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Policia MT
Quinta - 08 de Janeiro de 2026 às 13:16
Por: Vinicius Sassine/Da Folhapress - Belém, PA

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Equipe do Ibama e da PF atuam contra o garimpo ilegal na Terra Indígena Sararé, no Oeste de Mato Grosso. Facção Comando Vermelho está na mira
Equipe do Ibama e da PF atuam contra o garimpo ilegal na Terra Indígena Sararé, no Oeste de Mato Grosso. Facção Comando Vermelho está na mira

Diante da inexistência de um plano definitivo do Governo Lula (PT) para expulsão dos invasores, o garimpo ilegal de ouro controlado pela facção criminosa Comando Vermelho mantém o cerco a indígenas de um território demarcado em Mato Grosso.

A situação também leva riscos a servidores da Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas), que atuam em uma base instalada na área.


Garimpeiros utilizam estradas que dão acesso a aldeias dos nambikwaras, na Terra Indígena Sararé, fazem ameaças contra lideranças e buscam cooptação de indígenas para ocultação de equipamentos durante ações de fiscalização, conforme documentos compartilhados com a Casa Civil da Presidência da República.

Também há um enraizamento da violência no território, no Oeste de Mato Grosso (a cidade mais próxima é Pontes e Lacerda- 448 km a Oeste de Cuiabá), com confrontos entre integrantes da facção e guardas armadas montadas por garimpeiros.

Dados compilados pela Abin (Agência Brasileira de Inteligência) apontam 46 homicídios na terra Sararé, de 2022 a 2024.

"Os grupos atuam com elevado poder bélico, utilizando armamentos pesados e de uso restrito, como fuzis", cita um relatório da Funai, assinado pela presidente do órgão, Joenia Wapichana, com referência a dados da Abin.

"Somente no garimpo do Cururu, estima-se que existiriam cerca de dez fuzis."

A montagem de segurança armada tem estrutura análoga a milícias, conforme o documento.

Tanto o documento da Funai (de outubro do ano passado) quanto uma decisão da Justiça Federal (de dezembro) apontam a falta de um plano para expulsão definitiva dos invasores da terra Sararé, mesmo com a forte presença e influência de uma facção criminosa.

Em nota, a Casa Civil da Presidência e o Ministério dos Povos Indígenas afirmaram que existe proteção do território por parte do governo e que a última operação feita na área foi uma ação de desintrusão.

"O Governo do Brasil atua para garantir a proteção territorial e a defesa dos povos indígenas na terra Sararé, realizando constantemente ações de fiscalização e proteção por meio dos seus ministérios e órgãos federais", disse a Casa Civil.

Segundo o Ministério dos Povos Indígenas, a operação mais recente, liderada pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), resultou na destruição ou apreensão de 650 acampamentos, 170 escavadeiras, 500 motores de garimpo e 90 mil litros de combustível, um prejuízo de R$ 177 milhões aos criminosos.

"A ação se soma às atividades contínuas de proteção territorial realizadas pela Funai desde 2021."

O território é margeado por uma rodovia, e não está numa região isolada.

Do ponto de vista logístico, pode ser acessado em pouco tempo a partir de Pontes e Lacerda, que fica a 50 km.

A Justiça constatou que o plano de desintrusão não havia sido elaborado até novembro e que a União ficou "silente e inerte" em relação à expulsão dos invasores.

Uma decisão de janeiro de 2022 já determinava a proteção do território.

O Governo Federal, conforme a Justiça, não deu prioridade à crise instalada na área, com falhas relacionadas a segurança pública, numa "omissão grave" em razão do avanço da presença de facção criminosa.

A Justiça determinou a apresentação de um plano detalhado de desintrusão, num prazo de 45 dias.

A coordenação do plano deve ser feita pelo Ministério dos Povos Indígenas, conforme a decisão.

Na Funai, a avaliação é de que ações esporádicas –como a mais recente, conduzida pelo Ibama de agosto a outubro– têm sido insuficientes para garantir proteção a indígenas e servidores ao término dessas operações.

Faltam planejamento e permanência de forças de segurança, segundo os técnicos.

A reportagem da Folha esteve na terra Sararé no fim de 2023.

Na reportagem publicada em dezembro daquele no, já constava a informação sobre a presença do Comando Vermelho no território.

Espaços são controlados e loteados por detentores da logística do ouro, e indígenas e servidores já apontavam a atuação da facção criminosa em 2023, inclusive com fuzis.

O documento elaborado pela presidente da Funai em outubro de 2025 detalha o enraizamento da violência na terra Sararé e os impactos disso a servidores e aos cerca de 250 nambikwaras que vivem no território.

"A falta de planejamento para o ciclo operacional subsequente é motivo de grande preocupação da Funai", disse Joenia, no ofício direcionado à Casa Civil. Ela faz referência a ações de fiscalização e combate ao garimpo, como a mais recente, a cargo do Ibama.

Segundo a presidente da Funai, o caso é grave e demanda um "arranjo interinstitucional", com atuação de órgãos de Segurança Pública.

"A situação se agrava ao passo que o retorno gradual de garimpeiros ao território tende a intensificar as tensões entre os grupos de vigilância e segurança de facções criminosas e organizações criminosas análogas a milícias, por conta de eventuais disputas territoriais", afirma Joenia, no documento.





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