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Repórter News - reporternews.com.br
Internacional
Terça - 01 de Janeiro de 2013 às 19:21

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A cidade mexicana de Ciudad Juárez, uma das mais violentas do mundo até pouco tempo atrás, reduziu em 75% seu índice de homicídios nos últimos dois anos, algo que ocorreu com abusos e mortes de inocentes, segundo organizações defensoras dos direitos humanos.

Situada na fronteira com os Estados Unidos, no estado de Chihuahua, e cenário frequente das ações do crime organizado, Ciudad Juárez, com 1,3 milhão de habitantes, encerrou o ano com 784 homicídios, segundo números oficiais divulgados segunda-feira pela Procuradoria Geral de Chihuahua.

O número de mortos, que inclui vítimas até quinta-feira passada, está longe dos 3.115 assassinatos cometidos no ano 2010 e dos 2.086 de 2011. "A cidadania foi quem pagou o preço mais alto", disse à Agência Efe Gustavo de la Rosa Hickerson, membro da Comissão Estadual dos Direitos Humanos em Ciudad Juárez, ao explicar as repercussões das ações oficiais para reduzir a violência.

As autoridades tiveram que adotar medidas pesadas para controlar os altos índices de violência. Segundo De la Rosa, inocentes morreram e muitos estão na prisão. "Tivemos que suportar blitzes, detenções arbitrárias, mudanças de domicílio", acrescentou o membro da comissão.

"Tivemos que pagar o altíssimo custo dos policiais prenderem pessoas apenas pela aparência. Ao olhar do policial, qualquer pessoa com cabelo longo é delinquente", criticou.

Há dois anos, no pior momento que Ciudad Juárez viveu durante a luta entre os cartéis de drogas, a cidade registrava um número de homicídios maior do que em zonas de guerra, como o Afeganistão. Agora, uma boa parte dos negócios que fecharam suas portas reabriram e a cidade vai recuperando pouco a pouco sua normalidade, incluindo sua vida noturna.

Já para Arturo Valenzuela, presidente da Mesa de Segurança de Ciudad Juárez, criada após o assassinato de 15 adolescentes em uma festa em janeiro de 2010, e composta por cidadãos sem cargos públicos, a situação alarmante requeria medidas desesperadas.

"É uma tarefa muito difícil lutar contra uma criminalidade tão grande como a que enfrentamos e ser delicado demais quanto aos direitos humanos. Foi uma etapa que precisou ser assim, mas não será assim sempre", disse Valenzuela à Efe.

"Este esforço foi possível graças ao trabalho conjunto das autoridades, o que não existia. Não havia trabalho em equipe, nem entre o próprio governo", acrescentou Valenzuela. No entanto, as fontes consultadas afirmaram que ainda há muito o que fazer para que Ciudad Juárez tenha níveis normais de violência. "Ainda estamos com o dobro do que pode ser considerado um índice normal. Ciudad Juárez sempre foi classificada como uma cidade de alta violência, registrando o dobro dos números nacionais", explicou De la Rosa.

"Ainda estamos 200% acima comparado com os níveis de violência de 2006", acrescentou. De la Rosa disse que o desafio para 2013 "é conseguir que a polícia de Ciudad Juárez abandone a tortura como método de investigação".

Valenzuela acredita, no entanto, que os abusos dos direitos humanos e o uso da tortura por parte das autoridades já não são tão frequentes, segundo investigações da Mesa de Segurança. "Em Ciudad Juárez já não se necessita mão dura, mas um modelo de polícia comunitária", finalizou Valenzuela.





Fonte: Terra

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