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Economia
Segunda - 20 de Agosto de 2007 às 18:38

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Alguns setores da indústria, como vestuário e calçados, podem aguardar para ver os desdobramentos da atual crise financeira para vir a realizar novos investimentos. Os efeitos da crise sobre os planos de investimento da indústria só serão conhecidos em outubro, quando a nova pesquisa sobre planos de investimento for divulgada. A avaliação é do o coordenador de sondagens conjunturais da FGV (Fundação Getulio Vargas), Aloísio Campelo Júnior.

"Alguns setores precisam investir porque estão em um ritmo muito forte, outros têm ritmo moderado, e alguns estão ociosos; esses vão esperar pra ver", disse, em entrevista à Folha Online. "Essa crise é do sistema financeiro. Se houver uma resolução rápida, sem quebradeira, os efeitos não afetariam as previsões de investimento."

"A indústria não tem no momento um desempenho totalmente homogêneo. Algumas indústrias estão com capacidade lá em cima, e há risco de formação de gargalos. O risco é pontual, mas está acontecendo --por exemplo, nos setores de mecânica, material de transporte (tanto automóveis como bens de capital) e metalurgia', destacou. 'Nesses setores há focos de gargalo. Mas vestuário, calçados e têxteis ainda estão muito fracos. Estão começando a se recuperar agora, mas ainda há ociosidade."

Se as previsões de investimento mostrarão efeitos da crise pela qual passaram as Bolsas mundiais desde o último dia 9, isso dependerá da extensão da turbulência, disse Campelo Júnior. Na quinta-feira (16) o Ibovespa chegou a recuar quase 9%, puxada pela crise no mercado de crédito de risco dos EUA.

Campelo Júnior lembrou que algumas empresas já vem com planos de investimentos de longo prazo e que quem investe buscando expansão no mercado interno vai continuar a investir --desde 2006 vê-se a retomada nesse segmento.

Nos investimentos da indústria, acrescentou Campelo Júnior, há também necessidade de que o governo invista em infra-estrutura. "Essa crise é conjuntural, mas quando ela passar, volta-se ao quadro inicial. A indústria precisa ver sinais de que o governo vai garantir infra-estrutura, como energia e transporte."

Otimismo

Segundo a pesquisa "Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação", da FGV, divulgada hoje, a maioria das empresas do setor industrial planeja investir mais em 2007. A pesquisa foi feita com base em informações fornecidas pelas empresas em julho deste ano --antes, portanto, das turbulências vistas nos mercados financeiros mundiais, vistas nas últimas semanas.

Segundo a pesquisa, das 688 empresas consultadas quanto montante de investimentos produtivos realizados em 2006 e programados para 2007, 414 (60,2% do total) programam gastos superiores aos realizados em 2006, em termos reais.

A pesquisa mostra também que vêm crescendo os gastos com ampliação e reformas das instalações industriais nos dois últimos anos. Em 2005, segundo dados apurados em julho do ano passado, esses investimentos representaram 31% do total, em média. Já a pesquisa deste ano mostrou que em 2006 essa proporção teria saltado a 48%. Nas projeções feitas na mesma ocasião para este ano, reduziram-se para 44%.





Fonte: Olhar Direto

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