MT lidera feminicídios no país e dispara acima da média nacional Estado registra 20 casos por 100 mil mulheres em 2025 e tem uma das maiores altas do Brasil em relação ao ano anterior.
Mato Grosso registrou em 2025 a maior taxa de feminicídios consumados e tentados do país: 20 casos por 100 mil mulheres, segundo dados da Universidade do Estado de Londrina (UEL). O índice coloca o estado muito acima da média nacional, que foi de 6,3 por 100 mil mulheres no mesmo período.
Os números são do relatório anual do Laboratório de Estudos de Feminicídios (LESFEM), que apontam para 382 registros de feminicídios tentados e consumados em 2025, contra 223 no ano anterior, consolidando um aumento expressivo também no total de ocorrências.
Os dados ainda apontam que em 2024 Mato Grosso ocupava a quarta posição no ranking da taxa de feminicídios (tentados e consumados). – Foto: Agência BrasilA elevação acompanha a tendência nacional de crescimento, já que o Brasil teve alta de 34% nos casos, mas em Mato Grosso o avanço proporcional chama ainda mais atenção. Entre 2024 e 2025, a taxa estadual saltou de 11,6 para 20,0 por 100 mil mulheres, uma variação de 8,3 pontos, consolidando o segundo maior aumento no país.
O crescimento coloca o estado em posição de alerta máximo no ranking nacional e levanta questionamentos sobre a efetividade das políticas públicas de prevenção e proteção às mulheres. Mesmo estados com números absolutos maiores, como São Paulo ou Minas Gerais, apresentam taxas inferiores às de Mato Grosso.
Dados nacionais
O relatório também destaca que a maioria dos registros no país corresponde a feminicídios tentados, que representaram 68,9% do total em 2025. Esses casos, embora não resultem em morte, indicam falhas na prevenção, especialmente no acompanhamento de medidas protetivas e na atuação da rede de proteção.
A pesquisa mostra ainda que dezembro concentrou o maior número de registros no país, somando 650 casos, seguido de agosto (633) e outubro (606). Já nos dias da semana, domingo segue sendo o com maior número de registros, seguido do sábado e da sexta-feira.
Os finais de semana concentram a maior incidência de violência contra a mulher, com o domingo (20,53%) sendo o dia mais crítico.
Diante dos números, especialistas defendem a ampliação de delegacias especializadas, o fortalecimento das medidas protetivas de urgência previstas na Lei Maria da Penha e maior integração entre polícia, Judiciário e assistência social. Apesar disso, Mato Grosso conta com apenas nove delegacias especializadas no atendimento de mulheres.

Ao todo, em 2025, foram 6.904 feminicídios consumados e tentados no Brasil, com um aumento de 34% em relação ao ano de 2024, que havia somado 5.150 feminicídios consumados e tentados.

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