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Agronegócios
Terça - 26 de Outubro de 2004 às 16:13

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A terceira e última etapa deste ano da Campanha de Vacinação contra a Febre Aftosa terá início no próximo dia 1º e segue até o dia 30 de novembro, com a meta de imunizar 100% do rebanho bovino e bubalino do Estado, em todas as idades. Nas duas primeiras etapas da campanha contra a doença, realizadas em fevereiro e maio, foram vacinados os rebanhos entre 0 e 12 meses e entre 0 e 24 meses, respectivamente.

De acordo com o Instituto de Defesa Agropecuária do Estado (Indea), serão disponibilizadas 29 milhões de doses da vacina e 750 técnicos do Órgão estarão envolvidos na campanha. Neste período, os pecuaristas deverão adquirir e aplicar as vacinas. Depois disso, terão até o dia 10 de dezembro para comunicar ao Indea a imunização do rebanho. "Essa última é a principal etapa da campanha, pois envolve todo o rebanho do Estado, em todas as idades", afirma o presidente do Indea, Décio Coutinho.

Na região do Pantanal, em virtude das cheias, que às vezes impossibilitam o deslocamento do gado, a vacinação ocorrerá de 1º de novembro a 15 de dezembro, e o comunicado ao Indea deve ser feito até o dia 20 de dezembro. O Pantanal abriga 1,3 milhão de cabeças de gado.

Coutinho explica que a não imunização do gado implica em duas formas de penalidade. Se o pecuarista vacinar e não comunicar ao Órgão, sofrerá uma penalidade administrativa, ficando proibido de movimentar o gado o dobro de tempo que levou para comunicar o Instituto. Na outra infração, quando deixa de imunizar, é estabelecida a cobrança de R$ 58,00 por cabeça não vacinada e o pecuarista terá que realizar a vacinação em data estabelecida e sob a fiscalização do Indea.

Entre os dias 27 e 28 deste mês, na cidade de San Inácio, na Bolívia, representantes do Indea e da Federação de Agricultura e Pecuária de Mato Grosso se reunirão com técnicos do órgão responsável pela sanidade animal daquele país para traçar estratégias conjuntas sobre a campanha da aftosa na fronteira.

RECURSOS - O Programa de Erradicação de Febre Aftosa terá R$ 18 milhões de crédito extraordinário do Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) a ser aplicado em todo o País. O recurso, distribuído entre os Estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste, será executado pelas Delegacias Federais de Agricultura. Deste total, Mato Grosso recebeu R$ 2,6 milhões, dos quais R$ 1,07 serão empregados no custeio da terceira etapa da campanha contra aftosa e na sanidade vegetal - em especial no combate a sigatoka negra (fungo que afeta plantações de banana) - e o restante em investimentos na manutenção dos postos de fiscalização interestaduais e na intensificação da fiscalização móvel na divisa com o Estado do Pará e na fronteira com a Bolívia.

Conforme o presidente do Indea, o recurso já está na delegacia de Mato Grosso e só está aguardando a publicação no Diário Oficial da União para liberar a verba ao Estado.

"Mato Grosso enfrenta riscos como a fronteira norte do Circuito Pecuário Centro-Oeste. Estamos na divisa com a Bolívia e, com os Estados do Pará e Rondônia, que têm status sanitário diferenciado. Portanto, o Estado tem a responsabilidade de manter a sanidade na fronteira do Circuito Pecuário", destacou Décio Coutinho.

Mato Grosso possui o maior rebanho bovino do País, estimado em 24,7 milhões de cabeças conforme dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e é considerado área internacional livre de febre aftosa com vacinação, desde janeiro de 2000, sendo que 90% da produção são exportadas para outros Estados e para a União Européia e Rússia. Há quase nove anos o Estado não registra nenhum foco da doença fruto do trabalho do Indea em parceria com a iniciativa privada, por meio do Fundo Emergencial de Erradicação da Febre Aftosa (Fefa).

Quanto ao embargo da carne brasileira pela Rússia, Décio adiantou que na segunda quinzena de novembro uma comissão, formada por integrantes do governo russo e empresários do País, deve visitar Mato Grosso a fim de certificar a sanidade animal no Estado. A comissão acompanhará o presidente russo Vladimir Putin, que vem ao Brasil discutir com o governo brasileiro a questão fitossanitária, dentre outros assuntos de interesse dos dois países.

Durante recente visita à Rússia, o vice-presidente da República, José Alencar, reuniu-se com o presidente russo e empresários para falar sobre o embargo à importação da carne brasileira, que afetou também o mercado de peixes e aves. Alencar citou a falta de informação entre os países como um dos obstáculos nas negociações. Daí a razão do convite ao presidente russo para conhecer o Brasil e o mercado de carnes, além da política de defesa animal.

A Rússia mantém o embargo à importação de carnes do Brasil desde o mês de junho, quando foi detectado um foco de aftosa em propriedade no Estado do Pará. Neste mês, outro foco foi registrado no Amazonas e o país continuou com o embargo mesmo não sendo a carne para lá exportada originária desses Estados.




Fonte: Secom-MT

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