Petrobras terá de investir para evitar prejuízo
Tavares explicou que a Petrobras somente poderá absorver, sem prejuízo, o aumento, caso invista em uma unidade para separar os componentes e produzir o GLP, ou seja, se construir uma pequena refinaria com este fim. Do contrário, para não perder receita, a estatal teria de repassar a alta de custos ao consumidor final. Para o consultor, também é factível o reajuste de 6% anunciado pelo governo. Mas, neste caso, o aumento não estará totalmente vinculado às cotações internacionais.
Os contratos de exportação de gás boliviano referem-se basicamente ao metano, gás mais “pobre” usado para geração de energia em usinas e indústrias. Este gás, porém vem associado a produtos mais valorizados no mercado. Propano e butano estão cotados no mercado internacional a US$ 12 por milhão de BTU (unidade britânica de medida do poder energético de um combustível), quase três vezes mais do que os US$ 4,20 pagos pela Petrobras pelo produto importado da Bolívia.
A separação das frações mais nobres do gás natural, como o butano, é reivindicação antiga do governo boliviano. No fim da década de 90, La Paz conseguiu um acordo semelhante com a Argentina, que também pagava o mesmo preço pelo metano e pelas chamadas “partes ricas”. Na época das assinaturas dos contratos de exportação para Brasil e Argentina, não havia tecnologia nem volume de gás suficientes no Cone Sul que justificassem a construção de unidades de separação dos diversos hidrocarbonetos extraídos junto ao gás natural.
Para Tavares, a estatal pode chegar a reverter a situação que hoje lhe é desfavorável. “Se a Petrobras for produzir GLP com as frações nobres, poderá até ganhar dinheiro.” Em nota, a Petrobras informou que “estudará a melhor forma de aproveitar no futuro esses componentes mais nobres do gás”.
Repercussão
Para analistas, a solução foi melhor do que uma alta generalizada para US$ 5 por milhão de BTU, conforme pediam os bolivianos. Durante a tarde, porém, o clima foi de apreensão com a falta de explicações mais detalhadas sobre o acordo.
Houve reclamações dos dois lados da fronteira. “É pouco, se compararmos à expectativa criada pelo presidente Evo Morales em torno do reajuste”, disse o analista político Gonzalo Chávez, da Universidade Católica Boliviana, de La Paz.
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