiro (o produto ganha 33% de vantagem sobre a carga tributária nacional). Pesquisa realizada concluiu que a movimentação no mercado ilegal de agrotóxicos no período entre 2005 e 2006 foi de US$ 300 milhões entre Paraguai e Brasil, e de US$ 60 milhões entre brasileiros e uruguaios.

A proposta de pagar menos é tentadora aos produtores, que cada vez mais têm adquirido agrotóxicos irregulares. Fernando Marini, no entanto, alerta que o envolvimento com quadrilhas de pirataria abre portas para que pequenos agricultores fiquem vulneráveis a atos criminosos. Segundo o gerente do Sindag, além da prática ilegal de compra e uso de produtos sem fiscalização, o produtor cria vínculo com o crime organizado.

– Nosso foco principal deste segmento são os agricultores – enfatiza.

Por isso, o sindicato – que conta com 45 empresas associadas – se dedica a orientar indústrias e produtores sobre os riscos existentes no envolvimento com o mercado de pirataria de agrotóxicos. A entidade distribui informativos e oferece serviços, como um curso online encontrado no site do Sindag (www.sindag.com.br). O curso, que teve a participação de mais 600 pessoas em 2006, garante ao aluno, além de conhecimento sobre o assunto, um certificado em sua conclusão.

Marini explica que a venda ilegal de defensivos agrícolas é perigosa, já que se trata de produto delicado, com componentes tóxicos, e que depende de condições salubres de transporte. O cuidado com o manuseio dos agrotóxicos deve ser mantido desde o início da produção até a sua destinação final. No caso dos produtos provenientes da China, explica o gerente do Sindag, tal cuidado é duvidoso. Das 1,6 mil indústrias chinesas de agrotóxicos, contabiliza Fernando Marini, “metade é cortada por irregularidades”.

Reciclagem de embalagens

Campanhas pela destinação de embalagens têm dado resultado no Brasil. O sistema nacional recolhe 82% das embalagens utilizadas, e tem como líderes de recolhimento Estados como Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso. A prática é uma das iniciativas pela prevenção de acidentes prejudiciais à saúde e ao meio ambiente, mas a assídua comercialização de produtos ilegais e de alto risco preocupa as autoridades brasileiras.

O governo federal já entrou em tratativas com os governos paraguaio e uruguaio, a fim de montar parceria pelo fim da pirataria de agrotóxicos. O mercado negro de defensivos agrícolas já reduziu em 20% a venda do produto no Brasil. Enquanto isso, a Polícia Federal se encarrega de controlar atos ilegais em todo o território nacional. Operações grandes como a Campo Verde, em maio deste ano, e a Caeté, de 2005, detiveram dezenas de pessoas e apreenderam toneladas de agrotóxicos pirateados.





Fonte: AE

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