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Nacional
Sexta - 13 de Outubro de 2006 às 00:49
Por: Cecília Amaral

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O espetáculo da disputa eleitoral para deputados federais e estaduais garantiu aos brasileiros surpresas, sustos e até risos diante da criatividade dos argumentos de alguns candidatos na busca pela atenção da platéia. Alguns dos vitoriosos comprovaram a eficiência da fama e da inventividade na conquista dos votos. Outros, apesar da verve criativa, não tiveram a mesma sorte. Vitoriosos ou derrotados nas urnas, alguns candidatos cunharam frases que podem entrar para a história das eleições de 2006.

Clodovil Hernandes (PTC-SP) O estilista e deputado federal eleito com cerca de 493 mil votos, já virou notícia antes mesmo de tomar posse."Brasília nunca mais será a mesma", dizia na propaganda eleitoral e, pelo visto, pretende cumprir a promessa. Em entrevista concedida após a eleição, Clodovil falou sobre suas propostas e como será sua posse. "Evidentemente eu vou chegar a Brasília chiquérrimo, porque eu sou mesmo". Quando questionado sobre suas propostas no Legislativo, o candidato não respondeu e lançou mais uma; "Eu não sei, não sei nem se tem política neste País", afirmou. Outras pérolas da campanha do estilista: "Não é mais 24, agora é 11; É 1 atrás do outro"; "Eu vou denunciar aquilo que passar pela minha frente".

Frank Aguiar (PTB-SP) Apelidado na vida artística de "cãozinho dos teclados", por seus uivos que ilustram as canções, Frank Aguiar deputado federal eleito com 144.701 votos, promete não desapontar seu eleitorado. Em entrevista ao Terra declarou que representa uma proposta alternativa e inovadora, mas bem fundamentada, e não uma negação à política. "Podem esperar um parlamentar decente, que vai trabalhar com cautela e com cuidados para ser um representante do povo, um fiscal da União. Estou ciente da minha responsabilidade: é emendar, aprovar, desaprovar, aprovar... mas sempre em função da classe menos favorecida". Como os candidatos são proibidos de cantar na propaganda política, Aguiar inventou um meio infalível de lembrar os eleitores de seus talentos musicais: "Quero ser seu deputado federAAAAUUUUU", pedia.

José Ribeiro, o Rola (PSL-SE) Fazendo uma menção à "onda" de corrupção, o candidato a deputado estadual pelo estado de Sergipe José Ribeiro, mais conhecido como Rola, fez uma propaganda ousada, mas os 1.392 votos obtidos foram insuficientes para elegê-lo. "Contra dólar na cueca, contra corrupção: 17.456, Rola neles", dizia em seu bordão de campanha.

Gil Móveis (PV-RN) Candidato a deputado estadual no Rio Grande do Norte pelo Partido Verde (PV), Givaldo do Nascimento Melo, o Gil Móveis, iniciava sua propaganda política destruindo o cenário, todo de verde, representando a cor de seu partido. Em sua performance, o candidato segurava um rato, que representava os deputados corruptos, enquanto gritava sua frase "Já reformei muito estofado, agora, depois da minha formação acadêmica, eu quero reformar a assembléia do nosso Estado, caçando ratos e corruptos. Tchau, ratos". Com apenas 358 votos Gil não se elegeu.

Dernival Oliveira de Aguiar, o Amiguinho (PPS-SP) Com o slogan "meu nome é Amiguinho, quero ser seu empregado", o candidato a deputado federal passou muito longe de se eleger. Amiguinho obteve 34 votos, coincidentemente o mesmo número de sua idade.

Maurício Carlos Lupifieri, o Maurício do Avestruz (PPS-SP) Maurício Carlos Lupifieri, o Maurício do Avestruz, aparecia em suas propagandas montado em um avestruz e falando sua frase de "maior impacto": "Vamos correr para o desenvolvimento", fazendo menção a velocidade da ave. O amor pelo bípede vai além, Lupifieri faz parte da Associação dos Criadores de Avestruzes do Brasil. Com 1.264 votos, o apaixonado pelo Avestruz não conseguiu se eleger deputado federal.

Rogério Tadeu Da Luz (PSDC-BA) Da Luz já foi candidato a prefeito de Salvador, governador da Bahia e agora tentou emplacar como deputado federal. "Não vote no escuro, vote Da Luz", era seu principal bordão, além de "Dê as costas aos maus políticos, vote Da Luz" e "Ordem na Bahia na velocidade Da Luz". Mesmo com toda a sua campanha e atuação no horário eleitoral obteve somente 3.942 votos, insuficientes para obter a vaga.

Osmar Lins Peroba Neles (PAN-SP) O candidato a deputado estadual Osmar Lins obteve mais de 60 mil votos, porém não conseguiu se eleger. Ele sugeria "peroba neles", carregando uma garrafa de óleo de peroba. "Fundamos o Partidos dos Aposentados para defender a classe, o trabalhador e o jovem. Eles se aposentaram, renunciaram, e eu estou de volta", desabafou. Ele também admitiu: "deve ser gostoso mamar nas tetas do estado". "Eu quero dar um aviso: não peço água de sanguessuga, mas não tenho medo. Osmar Lins Peroba Neles", concluía.

Pedro Firmino (PPS-SE) Com um apelo pra lá de autêntico, o candidato a deputado estadual de Sergipe Pedro Firmino só teve uma frase para dizer, que dispensa comentários "Varolizem seu voto". Mesmo com 2.456 mil leitores, Firmino ficou de fora da bancada.

Mister Bim (PDT-PR) O taxista Élcio Aparecido Perin, o "Mister Bim", aproveitou a sua semelhança com o humorista britânico Mr. Bean e se candidatou a deputado estadual no Paraná. Prometendo ajudar a classe dos taxistas, Perin obteve 1.179 mil votos, mas não se elegeu. "Contra político ruim, vote no Mister Bim" e "Engraçado, porém honesto e eficiente" eram seus bordões.

Katielly (PFL-SC) Nedson Antônio Lanzini Pereira, de 41 anos, separado, pai de quatro filhos, atende pelo nome de Katielly Lanzine e assim se candidatou a deputada estadual em Santa Catarina. "Sempre quis ser menina. Tinha inveja da sainha plissada e das meias brancas de minhas irmãs. Com o apoio da minha ex-mulher, concluí que o melhor era sair do armário", declarou Katielly a reportagem a revista Época. Em sua campanha ela pedia aos eleitores: "Vote por prazer". "Vai ser gostosa assim na Assembléia Legislativa" e "Peito para ser, peito para transformar, peito para fazer. Tem peito de tudo o que é tipo", eram algumas de suas frases de efeito. A candidata distribuía "santinhos eróticos" com frases picantes em sua campanha, mas os 1.743 votos que obteve não foram suficientes para se eleger.

Moura da Esperança (PTN-RN) Com direito a narrador e a música tema do filme Rock o Lutador ao fundo em sua propaganda eleitoral, o Super Moura, ou Moura da Esperança obteve significativos 3.013 mil votos para deputado estadual do Rio Grande do Norte, mas não conseguiu se eleger. José Vitória de Moura apareceu vestindo diversas caracterizações bizarras, como super-herói, astronauta, piloto, lutador de boxe e caçador de corruptos. "Contra a corrupção e o mensalão, agora você tem a solução: Super Moura", dizia o candidato. E o narrador completava, com a música ao fundo: "Há tempos ele vem se preparando para este combate, agora ele precisa apenas do seu voto, o Super Moura".

Mamãe (PSDC-BA) Com 101 anos completados no dia 1º de agosto, a comerciante de Feira de Santana, interior da Bahia, Deodata Pereira Borges, a "Mamãe" foi a segunda candidata mais velha do País, concorrendo a uma vaga de deputada federal. Com dois filhos e quatro netos, a candidata tinha como plataforma lutar pelo imposto zero para os remédios. "Jovens e abaixo dos cem anos, vamos acabar com os impostos antes que eles acabem com a gente", defendia. Apesar dos significativos 13.415 votos, "Mamãe" não se elegeu.

Flavius Coat (PSC-SP) Inspirado no filme Zorro, quando no filme o personagem grita "Raio Sylver" para seu cavalo, o comerciante e candidato a deputado federal Flavius Coait, adaptou o chamado para a abertura de seu programa eleitoral. "Raiooooo Flaviuuuuus", gritava. Com 1.353, Coat não foi eleito.

Xiribita (PSDB-SE) Com uma chibata na mão, José Alberto Carvalho, o Xiribita, obteve 485 votos e ficou apenas com a vontade de chicotear os corruptos. No horário eleitoral de Sergipe o candidato aparecia vestido de caubói e com um chicote na mão ameaçando: "Contra a falta de ética olha a "Taca" e "Aroche, xiribita neles".




Fonte: Terra

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