Calor e chuva elevam risco de acidentes com animais peçonhentos Em 2025, Mato Grosso contabilizou 3.648 notificações de acidentes com escorpião, aranha, cobra, abelhas e outros bichos
Em Mato Grosso, o período chuvoso e a temperatura elevada formam uma combinação perigosa e propícia para acidentes com animais peçonhentos, como escorpião, cobra e aranha.
Somente no ano passado, o Estado registrou 3.648 casos, o que corresponde a um aumento de 9% em relação a 2024, quando 3.345 pessoas foram picadas por alguma espécie venenosa.
Os dados, disponibilizados pela Coordenadoria de Vigilância em Saúde Ambiental da Secretaria de Estado de Saúde, mostram que as ocorrências estão distribuídas pelos diferentes municípios - entre eles, Cuiabá, Cáceres, Sinop, Juína, Tangará da Serrae Barra do Garças.
Na Capital, a Secretaria Municipal de Saúde informou, na segunda-feira (12), que reforçou as ações de prevenção, orientação e vigilância contra os animais peçonhentos.
Segundo a pasta,mesmo com o aumento no número de notificações, a cidade conta com uma rede preparada e atendimento especializado, o que tem garantido respostas rápidas e a preservação de vidas.
De acordo com dados do Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde (CIEVS), em 2025, Cuiabá registrou 979 atendimentos relacionados a acidentes contra 881 em 2024.
“Cuiabá conta hoje com uma rede estruturada, com atendimento especializado no Hospital Municipal e no Ciatox, o que garante resposta rápida e segura à população. Mas é fundamental reforçar que a prevenção começa dentro de casa, com cuidados simples que reduzem muito o risco de acidentes”, afirmou a secretária municipal de Saúde, Danielle Carmona.
A SMS destacou, ainda, que, embora exista uma tendência de aumento da atividade dos escorpiões, por exemplo, nos meses mais quentes e chuvosos, em Cuiabá os registros apresentam pouca variação ao longo do ano, já que as temperaturas permanecem elevadas na maior parte do tempo.
Ainda assim, os períodos de chuva e de seca costumam concentrar maior número de ocorrências.
A secretaria destacou que a principal forma de combate é o manejo ambiental, ou seja, eliminar as condições que favorecem a presença desses animais.
A orientação é adotar medidas simples no dia a dia, como manter quintais e terrenos limpos; evitar acúmulo de entulhos, restos de obra, telhas e madeira; controlar a presença de baratas, principal alimento dos escorpiões; eliminar fontes de umidade; vedar ralos, frestas e pias com telas e tampas adequadas.
Em caso de acidente, a orientação é buscar imediatamente atendimento médico, preferencialmente no Hospital Municipal de Cuiabá (HMC), que abriga o Centro de Informação e Atendimento Toxicológico (Ciatox), referência no atendimento a vítimas de animais peçonhentos.
“O atendimento rápido é fundamental para evitar complicações. Por isso, reforçamos sempre: a pessoa não deve esperar, nem tentar tratamento caseiro. Precisa procurar imediatamente o serviço de saúde”, reforçou Carmona.
OUTROS DADOS - Os dados da Secretaria de Estado da Saúde mostram ainda que, das mais de 3,6 mil picadas notificadas em 2025, os escorpiões respondem pela maioria dos atendimentos, num total de 1.839 ataques.
A quantidade que representa uma taxa de 47,94 casos por 100 mil habitantes.
Já as serpentes aparecem em segundo lugar do ranking, com 998 envenenamentos e incidência de 26,01 casos por 100 mil. As cobras com veneno também foram responsáveis por nove óbitos, de um total de 12 registrados ao longo do ano passado. Houve uma morte provocada por abelhas, além de outras duas cujas espécies não foram informadas ou ignoradas.
O levantamento estadual traz ainda o perfil das vítimas.
Do total, 1.138 têm entre 20 e 39 anos; 1.117 entre 40 e 59 anos.
Já 871 ataques envolveram crianças e adolescentes (zero a 19 anos) e os demais (522), idosos ou pessoas acima de 60 anos.
As picadas ocorrem com mais frequência nos pés, com 996 ataques, seguidos das mãos (577).
Depois, vêm os dedos das mãos (551); perna (404); dedo do pé (265); cabeça (232); tronco (183) e braço (178).
Além disso, a maioria dos casos (1.984) ocorreu no perímetro urbano e 1.604 na zona rural.
Os demais, em regiões consideradas periurbanas (áreas de transição entre o campo e a cidade) ou ignorado

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