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Agronegócios
Sexta - 03 de Setembro de 2004 às 08:41

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A área plantada na safra agrícola 2004/05 crescerá entre 1 milhão e 1,5 milhão de hectares, ou cerca de 3%, segundo o presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Luís Carlos Guedes Pinto. A soja deve responder pela maior parte da expansão, sobretudo no Mato Grosso. Mas, de acordo com Guedes Pinto, há espaço para aumento do cultivo em Tocantins, oeste da Bahia, sul do Piauí, sul do Maranhão e no nordeste do Pará.

"Calcula-se que nestas regiões existam dezenas de milhares de hectares agricultáveis, que devem deslanchar a partir do momento que resolvam os problemas de armazenamento e escoamento", disse. Os primeiros números oficiais da safra, que começa a ser plantada agora, devem ser divulgados no dia 21 de outubro.

Em condições climáticas ideais, a estimativa da Conab aponta para uma produção acima de 130 milhões de toneladas na safra 2004/05. Somente a soja, que responde por 41,7% de tudo que é plantado no Brasil, poderia chegar a 60 milhões de toneladas e área de 22 milhões de hectares, em relação aos 21,2 milhões de hectares da safra 2003/04. Mas as previsões meteorológicas - que apontam para um verão marcado por precipitações pluviométricas irregulares e mal distribuídas - dão indícios de que este número pode não ser atingido e sugerem cautela aos produtores.

Além do clima, outro problema preocupa os dirigente da Conab: a descapitalização dos produtores. Na última safra, eles sofreram com aumento entre 15% e 20% nos custos de produção, principalmente em culturas importantes como soja, milho e algodão. E também com a queda nas cotações internacionais dos produtos agrícolas, que estão cerca de 10% inferiores se comparadas ao mesmo período de 2003. "A relação já não é mais tão favorável ao produtor, que está no limite", disse. Estas dificuldades podem limitar o crescimento da área cultivada.

Por enquanto, a expectativa de aumento de área tem como base as vendas de máquinas agrícolas e fertilizantes no período de janeiro a junho. Segundo Guedes, nos seis primeiros meses foram vendidas 8,121 milhões de toneladas de fertilizantes em relação a 7,812 milhões de toneladas em igual período de 2003. A comercialização de máquinas agrícolas somou, de janeiro a junho deste ano, 33.561 unidades em relação a 26.948 unidades em igual período do ano passado, aumento de 25%.

O chefe da unidade do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) em Curitiba, Luiz Renato Lazinski, que participa da Expointer, em Esteio (RS), reforçou que as condições climáticas ocorridas na safra 2002/03, favoráveis à agricultura por influência do El Nino, não devem se repetir. O País poderá ver agora, novamente, o quadro de seca no Sul e excesso de chuva no Centro-Oeste.

Lazinski fez um alerta especial sobre o baixo nível dos açudes no Rio Grande do Sul, utilizados para a irrigação das lavouras de arroz, e que estão 30% abaixo do que é considerado ideal. O índice de precipitação esperado para a safra não deverá ser suficiente para encher açudes e as lavouras podem sofrer com a falta de água. Porém, o próximo verão deverá registrar temperaturas mais amenas, o que beneficiará o milho.




Fonte: Gazeta Mercantil

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