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Saúde
Terça - 18 de Janeiro de 2022 às 14:22
Por: Jessica Bachega/Gazeta Digital

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Pacientes transplantados têm sofrido com falta de medicação na farmácia de alto custo de Mato Grosso. O remédio é de uso diário e previne que o corpo rejeite o novo órgão, contudo, a informação que tiveram é que o fornecimento só será restabelecido em abril.

Gilson Canavarros, 59, passou por transplante de fígado há dois anos e desde então toma vários remédios, além de acompanhamento médico periódico. A cada 3 meses ele viaja a Brasília para consulta médica e avaliação se está tudo bem com o novo órgão.


Desde que foi operado, o paciente toma alguns remédios e conta que ao longo desses dois anos houve episódios de falta de medicação. Dessa vez, o que falta é o everolimo.


“Eu vou terça e quinta na farmácia ver se já chegou. Nesses dias é que chegam novos medicamentos. A atendente me disse que só no fim de março ou começo de abril que deve ser recebido o medicamento. Eles falaram que eu preciso buscar meus direitos na Ouvidoria, Defensoria, que não têm o que fazer. Eles lavaram as mãos”, conta o paciente.


Gilson afirma que quando falta medicação os pacientes se ajudam. Se um deles tem “estoque” para mais alguns dias, doa ao outro que já está sem. Assim ninguém fica sem remédio até conseguir receber na farmácia. Porém, nem sempre a estratégia é possível, como é o caso atual. A receita para o everolimo contempla 60 comprimidos, exatamente a quantia para um mês. Em janeiro Gilson não conseguiu pegar e já está sem tomar a medicação há quase 15 dias.


“Eu estou desesperado. A gente passa por um transplante desse, vive a apreensão se vai ter rejeição ou não, quando estabiliza sofremos todo esse transtorno emocional de ficar sem medicação. Não sei o que fazer”, relata.


O paciente afirma que é possível encontrar a medicação em redes maiores de farmácias, que tem a parte de alto custo, porém o valor é muito alto. Segundo ele, o valor da droga com o frete chega a R$ 4.032, além de demorar cerca de 10 dias para chegar.


“Não sei de quem é o erro, mas estamos sofrendo sem remédio. Até o momento não tive nenhuma reação, mas temo pelos próximos dias”, declara o paciente.


Gilson recebe auxílio-doença e está na fila para aposentadoria, que ainda não foi autorizada. O salário de R$ 1.212 não dá sequer para pagar a parcela do remédio, que pode ter o valor total dividido em até 3 vezes.


Outro lado
A Secretaria de Estado de Saúde (SES) foi procurada, mas não encaminhou resposta até a publicação da matéria.





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