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Internacional
Terça - 29 de Março de 2005 às 07:20

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Nesta segunda-feira, o pai da americana em estado vegetativo Terri Schiavo, em uma tentativa desesperada para salvar a filha, fez um apelo dramático para evitar que a americana morra de inanição, após dez dias sem receber alimentos e água.

"Precisamos que alguém a salve, ela está respondendo, mas está muito fraca. Eu a abracei e a beijei, ela reage a isso. Está tentando falar, ainda mostra determinação para viver", disse seu pai, Bob Schindler, nos arredores do hospital do condado de Pinellas, ao oeste da Flórida, onde Terri está.

Schindler, esgotado após uma prolongada e feroz disputa legal contra seu genro, Michael Schiavo, disse que Terri não abandonou a luta pela vida apesar do seu estado frágil e, portanto, os que estão a favor de seu caso também não deveriam dar as costas.

O pedido do pai de Terri aconteceu horas depois de seu conselheiro espiritual, o franciscano Paul O'Donnell, pedir ao governador do estado da Flórida, Jeb Bush, que use seus poderes executivos para que a americana receba de novo a sonda que a mantinha viva artificialmente.

"Governador, faça algo hoje, não se junte à cultura da morte. Ela (Terri) está viva, pedindo sua ajuda e que a liberte de seu cativeiro", pediu o religioso.

O'Donnell disse a Jeb Bush para tomar medidas que ponham fim à situação e lembrou que o estado da Flórida prevê pena de prisão para quem deixar um animal morrer de fome.

"Todo mundo quer escrever o obituário desta mulher, exceto uma pessoa, e essa é Terri Schiavo", disse o religioso.

Apesar dos pedidos angustiados, o governador reafirmou nesta segunda que devia respeitar as decisões dos tribunais de não recolocar a sonda em Terri.

Na semana passada, o governador da Flórida apresentou uma moção a um tribunal para que a situação de Terri fosse estabilizada enquanto juízes analisavam a opinião de um neurologista dizendo que a mulher poderia estar em um estado de "mínima consciência".

No entanto, o pedido foi negado, assim como a tentativa de retirar a custódia legal do marido de Terri.

Terri recebeu a extrema-unção de dois sacerdotes católicos neste domingo, quando colocaram uma gota de vinho na língua da mulher, que desde o dia 18 não recebe alimentos e água, depois que um juiz autorizou a retirada da sonda.

O sacramento teve a presença de parentes de Terri, enquanto nos arredores do centro médico onde se encontra continuavam as manifestações a favor do "direito de viver" da mulher que passou 15 anos em estado vegetativo.

O sacerdote Thaddeus Malanowski disse que seu colega Joseph Braun deu a comunhão e a extrema-unção a Terri, enquanto ele sustentava a mão direita da mulher, que não pôde receber a hóstia porque sua língua estava ressecada.

Segundo o religioso, Terri aparentemente não reagiu quando deram a ela o vinho da comunhão, e depois Malanowski a ungiu com a extrema-unção e a abençoou, após absolvê-la de seus pecados.

Nos arredores do centro médico, manifestantes continuam em vigília segurando cartazes com a frase "Deixem Terri viver", "Não brinquem de Deus" e gritam "Dêem água a Terri".

A polícia, que reforçou a proteção na área, prendeu um homem que tentou levar água a Terri.

Em Washington, grupos religiosos planejavam pedir novamente ao Congresso dos Estados Unidos que aplique um lei aprovada que o juiz principal do caso, George Greer, e a Corte Suprema do país já reprovaram.

O caso de Terri Schiavo, considerado um dos mais dramáticos na polêmica sobre o direito de viver ou morrer nos EUA, ainda tem duas apelações pendentes em um Tribunal de Apelações da Flórida, instância que já rejeitou outros pedidos.

Michael Schiavo manteve uma disputa judicial de sete anos com seus sogros e conseguiu autorização de vários tribunais para desligar sua esposa da sonda, alegando que Terri nunca pediu para ser mantida viva artificialmente.

Em 1990, Terri Schiavo sofreu um infarto causado por uma queda brusca de potássio enquanto fazia um regime severo de emagrecimento, o que provocou uma lesão cerebral.




Fonte: Agência EFE

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