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Internacional
Terça - 24 de Janeiro de 2006 às 18:36

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Londres - Entre os cerca de 1,5 milhão de palestinos registrados para votar nas eleições parlamentares desta quarta-feira, há um grupo de até 5 mil pessoas que são também cidadãos brasileiros. Na maioria, são palestinos que moraram no Brasil, naturalizaram-se brasileiros e acabaram voltando anos depois para a terra natal.

Mas há também brasileiros natos - em geral filhos ou mulheres dos ex-emigrantes - que apesar das dificuldades decidiram viver com a família nos territórios palestinos ocupados. A maioria mora na cidade de Ramallah e em outros municípios da região, como Deir Debwan, onde até o prefeito é um palestino naturalizado brasileiro.

“Os brasileiros que moram aqui na Palestina participam (das eleições) com o maior orgulho porque são registrados para votar e sabem que participar é um dever”, disse o prefeito Adib Yusef Abdel Haq, um líder do Fatah eleito no ano passado para governar a cidade de cerca de 15 mil habitantes.

Nos 38 anos em que morou no Brasil, Abdel Haq foi representante da Organização para a Liberação da Palestina (OLP) no país e também se envolveu com política brasileira, tendo participado da fundação do PT no Rio Grande do Sul. Agora ele está se esforçando para desenvolver a carreira política na terra natal - ele não esconde a ambição de se candidatar ao Parlamento no futuro - e criar uma associação para os cidadãos brasileiros residentes nos territórios palestinos.



Processo de paz A embaixada do Brasil em Tel-Aviv mantém em Ramallah um escritório de representação para atender aos brasileiros que vivem na Cisjordânia mas, como não se trata de um consulado, os serviços que o escritório pode prestar ainda são limitados e muitos dos problemas têm que ser resolvidos em território israelense.

“Estamos ainda tentando descobrir com mais precisão quantos cidadãos brasileiros há nos territórios palestinos. Nossas estimativas são de que haja pelo menos 1,5 mil mas o número pode chegar a até cinco mil”, diz o responsável pela representação em Ramallah, ministro Josal Pelegrino.

A chegada de brasileiros - natos ou naturalizados - foi intensa enquanto o processo de paz iniciado com os Acordos de Oslo parecia promissor, mas caiu muito depois do início da segunda Intifada, em 2002. “Ainda tem algumas pessoas chegando, mas cada vez menos”, diz Abdalah Abdel Majd, que morou por 14 anos no Brasil mas voltou para a cidade natal de Der Dibwan em 1974.

Junto com Abu Majd veio a carioca Maria Santana, com quem ele se casou quando estava no Brasil. “Por mim eu teria voltado para o Brasil um dia depois de ter chegado aqui, mas a nossa situação acabou não permitindo. Agora faz 31 anos que não vejo meu País”, diz ela, que reclama dos problemas econômicos e das dificuldades provocadas pela ocupação israelense.

“Mesmo quando tenho que ir no médico temos que perder horas nos bloqueios israelenses onde somos revistados e temos que ficar mostrando documentos”, disse. A brasileira ainda não sabe quem vai escolher mas diz que não vai deixar de votar nas eleições de quarta-feira. “Nós passamos aqui pelos mesmos problemas que passam os árabes e não podemos deixar de participar destas coisas”, diz.




Fonte: BBC Brasil

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