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Terça - 25 de Abril de 2023 às 08:25

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Letreiro da Netflix na sede da empresa em Hollywood, Los Angeles
Letreiro da Netflix na sede da empresa em Hollywood, Los Angeles

Prepare-se: é muito provável que, até o final de junho, a maior parte dos brasileiros passe a pagar mais caro para continuar com o mesmo uso da Netflix. A novidade está no mais recente balanço financeiro da empresa norte-americana, divulgado na terça-feira da última semana (18).

Os resultados não alcançaram as estimativas do mercado, com a América Latina (incluindo o Brasil) puxando o número de novos assinantes para baixo.

Prevendo a reação negativa dos investidores, a companhia informou algumas mudanças - incluindo que começará a cobrar pelo compartilhamento de contas de forma mais "ampla" neste trimestre.

Não se trata de uma proibição desse troca-troca de senhas, mas será necessário desembolsar um valor a mais para dividir o streaming com quem não mora na mesa casa.

Quando a cobrança adicional chega ao Brasil?

A Netflix não informou quais serão os territórios - além dos Estados Unidos - onde isso ocorrerá. No entanto, em entrevista pré-gravada, o co-CEO Greg Peters afirmou que a mudança será implementada "na maior parte dos países" dentro desse prazo.

"O lançamento que faremos no segundo trimestre é muito amplo. Ele inclui os Estados Unidos, inclui muitos, muitos outros países. Quer dizer, reservamos o direito [de não lançar] para alguns países onde achamos que há uma abordagem diferente. Quando você pensa do ponto de vista de receita, o lançamento na grande maioria ocorrerá no segundo trimestre.".

Seja como for, a Netflix considera o nosso país um de seus principais mercados: aqui foi o terceiro lugar do mundo a contar com o serviço de streaming, logo após Estados Unidos e Canadá. Contatada pela coluna, a assessoria de imprensa da Netflix no Brasil afirmou que "não tem nenhuma informação além do que foi divulgado no resultado financeiro".

Quanto custará o compartilhamento de senhas?

Ainda não foi divulgado o valor que a Netflix irá cobrar dos usuários brasileiros que compartilham suas contas com pessoas que não residem na mesma casa.

A empresa diz apenas que esse valor irá variar de acordo com a realidade de cada país, levando em consideração a necessidade de equilibrar uma base de assinantes grande com uma maior receita de cada usuário.

"Testamos diferentes preços nos [pré-]lançamentos feitos na América Latina", disse Peters. "E isso dá uma ideia de como estamos pensando sobre qual é o preço ideal, especialmente em países mais ricos, então vou deixar por isso mesmo."

Na vizinha Argentina, por exemplo, a taxa para dividir a conta ficou em 219 pesos argentinos, o equivalente a R$ 5,11. No Chile, o valor é 2.380 pesos chilenos (R$ 15,22), enquanto no Peru a opção sai por 7,90 novos sóis peruanos (R$ 10,62). Já em Portugal o adicional na mensalidade é de 3,99 euros (R$ 22,18).

Onde já foi implementado, o compartilhamento determina a residência principal dos usuários e permite uso na rua ou viajando. A utilização em outras casas, mesmo que com perfil diferente, é bloqueada - sendo liberado apenas após o pagamento do valor adicional.

Para aqueles que perderem o acesso às contas de terceiros, a plataforma permite agora transformar perfis preexistentes em novas assinaturas, mantendo o histórico do que assistiu e as recomendações do algoritmo.

O que está por trás da mudança?

A nova cobrança faz parte de uma movimentação muito maior dentro da empresa, que vem patinando no crescimento do número de assinantes desde o começo do ano passado. Inclusive por isso, a Netflix informou agora que vai parar de estipular metas para esse quesito.

"Nossas principais métricas financeiras [a partir de agora] são receita para crescimento e margem operacional para lucratividade", informa o último balanço.

A companhia não quer mais ser julgada apenas pelo número de membros que atrai, mas sim pela equação entre novos usuários, o valor que recebe por cada um deles e o quanto investe em novas produções.

Não deu certo, ao menos em um primeiro momento: as ações da empresa chegaram a cair 13% na bolsa de Nova York no dia seguinte da divulgação do relatório. No entanto, após os investidores digerirem os números e pretensões da Netflix, o valor das ações "quicou" e já recuperou 9,33% em relação ao mínimo da semana passada.

Entenda os números negativos da Netflix

Dos quatro trimestres de 2022, em dois a Netflix perdeu membros pagantes. Já no primeiro trimestre deste ano, a base aumentou em um ritmo menor do que aquele previsto pelos analistas do mercado financeiro - o crescimento líquido foi de apenas 1,75 milhão. No total, hoje são 232,5 milhões de assinaturas.

A nossa região foi a que teve a maior contribuição para o impacto negativo.

Na América Latina, o streaming perdeu 450 mil assinantes, ao invés de crescer. Ainda que a empresa não divulgue dados por país, a coluna estima que o Brasil representa cerca de 45% do total de membros no território.

O co-CEO Peters culpou a cobrança do compartilhamento de senhas por parte do resultado geral - a funcionalidade já foi implementada em alguns países, como Canadá e Chile.

"Vemos uma reação de cancelamento em cada mercado quando anunciamos a notícia [da cobrança adicional], o que impacta o crescimento de membros a curto prazo", disse. Porém, na visão dele, o jogo deve virar no médio prazo.

Ainda assim, o cálculo não fecha: o crescimento da plataforma na América Latina vem sendo mais comedido desde meados de 2021, muito antes da cobrança pela partilha de senhas ser proposta. A única exceção foi no final do ano passado. Parece haver uma saturação, combinada com outros fatores socioeconômicos.

Seja como for, a Netflix acredita que irá reverter isso ao monetizar as famílias que acessam o streaming com contas de outras residências. De acordo com as estimativas da empresa, são 100 milhões nessa situação em todo o mundo.

A questão é se ela conseguirá tirar dinheiro dessas pessoas com iniciativas como a cobrança pelo compartilhamento de senhas e o plano com publicidade, ou se apenas as afastará de vez.

Essa é a pergunta de 738 bilhões de reais - que é o atual valor de mercado da Netflix.





Fonte: DO UOL

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