Buzetti critica reforma e cita maior imposto do mundo: “Escárnio” Senadora de MT afirmou que tentou diálogo com secretário da reforma, mas que não foi ouvida
A senadora Margareth Buzetti (PSD) classificou como "escárnio" as mudanças na Reforma Tributária, aprovada no Congresso, que deve deixar em 28% a alíquota do IVA (Imposto sobre Valor Agregado) no Brasil. Segundo ela, uma das maiores taxas do mundo.
Tudo que a gente trabalhou [no Senado], quando chegou à Câmara foi tirado e hoje vamos ter esse escárnio, que é a maior alíquota do IVA a nível mundial
“Eu trabalhei muito nessa Reforma Tributária. Tudo que a gente trabalhou [no Senado], quando chegou à Câmara foi tirado e hoje vamos ter esse escárnio, que é a maior alíquota do IVA a nível mundial”, disse.
“Uma pena que tudo que era para ser simplificado vai virar custo, agora não tem o que fazer mais. Não acredito nessa reforma. Vamos pagar muito mais, o contribuinte paga a conta”, acrescentou.
O IVA será um imposto que substitui cinco tributos existentes hoje e que estão embutidos nos preços dos produtos: o IPI, PIS/Cofins, ICMS e ISS. No Senado Federal, a discussão era que a alíquota girasse em torno dos 26,5%, entretanto, com mudanças no texto na Câmara, o valor, segundo estimativas do governo, pode subir para 28%.
Buzetti afirmou que tentou conversar com o secretário extraordinário da Reforma Tributária, Bernard Appy, mas que não foi ouvida.
“Tudo que a gente tentou conversar com Appy para o setor de serviços, para a indústria, pequena indústria, indústria de reciclagem, indústria de reutilização, não ouviu”, disse.
A medida
A primeira lei que regulamenta a reforma tributária dos impostos sobre o consumo foi aprovada pelo Congresso em dezembro e sancionada pelo presidente Lula na última quinta-feira (16). O número da alíquota deve ser divulgado oficialmente esta semana.
Caso se confirme a alíquota geral em 28%, esse deve ser o maior valor dentre os países que adotam o imposto único. O Brasil ficaria a frente de países como Dinamarca (25%), Portugal (23%), França (20%), Reino Unido (20%), Japão (10%) e Canadá (5%), de acordo com a OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico).
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