Repórter News - reporternews.com.br
Agronegócios
Quinta - 19 de Agosto de 2021 às 15:23
Por: Marianna Peres/Diário de Cuiabá

    Imprimir


Confinamento bovino em Mato Grosso
Confinamento bovino em Mato Grosso

Mato Grosso deve ampliar a oferta de bovinos confinados nesse ano Se a nova projeção do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) se confirmar, o Estado - que detém o maior rebanho do País – inverte uma primeira tendência de queda (20% em relação ao consolidado no ano passado) para projetar crescimento de 7,5%, passando de 822.633 cabeças confinadas para o abate para 884.867. A região oeste é atualmente a maior confinadora do Estado e, juntamente com a noroeste, lidera a expansão de oferta nesse ano.

O Imea realizou uma primeira sondagem do mercado pecuário mato-grossense em abril e outra agora em julho. Na primeira, havia uma tendência de redução do rebanho, puxada, sobretudo pelo encarecimento dos custos de produção, principalmente de animais de reposição,mesmo sob um cenário de arroba valorizada. Já dados de julho mostram estimativa de alta de 5,65% sobre abril.

A alteração de cenário ocorre por alguns motivos, entre eles, o aumento no número de informantes, passando em julho a 186 confinadores relatando seus dados ao Instituto, o acabou alterando o volume final de rebanho que deve ter sua terminação no cocho. Segundo o Imea, apenas 149 informantes participaram do levantamento, representando 80,11% da amostra total.

Como explicam os analistas do Imea, essa mudança de cenário foi pautada principalmente porque no primeiro levantamento, cerca de 50% dos informantes ainda estavam sem previsão ou indecisos sobre realizar o confinamento ou não. Porém, na segunda análise esse resultado reduziu para 40,94% e impactou diretamente no volume de animais reportados.

“De modo geral, pode-se perceber que esse cenário foi influenciado por dois motivos. O primeiro deles esteve baseado no perfil dos confinadores, uma vez que aqueles de pequeno porte tenderam a reduzir a quantidade de animais confinados por conta do elevado preço nos insumos e da valorização observada nas cotações dos animais de reposição. No entanto, os grandes confinamentos optaram por aumentar o seu rebanho de bovinos amparados pela valorização da arroba do boi gordo, que inclusive permanece em patamares elevados. Vale destacar que este perfil geralmente se organiza com antecedência para realizar o confinamento dos animais. Outro ponto que animou o mercado foi o recuo recente nos preços de algumas categorias dos animais de reposição, bem como o período atual da colheita do milho, principalmente nas regiões em que a disponibilidade desses insumos é de grande relevância”, conforme detalham os analistas. Eles frisam ainda que esse cenário trouxe boas perspectivas no curto prazo para o produtor e influenciou na sua tomada de decisão. No entanto, durante o levantamento, ao analisar o fechamento anual, as principais preocupações continuaram sendo pautadas no preço do boi gordo, da reposição e dos insumos.

MAPA DO CONFINAMENTO - Como destacam os analistas do Imea, as regiões noroeste e oeste foram as que apresentaram maior incremento nos resultados. No comparativo com o consolidado de 2020, a região que mais apresentou incremento foi a noroeste, que subiu 47,36%, pautado no aumento do número de animais destinados aos boiteis dos confinamentos dos frigoríficos da região. Em contrapartida, a região norte reduziu em 38,56% a participação do rebanho confinado. O aumento na região oeste tornou-a líder no volume de animais confinados no Estado e, em seguida a região médio norte, com 182,92 mil cabeças. “A aproximação geográfica com a produção dos grãos que se concentra nesses espaços é o que continua impactando para este cenário”.

Com relação às entregas dos animais confinados, diante do atraso na tomada de decisão do confinador - pelo receio de baixa lucratividade - estima-se que cerca de 20% dos animais sejam entregues entre setembro e dezembro deste ano. “Esse cenário é divergente do observado em 2020, visto que a maior parte se concentrou no mês de outubro de 2020”, alertam os analistas.

Em razão desse ‘atraso’ na entrega dos animais, o mercado futuro apontou para um cenário estagnado nas cotações médias da arroba do boi gordo, influenciando no período de entrega dos animais. Fatores relacionados à baixa demanda doméstica e o recuo nas exportações no acumulado do ano influenciaram para que o preço da arroba não subisse com mais intensidade. Em contrapartida, a menor oferta de animais segurou para que a cotação não fosse pressionada com mais força. “Para se ter ideia, no acumulado dos primeiros seis meses do ano, o volume total de animais abatidos no Estado foi o menor desde o ano de 2010”.

Apesar das incertezas e preocupações quanto ao cenário do boi gordo no momento da venda desses animais a capacidade estática das instalações de confinamento do Estado aumentou 10,60% ante o ano passado e registrou o total de 908,00 mil cabeças de bovinos. “Além disso, quando se analisa a utilização total da capacidade estática dos confinamentos, notou-se que em Mato Grosso o percentual médio subiu de 92,48% para 97,45% em 2021, demonstrando a menor ociosidade das instalações”.

MEDOS E INCERTEZAS - Diante das preocupações levantadas, destacaram-se os preços dos insumos, principalmente o milho – visto que corresponde com a maior parcela da composição da ração animal – e, apesar de apresentar um recuo pontual nas cotações por conta da colheita no Estado, segue com os preços acima da referência.

Outra preocupação mencionada esteve relacionada aos preços dos animais de reposição. Para se ter ideia, apesar do recuo nas cotações do último mês, os resultados continuam 72,25%, 80,28%, 74,43% e 62,94% acima do que foi cotado no mesmo período do ano passado para o bezerro de ano, novilha, garrote e boi magro, respectivamente.





Comentários

Deixe seu Comentário

URL Fonte: https://reporternews.com.br/noticia/445665/visualizar/