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Quinta - 20 de Maio de 2004 às 13:20
Por: Neusa Baptista

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Alta Floresta completou 28 anos e recebe como presente ações concentradas no desenvolvimento tecnológico, na formação profissional e no crescimento regional, todas contando com o apoio e a articulação da Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia (Secitec). Uma delas é o Programa de Desenvolvimento Regional (MT Regional), coordenado pela Secretaria de Estado de Planejamento (Seplan), do qual a Secitec assumiu a coordenação executiva.

O programa – cujo objetivo é coordenar as ações das secretarias de Estado no desenvolvimento de cadeias produtivas nas diferentes regiões de Mato Grosso – dará apoio, em Alta Floresta, às cadeias da madeira, do café, do turismo e da bovinocultura de couro e de leite.

O ecoturismo surge também como uma opção de desenvolvimento sustentado e também gerador de renda e emprego no município. Ele é visto pelas autoridades locais como uma das soluções práticas para a conservação de áreas florestais e a educação ambiental das comunidades.

“É necessária a conscientização de toda a população residente na Amazônia e principalmente em Alta Floresta, onde todos podem cooperar, por exemplo, não degradando o ambiente. O setor madeireiro que é forte setor econômico pode contribuir não comprando madeiras proibidas, tais como o mogno e a castanheira”, disse o prefeito da cidade, Romualdo Boraczynski Jr.

Segundo ele, o principal desafio são os invasores ilegais de terras, que desrespeitam a propriedades de áreas de conservação e os ladrões de madeira, que agem livremente, entregando o produto do roubo para as serrarias. Os garimpeiros que vagueiam pelas propriedades de floresta à procura de filões de ouro também representam preocupação para o município. “O objetivo do desenvolvimento sustentado deve ser perseguido para que as riquezas não sejam exauridas”, adverte.

RETORNO - Para a secretária adjunta de Ciência e Tecnologia, Jackeyline Mapurunga, a ação do MT Regional em Alta Floresta terá grande retorno, pois a região apresenta níveis muito bons de crescimento em relação a outros municípios do Estado. “Pretendemos dar condições para inserir novos e atuais empreendedores, tais como empresas de micro e pequeno porte em cadeias produtivas de um determinado setor”, explica a secretária. “A criação de novos postos de trabalho e o aumento da renda dos empreendimentos também são conseqüências do MT Regional”disse ela.

Jackeyline fala ainda dos resultados esperados, ela enumera o desenvolvimento dos mercados interno e externo, o aumento da qualidade na produção dos produtos e processos, a capacitação dos profissionais e a conservação ambiental.

EMPREGO - Outra área considerada de suma importância para a cidade de Alta Floresta é a geração de empregos. Destacando-se como uma das maiores produtoras de madeira, a região enfrenta, no entanto, uma crise nessa área. De olho nessa necessidade, a Secitec adiantou-se na renovação da política de Educação Profissional, criando em 2004 o Centro Estadual de Educação Profissional (Ceprotec), entidade autárquica responsável pela implantação dessa nova política. O Ceprotec reúne quatro Unidades Descentralizadas de Ensino (UNEDs) já em funcionamento em Alta Floresta, Barra do Garças, Sinop e Rondonópolis, e três UNEDs em construção em Diamantino, Pontes e Lacerda e Tangará da Serra. Além destas, mais duas unidades serão construídas em Confresa e Matupá.

CURSOS - Na unidade de Alta Floresta serão oferecidos os cursos de Técnico em Vendas, com duração de 15 meses; Técnico em Informática e em Segurança no Trabalho, com duração de 18 meses cada um. “O comércio em Alta Floresta é muito forte”, analisa o presidente do Ceprotec, Dimorvan Alencar Brescancim. “É uma região onde predomina a cadeia produtiva da madeira, responsável por um grande número de acidentes de trabalho.” Em relação ao curso de Informática, ele justifica que é interessante para qualquer setor, e não seria diferente para a região de Alta Floresta.

QUALIFICAÇÃO - Dimorvan adianta que, a partir de agosto, devem ser lançados novos cursos de qualificação profissional básicos – com duração de 200 horas – que já estão sendo encaminhados pelos diretores das UNEDs em funcionamento e cujo início deve acontecer junto com a inauguração das unidades. “O Ceprotec foi criado para ser um centro de excelência”, destaca o presidente. Ele lembra que um diferencial do ensino profissionalizante do Ceprotec será o seu fomento à pesquisa local. Isso se dará porque o plano de carreira dos professores os condiciona a buscar mais formação para melhorar suas condições salariais. Ele cita como exemplo a dedicação exclusiva – categoria na qual o salário do professor atinge o patamar mais alto. Para ingressar nela, é necessário que o professor esteja envolvido em um projeto de pesquisa dentro da escola. “Isso vai incrementar a pesquisa local”, observa ele. “O que não acontece na rede federal, por exemplo, onde o professor não precisa pesquisar para ingressar na dedicação exclusiva”.

BÁSICOS - Alencar enfatiza que a intenção do Ceprotec é ‘casar’ o oferecimento de cursos à existência de vagas no mercado. Para isso, a partir de 2005 os cursos de qualificação profissional básicos serão definidos com base no diálogo com empresas, sindicatos, ONGs e outras entidades que estejam envolvidas com o tema. Já os cursos tecnológicos – com nível de terceiro grau – serão oferecidos de acordo com a política de desenvolvimento regional. “Iremos nos perguntar: que área do desenvolvimento vai necessitar de profissionais nos próximos 10 anos?”, exemplifica ele.

ARRANJO PRODUTIVO - Situada dentro da Amazônia Legal e destacada pela sua atuação no ramo da produção e industrialização da madeira, Alta Floresta está organizando o Arranjo Produtivo de Móveis, do qual a Secitec é uma das parceiras. “A região tem um grande potencial nesse ramo”, observa Adnauer Tarquínio Daltro, superintendente de Desenvolvimento Científico, Tecnológico e de Inovação da Secitec. “O Governo vislumbra apoiar iniciativas do setor para agregar valor à matéria-prima”. A conservação ambiental é uma atitude que será estimulada com a organização em dos Apls. “Quando se começa a estudar, pesquisar o potencial madeireiro e as espécies para o uso racional e adequado automaticamente se está diminuindo à pressão sobre as espécies historicamente exploradas”, explica ele. “Esse papel de conscientização sobre a importância do manejo sustentável também pode ser feita por meio do APL.”





Fonte: Secom - MT

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