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Internacional
Segunda - 27 de Março de 2006 às 12:14

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O Irã terá de, a partir de setembro, racionar a gasolina do país, um produto em grande parte subsidiado, se não conseguir diminuir o consumo tido como voraz do combustível no país, disse na segunda-feira o chefe da agência governamental Organização para a Gerência e o Planejamento (MPO, na sigla em inglês).

O governo iraniano, conservador e popular entre os pobres que consideram a gasolina barata um direito seu, depara-se com a difícil escolha entre racionar a gasolina ou elevar seu preço para os níveis reais de mercado.

O governo propôs um projeto de lei prevendo gastar 4 bilhões de dólares nos próximos 12 meses com a importação de gasolina. Mas o Parlamento cortou essa verba para 2,5 bilhões de dólares, exigindo da liderança do país que controle o consumo excessivo.

Segundo especialistas, o valor aprovado pelo Legislativo servirá para comprar gasolina só até setembro.

"A verba alocada pelo Parlamento para as importações não nos dá outra opção que não seja racionar a gasolina se não conseguirmos reduzir o consumo até setembro", disse o chefe da MPO, Farhad Rahbar, segundo a agência de notícias Irna.

Rahbar acrescentou que o governo melhoraria a rede de transportes públicos do país antes de tomar uma decisão sobre o racionamento de gasolina.

O Irã possui a segunda maior reserva de petróleo do mundo, ficando atrás apenas da Arábia Saudita. Mas o país carece de refinarias e precisa importar mais de 40 por cento de seu consumo diário de 60 milhões a 70 milhões de litros.

Os mercados da Ásia e da Europa acompanham de perto a situação do Irã para antecipar flutuações na demanda.

O governo iraniano gasta grandes somas de dinheiro subsidiando a gasolina, vendida a menos de 9 centavos de dólar o litro. O uso desmesurado do combustível alimenta os congestionamentos de veículos e a poluição atmosférica que sufoca as cidades do país.

Resolver a questão da gasolina tem se mostrado uma tarefa difícil. Tentativas anteriores de elevar o preço do combustível acabaram detonando aumentos no preço de produtos básicos.

Muitas autoridades iranianas disseram que a dependência do Irã em relação à gasolina importada ameaçava a segurança do país.

Mas diplomatas e analistas políticos disseram que o Ocidente, provavelmente, não imporia sanções sobre a venda de gasolina para os iranianos porque a medida detonaria uma onda de instabilidade política.

O Irã pode sofrer sanções do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) depois de o caso dele ter sido denunciado ao órgão porque o país não conseguiu convencer inspetores internacionais de que seu programa nuclear visa apenas a fins pacíficos.

O país possui planos ambiciosos de modernizar suas refinarias nos próximos cinco anos e aumentar a produção diária de gasolina para 120 milhões de litros por dia.





Fonte: Reuters

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