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Economia
Sexta - 17 de Dezembro de 2004 às 10:56
Por: Joana Dantas

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O salário mínimo de R$ 260 estabelecido pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, representa 1/3 do valor quando foi criado, em 1940. Se não houvesse desvalorização, o salário equivaleria hoje a R$ 661, conforme dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese).

Os políticos do Congresso acreditam que ainda podem alterar a decisão presidencial, anunciada na quinta-feira passada, fechando a questão em R$ 270. Os líderes sindicais, no entanto, querem o reajuste para R$ 300, o correspondente a US$ 100.

Porém, polêmica à parte, considerando o valor do mínimo já fixado, a pergunta é: o que o trabalhador pode comprar com R$ 20 a mais no bolso. O professor de economia da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) Antônio Humberto de Oliveira afirma, no entanto, que o trabalhador não teve ganho de R$ 20 de fato.

"O reajuste nominal foi de 8,33%, entretanto, descontando a inflação de cerca de 6%, o aumento real foi de 1,2%, ou pouco mais de R$ 2,80", afirmou o economista.

A pergunta correta, segundo ele, seria o que uma pessoa pode comprar com R$ 2,80. Um picolé, dois refrigerantes ou um pacote de feijão (R$ 1,99).

"O trabalhador não ganhou quase nada, o poder aquisitivo não teve alteração. A cesta básica (R$ 147) consome quase 70% do salário mínimo, os 30% restantes não conseguem suprir as necessidades essenciais como educação, saúde e lazer, determinadas pela Constituição Federal", ponderou o professor da UFMT.

Conforme o Dieese, cerca de 43 milhões de pessoas -- ou 62% da população ocupada no país -- tem o salário atrelado ao mínimo. Considerando também os aposentados que recebem até um salário -- cerca de 14,2 milhões --, sobe para 57,2 milhões o número de pessoas beneficiadas com o reajuste.

O impacto do salário mínimo será maior no Nordeste, onde 81% da população ocupada da região ganha até dois mínimos. Na região Norte, esse percentual chega a 67,9%. Na Centro-Oeste, a 60%. Na Sul, a 55,5%, e na Sudeste, a 51,9%.

Unidade de referência

De acordo com o professor Oliveira, o salário mínimo atualmente é utilizado mais como referência ao governo e aos trabalhadores informais, sem carteira assinada.

"O volume de pessoas com salário mínimo é do INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social), funcionários públicos interinos (não concursados) e dos trabalhadores informais. A maioria dos empregados regula o reajuste pela data-base do salário, que difere por categoria. O salário mínimo do comércio, por exemplo, é maior que o institucional", disse Humberto de Oliveira.

Historicamente, o maior valor do mínimo registrado ocorreu na década de 50, que em valores atualizados equivaleria a R$ 827,17.





Fonte: Folha do Estado

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