Na ONU, Bush desafia Irã e Síria
Em discurso na Assembléia Geral da ONU, Bush também fez críticas à Síria e defendeu sua campanha de democratização do Oriente Médio.
"O maior obstáculo a este futuro [democrático] é que seus lideres [do Irã] escolheram negar-lhes a liberdade e usar os recursos da sua nação para financiar o terrorismo, alimentar o extremismo e buscar armas nucleares", afirmou Bush, dirigindo-se à população iraniana.
O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, não estava no plenário na hora do discurso, mas deve responder quando subir à tribuna da Assembléia Geral, ainda na terça-feira.
"O Irã deve abandonar suas ambições de armas nucleares", disse Bush, após afirmar a jornalistas que vai defender a adoção de sanções a Teerã caso aquele governo mantenha suas atividades de enriquecimento de urânio, que ele e outros líderes suspeitam servirem para o desenvolvimento de armas. O Irã rejeita a acusação e diz ter o direito legítimo à tecnologia nuclear civil.
Mas não há consenso internacional sobre as sanções, e por isso Bush salientou que Washington prefere resolver a disputa de forma diplomática, o que dá à União Européia um pouco mais de tempo para apresentar uma fórmula que permita negociações.
Sobre a Síria, Bush disse que o país virou "uma encruzilhada do terrorismo". "Em meio a vocês [população síria], o Hamas e o Hizbollah estão trabalhando para desestabilizar a região, e seu governo está transformando o seu país em uma ferramenta do Irã."
Ele rejeitou veementemente as críticas, inclusive da oposição norte-americana, de que a campanha de Bush pró-democracia acabou desestabilizando lugares como os territórios palestinos e o Iraque, além de fortalecer os militantes islâmicos e difundir o caos.
"Este argumento repousa sobre uma falsa premissa: a de que no começo o Oriente Médio era estável", disse Bush, que qualificou de "propaganda" a tese de que o Ocidente trava uma guerra contra o Islã.
Mas as políticas norte-americanas voltaram a ser criticadas. O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, alertou que o Iraque está sob risco de uma guerra civil, enquanto França, Rússia e China desaconselharam a pressa na imposição de sanções ao Irã.
Bush e Ahmadinejad dormiram em hotéis vizinhos e devem falar à Assembléia Geral em um intervalo de poucas horas, mas seus caminhos não se cruzaram.
O presidente iraniano, um muçulmano praticante, recusou um convite para o almoço dos dignitários porque havia vinho no cardápio. Outros líderes muçulmanos compareceram, mas não beberam.
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