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Internacional
Sábado - 31 de Dezembro de 2005 às 12:56

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O serviço de informações telefônicas sobre a nova lei antitabaco espanhola, que entra em vigor amanhã, está recebendo uma imensa quantidade de perguntas, muitas delas insólitas.

A lei, uma das mais rígidas do mundo, impedirá que as pessoas fumem nos locais de trabalho, em bares, e, restaurantes e em outros espaços de lazer que não tenham uma área especial para isso, em um país no qual mais de 30% da população é fumante.

Para garantir que os cidadãos terão as informações corretas sobre a norma, o Ministério da Saúde da Espanha criou um serviço telefônico de atendimento ao público que, em pouco mais de 10 dias, recebeu mais de seis mil ligações.

Segundo os responsáveis pela linha, que está congestionada há vários dias, nem todas as dúvidas são fáceis de ser resolvidas.

As pessoas querem saber se é permitido fumar nas cabines de um sex shop, se a venda de cigarros de chocolate será proibida ou se poderão fumar em seus próprios escritórios, no necrotério, em jogos de futebol e nas touradas.

E as respostas também são variadas.

Não será permitido fumar em uma cabine erótica ou em um necrotério por serem locais fechados e públicos. Mas será permitida a venda de cigarros de chocolate, exceto para menores, pois o doce pode incitá-los ao fumo.

Os torcedores só poderão fumar nas praças de touro e nos estádios de futebol se estiverem em instalações abertas.

Além disso, o serviço de informações recebeu um considerável número de chamadas de cidadãos querendo saber se poderão acender o cigarro em casas de encontros, algumas delas em hotéis, ou nos quartos de um prostíbulo.

Nesses casos, as soluções não são tão claras, já que os hotéis poderão permitir o fumo em alguns quartos. No entanto, um prostíbulo como tal é ilegal na Espanha e não pode ser considerado um local de trabalho.

As preocupações sobre os locais onde se poderá fumar afetam especialmente determinados grupos como o dos taxistas, motoristas e caminhoneiros, que perguntam se poderão acender um cigarro em seus postos de trabalho quando estiverem sozinhos.

Segundo os responsáveis pelo serviço, as questões mais comuns entre os não fumantes se referem a como denunciar alguém que estiver fumando em um local proibido.

Em meio à avalanche de dúvidas provocada pela nova lei, o certo é que muitos fumantes devem aproveitar as restrições legais para tentar parar de fumar.

Assim, além do serviço telefônico, o Ministério da Saúde publicou um manual completo com o encorajador título de "É possível parar de fumar. Segredos para conseguir isso".

Trata-se de uma série completa de conselhos e alternativas para escapar ao vício, que inevitavelmente dependem da força de vontade do leitor em abandonar o tabaco.

Nesse sentido, aumentou muito na Espanha, nos últimos meses, a venda de adesivos e chicletes com nicotina, que prometem ajudar as pessoas no árduo desafio de largar o cigarro.

Os meios de comunicação não param de exibir propagandas sobre outros métodos alternativos para abandonar o tabaco, que vão desde a hipnose até a acupuntura, passando pela meditação transcendental e as massagens.

As livrarias também faturam com a venda de publicações sobre o assunto. Junto com elas, são os centros especializados em cursos e em tratamentos antitabaco, além das farmácias que vendem produtos contra o vício de fumar, que farão os maiores negócios com a medida, apontam todas as previsões.

Entre os beneficiados pelos "efeitos colaterais" da nova lei também estão os fabricantes de cartazes com avisos de proibido fumar e até os confeiteiros, que acreditam que a abstinência do tabaco provocará mais ansiedade, o que está ligado ao aumento no consumo de doces e guloseimas.

Já os proprietários dos locais de lazer estão em pé de guerra contra a lei, sobretudo por causa das despesas que muitos deles terão com as reformas para disponibilizar áreas para fumantes em seus estabelecimentos.

Enquanto isso, os cofres do Estado não serão prejudicados inicialmente, já que não é esperada uma redução imediata da receita de impostos sobre o tabaco.

Os responsáveis governamentais dizem que, com o tempo, a medida terá um impacto ligeiramente positivo no orçamento público por causa da queda da despesa em saúde, já que os espanhóis, sem o fumo, estarão mais saudáveis e precisarão menos de médicos.




Fonte: terra

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