Planalto espera que recursos reduzam prejuízos no campo
A decisão de elevar o montante de crédito para comercialização faz parte do pacote de “bondades” para o setor, anunciado parcialmente há duas semanas pelo ministro Roberto Rodrigues (Agricultura) e oficializado ontem, um dia após a aprovação das medidas em reunião extraordinária do Conselho Monetário Nacional (CMN).
Além do aumento no volume de recursos, o Conselho Monetário Nacional autorizou a ampliação do limite de crédito que o agricultor pode tomar emprestado.
NOVOS LIMITES - Para os produtores de algodão, esse limite subiu de R$ 500 mil para R$ 1 milhão, para os de milho, de R$ 400 mil para R$ 800 mil e para os de arroz, sorgo e trigo, de R$ 200 mil para R$ 600 mil. No caso da soja, o teto passará para R$ 600 mil - ou R$ 800 mil -, dependendo da região do produtor.
A idéia é que, com mais crédito disponível, os produtores poderão estocar os produtos em vez de serem obrigados a vendê-los em condições desfavoráveis.
"Há excesso de produção sendo colocada no mercado ao mesmo tempo. Os preços dos produtos estão em queda no mercado internacional e o câmbio também está baixo", destacou o assessor especial do Ministério da Fazenda, Gilson Bittencourt.
RODRIGUES - O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, afirmou que o setor vive a maior crise dos "últimos 40 anos". Anteontem, durante homenagem ao novo presidente da Comissão de Agricultura da Câmara, Abelardo Lupion (PFL-PR), Rodrigues justificou sua atuação, atribuindo a crise por que passa o setor a origens alheias a seu trabalho.
“Essa é a maior crise do setor agrícola nos últimos 40 anos, devido ao câmbio, ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e à falta de crédito agrícola. Nenhum deles da alçada do Ministério da Agricultura”, afirma o ministro, segundo relato de participantes.
Na cerimônia, promovida pela Confederação Nacional da Agricultura, Rodrigues afirmou que esses fatores afetam o setor.
O secretário de Política Agrícola do Ministério, Ivan Wedekin, explica que essa medida se aplica às lavouras que tiveram problemas climáticos ou enfrentaram dificuldade de comercialização e preço. De acordo com o CMN, não estão incluídas, portanto, operações de produtores cuja renda principal seja originada de café, cana-de-açúcar ou fumo.
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